A economia da vacina

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Na semana passada, a Pfizer e a BioNTech anunciaram que o seu teste a uma potencial vacina de combate à pandemia tinha uma eficácia de 90%.

Vivendo os mercados de expectativas futuras, os preços das ações acabaram por disparar, especialmente as da Pfizer, mas também em alguns setores específicos como as companhias aéreas, cadeias hoteleiras e aeroespaciais. Por outro lado, empresas tecnológicas acabaram por perder força à medida que se espera uma diminuição da necessidade desse tipo de serviços com as medidas de confinamento a serem reduzidas. Os rendimentos das obrigações também aumentaram com as expectativas de que o crescimento económico e a inflação pudessem acelerar mais cedo do que o previsto.

Entretanto, mesmo que esta e outras vacinas se revelem bem-sucedidas ainda antes do final deste ano, levará tempo para a produzir em massa, distribuir e entregar. Haverá questões sobre quem obtém o vírus primeiro, tanto por idade, fator de risco, rendimento, etnia e geografia. Ainda há muito trabalho a fazer antes de podermos voltar à normalidade.

Possível impacto económico da vacina

As reações do mercado de capitais sugerem uma resposta ao possível impacto da vacina na economia. O crescimento das ações das companhias aéreas poderá indicar que os investidores esperam que as pessoas voltem a ter alguma interação social. Se isso acontecer, poderemos assistir a um aumento da procura de serviços virados para os consumidores, como restaurantes, entretenimento, viagens e lojas de retalho. Isto seria seguido por um aumento do emprego nestas indústrias que estão atualmente a funcionar muito abaixo da sua capacidade. Como consequência disso, existiria uma aceleração temporária do crescimento económico à medida que as grandes economias regressariam aos níveis de atividade pré-crise.

Diversos economistas mostraram também a sua satisfação pelo possível aparecimento da vacina. Paul Dales, economista do Reino Unido na Capital Economics, referiu que uma vacina “melhoraria drasticamente as perspetivas económicas“. Também a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, mencionou a importância de como uma forte cooperação internacional em torno da vacina poderia acelerar a recuperação económica mundial referindo que isso adicionaria 9 biliões de dólares ao rendimento global até 2025.

No entanto, são cada vez mais os apelos para que esta possível descoberta não faça parar os estímulos fiscais em curso nem aqueles que estão planeados. Kristalina Georgieva foi uma dessas pessoas, que referiu que os estímulos fiscais dos EUA desde o início do ano “deram um impulso muito positivo e que seria importante de o ver novamente“. Jerome Powell, governador da Reserva Federal norte-americana, também referiu toda a incerteza ainda presente e que “continuará a ser necessário um enorme apoio do governo“.

A descoberta da vacina pode marcar o início do fim da pandemia, mas o legado económico deste vírus poderá prolongar-se ainda mais.

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Sobre o autor

Frederico Aragão Morais

Market Analyst da TeleTrade

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