A Europa da segunda vaga

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O recente ressurgimento do vírus em algumas partes da Europa está, como seria de esperar, a afetar a economia e em especial o sector dos serviços. O último PMI de serviços na zona euro caiu acentuadamente em setembro, o que indica uma queda da sua atividade. Estes indicadores orientados para o futuro estão destinados a sinalizar a direção da atividade do setor em avaliação. A fraqueza dos serviços reflete provavelmente o facto de, devido à revitalização do vírus em alguns locais (especialmente em Espanha e França), muitos consumidores estarem cada vez mais a evitar a interação social, diminuindo consequentemente os gastos nesse setor. A maior queda do desemprego europeu veio precisamente das suas indústrias de serviços.

Por outro lado, nem tudo são más notícias e a União Europeia (UE) informou que a confiança dos consumidores na região aumentou em setembro, apesar do aumento dos casos. A robustez do setor de manufatura indica também o crescimento da procura global das exportações da zona euro, bem como a procura interna de bens duradouros.

Surto de vírus na Europa e seu impacto económico

O número de novos casos tem vindo a aumentar rapidamente em Espanha e França desde o final de julho, enquanto a Alemanha e a Itália registaram apenas um modesto aumento durante esse período. Esse incremento está a pesar sobre a atividade económica, como mostram os recém-lançados PMI europeus para o setor dos serviços. No entanto, a relação entre esta medida de atividade económica e o número de casos confirmados mudou desde a primavera, onde a segunda vaga de casos em Espanha e França provocou uma contração proporcionalmente menor na atividade económica do que a primeira vaga.

Daqui para a frente, o caminho da zona euro como das economias do mundo dependerão fortemente da trajetória do vírus, bem como das respostas da política orçamental de vários governos europeus. O Governo alemão já alargou os estímulos e o Banco Central Europeu informou que o aumento da poupança dos consumidores nos últimos meses na zona euro se deveu principalmente à falta de oportunidades de gastos. Isto sugere que muitos consumidores têm muito dinheiro e muita procura pendente. Isto é um bom presságio para um relançamento dos gastos, uma vez que os consumidores estão menos preocupados com o vírus.

Apesar de uma reação negativa mais fraca a esta segunda vaga de infeções na Europa, o aumento dos casos está a conter uma recuperação mais acelerada da Europa. À medida que o tempo fica mais frio, as atividades económicas que foram conduzidas ao ar livre durante o verão tornar-se-ão consideravelmente mais arriscadas, uma vez que terão de ser transferidas para dentro.

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Sobre o autor

Frederico Aragão Morais

Market Analyst da TeleTrade

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