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Ativos de refúgio

Por André Pires, analista XTB

Um ativo de refúgio é um ativo que permite aos investidores minimizar a exposição da sua carteira de títulos às flutuações do mercado.

Tais ativos caracterizam-se por estarem negativamente correlacionados, ou não correlacionados, com outros ativos, em particular com os índices de mercado. Isto é, se os índices caem, o ativo de refúgio sobe.

Esta salvaguarda, utilizada por muitos investidores, torna-se possível por se constatar que, em geral, os mercados acionistas reagem a acontecimentos geopolíticos de forma uniforme, principalmente em períodos de crise.

Como tal, os grandes investidores procuram ativos que lhes permitam proteger a rendibilidade da sua carteira, contrabalançando eventuais perdas imprevistas com a valorização de ativos com valor intrínseco (commodities) ou com elevados padrões de segurança (obrigações do tesouro de elevado rating).

No entanto, aparte a sua utilidade na cobertura de risco, estes ativos são apetecíveis também para os especuladores do mercado bolsista, na medida em que sejam capazes de antecipar o impacto de eventos político-económicos no sentimento do mercado.

Neste artigo, enuncio alguns dos principais ativos de refúgio: o Ouro, Obrigações do Tesouro (EUA e Alemães) e Franco Suíço (CHF)

O Ouro

Historicamente, o ativo de refúgio “por excelência” tem sido o ouro. Símbolo de beleza e poder, chegou a servir de elo de ligação entre as mais importantes divisas do mundo, através de um sistema monetário que relacionava o valor das moedas ao preço do ouro.

Ao contrário de tantas outras commodities, o ouro (e outros metais preciosos) não são consumidos, como o petróleo, carvão, produtos agrícolas, etc.. Pelo contrário, são armazenados e, no limite, todo o ouro extraído até hoje pode ser reintroduzido no mercado a qualquer momento. 

O valor intrínseco desta matéria-prima é reconhecido mundialmente pela sua elevada liquidez (facilidade de conversão em dinheiro). O ouro desempenha uma função de “anti-dólar”, isto é, como o ouro é cotado em dólares, se o dólar perde valor, o valor nominal (em dólares) do ouro irá subir, o que irá preservar o valor real do ouro. 

Uma vez que o objetivo do especulador não é nem adquirir ouro nem cobrir o risco, este procurará oportunidades de negócio medindo o pulso do mercado, o “Market Mood” ou sentimento do mercado, abrindo uma posição “curta” em caso de otimismo no mercado, e “longa“ em caso de pessimismo ou perspectivas de crise financeira.  

Para além de ativo de refúgio, tem-se verificado nas últimas duas décadas que o preço do ouro tem subido consistentemente, na medida em que tornou-se apetecível como ativo de investimento, em resultado da sua utilidade na indústria tecnológica.

Títulos do Tesouro

As Obrigações do Tesouro são títulos de dívida pública, com maturidade superior a 1 ano, emitidos por diferentes governos como forma de se financiarem.

Este tipo de obrigação rege-se pelos mesmos princípios das obrigações emitidas por empresas (maturidade, cupão e preço), com a única diferença de que o emitente é um país soberano.

Nem todos os Títulos de Tesouro são ativos de refúgio, já que a classificação do Título como tal requer um baixo risco de incumprimento. Esse risco é medido por empresas de rating como a Moody's e a Standard & Poor´s.

Se por um lado Títulos de Tesouro de países emergentes podem ser apetecíveis como um investimento (dado o risco intrínseco), os títulos de países como os Estados Unidos da América e da Alemanha têm um risco de incumprimento quase nulo, pelo que, embora ofereçam taxas de retorno residuais, são ótimos ativos de refúgio. 

É de referir ainda um fenómeno chamado de ativos “domésticos”. Historicamente, constata-se que as Obrigações do Tesouro Americano apresentam, consistentemente, um melhor desempenho como ativo de refúgio e cobertura para os índices americanos, enquanto as Obrigações alemãs têm um melhor desempenho para com os índices europeus.

Franco Suíço

No mercado cambial circula uma moeda cujo prestígio garante-lhe o título de ativo de refúgio: o Franco Suíço (CHF). Sendo um país europeu pequeno, com um sistema político estável, com baixo nível de endividamento e inflação, e um sistema financeiro e fiscal altamente desenvolvido e atraente, a Suíça alicia investidores de todo o mundo, que veem este país como um paraíso. 

Estando fora da Zona Euro a moeda helvética tem demonstrado um ótimo desempenho como moeda de refúgio, em especial para com o mercado americano e outros mercados não-europeus.

Conclusão

Historicamente, os ativos de refúgio têm desempenhado a sua função de forma consistente. 

Dada forte interligação dos diferentes mercados mundiais, estes ativos têm um desempenho transversal a qualquer mercado, embora se possam apontar algumas relações pontualmente mais eficientes, dependendo do contexto em questão.

Saber ler o mercado e percepcionar o otimismo/pessimismo mediante as notícias, pode oferecer oportunidades de trading todos os dias, indiferentemente do sentimento do mercado ser positivo ou negativo.

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