Como ficará a economia depois da crise?

economia depois da crise

Apesar de todos os cenários económicos que se vão criando, a incerteza permanece em vários planos. É difícil prever o quão fácil será recuperar os empregos perdidos, quando é que se poderá voltar a viajar ou qual o real impacto das medidas de estímulo dos bancos centrais e dos governos numa economia que pouco mexe. Enquanto a dúvida incide principalmente no seu horizonte temporal, é possível começar a pensar como ficará o mundo depois desta pandemia. Não em termos de números concretos, mas sim relativamente ao paradigma económico que certamente será diferente. Num vasto conjunto de temas que poderiam ser aqui abordados, serão dados destaque a quatro: globalização, estagnação secular, desigualdades e dólar americano

Globalização

Se antes desta pandemia já era possível observar uma redução do comércio internacional e de medidas protecionistas, então depois desta crise essa tendência poderá ser ainda mais exacerbada. As empresas que dependem em grande parte de cadeias comerciais globais estão a sofrer os riscos inerentes às suas interdependências e às grandes perdas causadas pelas medidas de contenção social. No futuro, é provável que estas empresas levem mais em conta estes riscos, resultando em cadeias de abastecimento mais locais e robustas — mas menos globais.

Adam Posen, economista e presidente do Peterson Institute for Internacional Economics, refere que o “nacionalismo económico levará cada vez mais os governos a desligarem as suas próprias economias do resto do mundo – isto não levará, no entanto, a uma completa autarquia”.

Estagnação Secular

Esta situação de Estagnação Secular foi pela primeira vez descrita na grande depressão dos anos 30 por Alvin Hansen, tendo sido desconsiderada pela maior parte dos economistas da época. O economista referia que aquela situação económica poderia ser o início de uma nova era de desemprego e estagnação económica e que o livre mercado por si só não levaria a economia de volta ao seu potencial. Nos dias de hoje, o seu maior impulsionador é Larry Summers que caracteriza o momento como um tempo marcado por baixas taxas de juro, inflação abaixo do seu target e um crescimento económico lento.

Esta situação poderá aprofundar-se à medida que as pessoas se mantenham avessas ao risco aumentando assim as suas poupanças, reduzindo assim persistentemente a procura e a inovação.

Desigualdades Sociais

Já são muitos os estudos que nos indicam que a redução da desigualdade é amiga do crescimento económico. Os últimos resultados empíricos sugerem que, se a desigualdade for reduzida, nomeadamente entre os grupos de rendimentos mais baixos, isso tem um efeito positivo não só em termos de justiça social, mas também em termos de crescimento económico. Num estudo realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), é referido que a educação é a “chave e o principal fator por detrás das desigualdades que prejudicam o crescimento.” 

O atual momento em que vivemos, tal como em qualquer ciclo económico recessivo, afeta maioritariamente as classes mais baixas e com maiores défices fiscais, espera-se também uma redução do investimento na educação. Tanto a sua causa como a sua solução serão muito difíceis de atenuar para aqueles países que não o fizeram antes da pandemia começar. Independentemente disso, todos sofrerão e é esperado um aumento do fosso entre os dois extremos das classes sociais.

Dólar Americano

A aversão pelo risco e a procura por ativos de maior segurança um pouco por todo o mundo e, em especial, por economias emergentes e em desenvolvimento fará com que se continue a depender do dólar norte-americano para o financiamento e o comércio. Mais uma vez, Adam Posen refere que “mesmo que os Estados Unidos se tornem menos atrativos para o investimento, a sua atração será superior em relação à maioria das outras partes do mundo.”

Será certamente difícil contrabalançar estas tendências, no entanto depende muito dos líderes mundiais tentar manter o espírito de unidade internacional que nos sustenta coletivamente há mais de 50 anos.

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Sobre o autor

Frederico Aragão Morais

Market Analyst da TeleTrade

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