Como investir e aproveitar os movimentos de queda dos mercados – 1º parte “Estratégia de Valor Relativo”

estrategias valor relativo 1 parte

Por André Neto Pires, Analista na XTB Portugal

Uma das estratégias mais comuns para a negociação na Bolsa de Valores, especialmente difundida entre os investidores profissionais, são as estratégias de valor relativo, também chamadas de estratégias neutras no mercado.

No mercado de ações, como no desporto, nos negócios e na vida em geral, há uma série de indivíduos (ações) com características especiais que fazem com que se destaquem acima dos restantes. Essas características especiais, no caso de participações no mercado de ações, geralmente são, por exemplo, uma vantagem competitiva, uma imagem de marca mais forte, eficiência operacional excepcional ou um posicionamento mais firme num determinado mercado ou produto.

Saber como identificar essas vantagens competitivas e, portanto, as ações ou países que os possuem, é a base da estratégia de valor relativo. Por outras palavras, as estratégias de valor relativo consistem em detetar um valor bom e um valor mau para depois comprar o primeiro e vender o segundo.

Vamos a um exemplo de uma estratégia de valor relativo:

Partimos da suposição de que a nossa análise leva-nos a crer que, no setor financeiro espanhol, o Banco Santander é uma das melhores alternativas, enquanto o Banco Sabadell parece-nos poder oferecer um desempenho abaixo da média. Durante o ano passado, as quedas do mercado acionista foram generalizadas e, no final, os dois ativos analisados terminaram da seguinte forma:

  • Banco Santander caiu -11,8% no ano passado
  • Por sua vez, Sabadell caiu -17,06%

É evidente que, se tivéssemos comprado a ação do Banco Santander, teríamos um retorno negativo, porque o mercado caiu.

Vamos ver se os resultados seriam os mesmo se tivéssemos usado uma estratégia de valor relativo. A estratégia convidar-nos-ia a comprar o valor que acreditamos que pode ter um desempenho melhor (Banco Santander) e a nos posicionarmos curtos na ação que acreditamos que pode ter um desempenho relativamente pior (Banco Sabadell). Se assumirmos que investimos 10.000 € em cada ação:

  • A compra do Banco Santander dá-nos uma perda de 1180€
  • A venda do Banco Sabadell dá-nos um lucro de 1706€
  • No geral, o resultado da estratégia é + 1706 € – 1180 € = 526€

Nesse caso, como a nossa análise estava correta, obtivemos um lucro de 526€ no capital investido. Esse resultado é especialmente bom tendo em vista que as quedas no mercado foram generalizadas. É importante realçar que podemos aplicar essa mesma estratégia em índices de países, em vez de ações. Por exemplo, se considerarmos que nos próximos meses, por algum motivo, Espanha vai ter um melhor desempenho do que Itália, a estratégia de valor relativo que deveremos executar é uma posição de compra no Ibex 35 e, ao mesmo tempo, abrir uma posição curta no MIB italiano.

PROS

  1. Posso obter lucros quando o mercado cai.
  2. Posso beneficiar da alavancagem.
  3. Posso posicionar-me contra uma empresa, um setor em particular ou até um país.
  4. Além disso, posso posicionar-me contra uma moeda, matérias-primas e renda fixa.

CONTRAS

  1. O meu lucro máximo é limitado:
  2. Uma ação nunca pode valer menos do que zero. Asquedas não são ilimitadas.
  3. A minha perda máxima é ilimitada:
  4. O preço de uma ação pode subir ilimitadamente.
  5. Em alguns mercados, as operações de venda podem ser restritas.
  6. Embora não seja comum, pode haver um custo para que se posicione curto nalguns instrumentos.

Para conhecer outras formas de defender-se e até aproveitar as quedas do mercado em seu favor, veja o Vídeo-relatório da Equipa de Análise da XTB aqui.

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Sobre o autor

André Pires

Analista na XTB Portugal

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