BiG: Análise Semanal de Mercados (26/02/2019)

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EURUSD: Par em momento decisivo numa semana com desenvolvimentos positivos e agenda macro preenchida

 

  • Esta segunda-feira, Donald Trump confirmou, via Twitter, que, no dia 1 de Março, não serão aplicadas novas taxas alfandegárias às importações provenientes da China, em virtude do “progresso substancial” nas negociações entre as duas maiores economias do mundo e acrescentou ainda que, se progressos adicionais fossem conseguidos, na segunda quinzena de Março reuniria com o presidente Xi Jinping, em Mar-a-Lago, na Flórida. A expectativa, cada vez mais confiante, de que um acordo que ponha fim à guerra comercial entre EUA e China seja alcançado em Março, alivia a pressão compradora sobre o USD, que, de um modo geral, actuou como activo de refúgio durante a escalada proteccionista.
  • Hoje, a primeira-ministra britânica, considerou finalmente adiar o prazo de saída da UE, a fim de evitar um Hard Brexit e o líder da oposição, Jeremy Corbyn, anunciou que o Partido Trabalhista irá apoiar um segundo referendo como alternativa ao actual acordo, já uma vez chumbado no Parlamento britânico. Ainda que o impacto favorável seja sobretudo para o GBP, o EUR (face ao USD) também beneficia de uma saída ordeira do Reino Unido e ainda mais da sua eventual permanência na UE. No calendário macro para esta semana, consta a divulgação do crescimento económico nos EUA relativo ao quarto trimestre de 2018 (estimativa avançada), os índices PMI finais na Zona Euro, relativos a Fevereiro (que deverão reflectir uma retoma da actividade económica) e as métricas de inflação CPI, também na Zona Euro (que deverão incorporar já o aumento dos preços da energia).
  • Referência técnica: No gráfico horário, o EURUSD encontra-se muito perto do vértice de um impecável triângulo ascendente, amparado também pelo suporte dos 23,6% de Fibonacci. A quebra desta figura, provavelmente em alta, deverá motivar o próximo movimento direccional a curto prazo.

 

Nasdaq 100: Sector tecnológico apresenta maior vulnerabilidade técnica e fundamental a uma eventual correcção

  • O rally vivido nas bolsas accionistas mundiais, desde o início do ano, foi alimentado sobretudo pela perspectiva de um acordo entre EUA e China que ponha fim à escalada proteccionista entre as duas maiores economias mundiais. Sectorialmente, as empresas tecnológicas norte-americanas (com uma valorização no ano superior a 12%) foram as segundas principais beneficiárias (seguindo-se às industriais) deste sentimento positivo extremado. A resolução do referido conflito proteccionista parece estar já bastante descontado, pelo que uma saudável correcção poderá estar iminente. O sentimento de risk-off e a rotação sectorial que são características destas correcções tendem a preterir sectores mais cíclicos, como é o caso do tecnológico em prol de sectores mais defensivos, como utilities, health care e telecomunicações.
  • Na actual temporada de resultados, referente ao quarto trimestre de 2018 e já bastante avançada, ao contrário de trimestres anteriores, as empresas tecnológicas norte-americanas registaram crescimento de receitas (+3,41%, quarto menor em dez sectores) e de lucros (+6,37%, quinto menor) verdadeiramente mais modestos. Adicionalmente, as estimativas dos analistas sondados pela Bloomberg para cada um dos primeiros três trimestres de 2019 são assinalavelmente conservadoras: é esperado um crescimento de receitas sempre inferior a 5% e uma queda nos lucros.
  • Referência técnica: Tendo já perdido o canal ascendente dentro do qual o Nasdaq 100 encetou a subida desde o início do ano, o índice respeito a resistência na região dos 7.185 pontos. Posicionamentos curtos parecem-nos mais interessantes, com um stop perto dos 7.300 pontos.

IBEX35: Crise política em Espanha melhora gradualmente

  • O ex-chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, decidiu, em 27 de outubro de 2017, intervir diretamente na administração da Catalunha, demitindo o executivo regional dirigido por Carles Puigdemont, que se encontra na Bélgica para evitar ser preso pela polícia espanhola. Actualmente Mariano Rajoy é testemunha no julgamente de 12 dirigentes separatistas e vai depor no tribunal dia 27 de Fevereiro, esta quarta-feira.
  • O julgamento que está a decorrer poderá representar um final às tensões políticas espanholas e ser uma oportunidade para reunificar Espanha e Catalunha.
  • Referência técnica: Em relação aos factores técnicos, verifica-se alguma exaustão do canal baixista que se tem mantido em vígor desde início de 2018 com a formação de um head and shoulder bottom que indicia reversão de tendência. Na quebra da neckline deste padrão, perto dos 9.250 pontos será um ponto interessante para começar a construir posições compradoras.

 

NATGAS: Gás natural recupera depois do contacto com o suporte, numa altura em que se espera frio árctico nos EUA

  • O gás natural está a ser impulsionado pelas expectativas de tempo mais frio do que o normal no início de Março, devido à influência do Árctico. Os metereologistas esperam um dos arranques de Março mais frios de sempre. Aliás, o leste dos EUA enfrentou temperaturas frias já ontem.
  • O preço do gás natural tem sido pressionado nos últimos meses pela situação excedentária desta mercadoria energética, motivando níveis de sobrevenda técnica. No entanto, o frio extremo pouco antes da Primavera poderá surpreender o mercado e levar os compradores a perseguir o preço a níveis cada vez mais elevados.
  • Referência técnica: Os futuros do gás natural encontraram suporte no nível historicamente relevante dos $2,50, iniciando a valorização nos últimos dias. O breakout no RSI é também notório. Um potencial breakaway gap na abertura da sessão de ontem a confirmar uma figura de duplo fundo reforçam a nossa opinião positiva para o gás natural. Para gestão de risco, consideramos os $2,68, enquanto os $3,12 podem ser utilizados como objectivo altista.
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