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Apesar de tudo, a inflação continua a ser um cenário improvável

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Ao longo das últimas décadas, a discussão em torno da impressão de dinheiro e de um claro crescimento dos preços como consequência disso, tem tido um desfecho desfavorável para os adeptos desta teoria – pelo menos nos países mais desenvolvidos. No fundo, o argumento centra-se no facto de que se a oferta monetária aumentar mais rápido do que a sua produção real então (ceteris paribus), a inflação irá ocorrer. Ou seja, se um banco central imprimir moeda, à partida as famílias terão também mais dinheiro disponível o que irá por ventura fazê-las gastar mais em consumo. Apesar de um aumento do dinheiro em circulação – a quantidade de bens não se altera – levando, por isso, a um aumento de preços.

A realidade, é que desde a grande crise financeira de 2008 que nunca se imprimiu tanto dinheiro e, no entanto, a inflação tarda em chegar. A teoria quantitativa do dinheiro de Irving Fisher ajuda a compreender o porquê:

MV=PT

onde M se refere à quantidade de dinheiro existente, V à velocidade do dinheiro (o número de vezes que o dinheiro troca de mãos) e P e T ao nível dos preços e quantidade total de bens, respetivamente. O que vários economistas apontam é que à medida que a oferta monetária se tem estendido (M), a velocidade do dinheiro tem diminuído bem como a quantidade total de bens aumentado – assim a igualdade da equação mantém-se continuando os preços dos produtos (P) relativamente baixos.

Também hoje é possível observar economistas que apontam cenários de aumento de inflação como consequência do aumento da oferta monetária bem como outros (diga-se, a maior parte) que referem que os preços manter-se-ão baixos. Aqueles que indicam que existirá um aumento de preços, referem que os fortes estímulos monetários e fiscais serão a principal causa desse crescimento. Já aqueles que afirmam que a inflação se irá manter baixa, mencionam os baixos preços de diversas matérias primas, baixas expectativas de inflação e um mercado laboral onde a procura de trabalhadores por parte das empresas é inferior à oferta (levando então a uma diminuição dos salários e consequentemente dos preços).

Olivier Blanchard refere que existe um consenso entre vários economistas de que a probabilidade de existir inflação como consequência destas medidas de estímulo, é de cerca de 3%. O ex economista-chefe do FMI aponta, no entanto, os passos de como isso poderia acontecer:

– No início, existiria um aumento muito grande dos défices fiscais que por sua vez levaria a um aumento das suas dívidas públicas;

– De seguida, uma possível diminuição da aversão ao risco bem como das poupanças dos consumidores iria levar a um aumento da sua natural rate of interest – taxa de juro das obrigações do tesouro – indicada para levar a economia ao seu potencial;

– Por fim, de maneira a evitar um sobreaquecimento da economia, o banco central da região ver-se-ia obrigado a aumentar ainda mais a sua natural rate of interest levando consequentemente ao aumento da dívida pública e possivelmente à necessidade de medidas de austeridade.

Porém, nada disto está a acontecer sendo provável que nos fiquemos apenas pelo primeiro ponto em que será muito provável ver um aumento substancial dos défices e dívidas públicas. De resto, é precisamente o oposto que é possível observar – existe uma aversão pelo risco e um forte aumento das poupanças dos consumidores, não só como consequência das medidas de contenção social como também por precaução face a um futuro incerto. 

É talvez até mais provável uma situação de deflação, do que uma alta e descontrolada subida generalizada dos preços. Essa situação é muito pouco desejável, uma vez que se for suficiente para influenciar as expectativas dos consumidores pode ser altamente difícil de contrariar. Da mesma forma que a inflação tende a promover o consumo uma vez que os preços estarão mais altos amanhã, a deflação retrai-o, pois, os preços estarão mais baixos no futuro. Uma possível entrada nesse ciclo vicioso não é certamente o melhor cenário para uma recuperação económica. Felizmente, esse não é, pelo menos por enquanto, o cenário mais provável.

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