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Os atuais preços de mercado podem fazer sentido

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Numa das suas influentes colunas do New York Times, Paul Krugman (2020) tentou dar voz ao que a comunidade académica tem vindo a argumentar em cada vez maior número e preponderância: “Sempre que se considerar as implicações económicas nos preços das ações, queira lembrar-se de três regras. Primeiro, o mercado de ações não é a economia. Em segundo lugar, o mercado de ações não é a economia. Em terceiro lugar, o mercado de ações não é a economia (…). A relação entre o desempenho das ações – em grande parte impulsionada pela oscilação entre a ganância e o medo – e o crescimento económico real esteve sempre algures entre o ambíguo e o inexistent“. O maior intuito deste artigo é o de procurar razões e compreender se os fundamentais justificam por inteiro os elevados níveis dos índices acionistas.

Possíveis justificações para o desempenho dos mercados

Em primeiro lugar, as boas notícias sobre as vacinas e a sua distribuição provavelmente convenceram alguns investidores de que uma recuperação robusta está ao virar da esquina. Assumem razoavelmente que, uma vez amplamente distribuída a vacina nos países ricos, a imunidade de grupo será eventualmente alcançada, preparando o cenário para que os consumidores regressem à atividade económica. Muitos consumidores estão sentados numa grande pilha de dinheiro que poderá ser utilizada assim que a procura seja desencadeada. Isto, por sua vez, poderia conduzir a uma pressão ascendente sobre os preços, o que seria bom para a rentabilidade das empresas. No entanto, a probabilidade de se observar inflação no curto-prazo é ainda muito pequena.

Em segundo lugar, como consequência da política de forward guidance realizada por líderes de bancos centrais, os investidores esperam que os bancos centrais continuem a injetar grandes quantidades de liquidez nos mercados financeiros. Historicamente, os baixos rendimentos no meio
de muito dinheiro levarão os investidores para ativos mais arriscados, como ações. O resultado acaba por ser também uma subida contínua dos preços dos índices.

Em terceiro lugar, uma parte desproporcional do aumento dos preços dos índices este ano resultou do desempenho das empresas tecnológicas. Os investidores acreditam que a transição para uma interação mais remota continuará. Assim, se um grande número de pessoas continuar em teletrabalho ou a realizar também outro tipo de operações remotamente, então as empresas tecnológicas serão mais uma vez aquelas que mais poderão beneficiar com isso.

Por último, poder-se-podia argumentar que o aumento dos preços dos índices não é racional. Ou seja, talvez seja uma bolha especulativa, impulsionada pelo excesso de liquidez e pela exuberância irracional por parte dos investidores. Uma forma de detetar uma bolha é olhar para o rácio de preço/ganhos, que atualmente é bastante elevado. No entanto, o laureado com o Prémio Nobel Robert Shiller diz que, apesar do elevado rácio de preços/ganhos, as avaliações de hoje podem fazer sentido. Ele diz que o valor de uma ação deve ser o valor descontado dos ganhos futuros esperados. Aparentemente, a taxa a que os valores das ações são descontados é historicamente baixa, sugerindo assim que se justifica uma elevada valorização.

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