Em primeiro lugar está a literacia financeira

Teletrade

Vários economistas sublinham cada vez mais o papel da literacia financeira na explicação das decisões de poupança, investimento e planeamento de reformas. Existem estudos que sugerem que os baixos níveis de literacia financeira podem muitas vezes causar más decisões financeiras, com efeitos negativos para a economia em geral. É também possível observar dados empíricos de que os países com maior literacia financeira têm taxas de poupança mais elevadas e maior riqueza (Tullio Jappelli, Mario Padula. 2011). As vantagens também se estendem à própria saúde onde a literacia financeira parece reduzir a ansiedade, tornando as pessoas financeira e psicologicamente melhor preparadas para a velhice (Yoshihiko Kadoya, Mostafa Saidur Rahim Khan. 2016).

A realidade é que estas conclusões parecem pôr em causa a forma como olhamos para a economia nos dias de hoje. A ideia de uma economia de consumo, sustentada pela impressão de dinheiro por parte de bancos centrais bem como pelo investimento público em tempo de recessão ostenta estar aqui ameaçada.

Política monetária, consumismo e responsabilidade

Numa primeira instância, estas sugestões de promoção de uma população financeiramente mais responsável parecem por em causa a forma como se faz e pensa a política monetária hoje em dia e, em particular, a sua capacidade do cumprimento dos objetivos de inflação.

A revisão da estratégia de política monetária da Fed (que poderá também ser seguida por outros bancos centrais) faz com que o banco não tenha de responder de forma tão agressiva a uma aproximação da economia ao seu potencial e nível de pleno emprego. Isto sugere estímulos durante mais tempo de forma a combater uma curva de Phillips horizontal e baixas expectativas de inflação, que se esperam que sejam eventualmente alteradas através do aumento do consumo e não necessariamente da poupança.

Pode até ser tentador apontar o consumismo presente na cultura em que vivemos como algo que seja promovido por esta ação de governos e bancos centrais. Não me parece, no entanto, que exista sequer uma relação entre consumismo e planos fiscais/monetários expansionistas. Pretende-se que o target de inflação seja atingido da forma mais sustentável possível, daí também se realizar (por exemplo) uma devida análise ao cesto de produtos – utilizado para o cálculo da inflação. Por exemplo, a variação do preço do mercado petrolífero é muitas vezes excluída uma vez que é um fraco indicador do crescimento da procura agregada e da qualidade de vida de uma população. Se governadores de bancos centrais não olhassem a meios para atingir os fins, então dar-se-iam por satisfeitos ao ver o seu target de inflação ser atingido. O máximo de consumo deve ser sempre procurado, no entanto isso não deve por em causa uma poupança responsável. O facto de isto nem sempre ser verdade, não significa que bancos centrais e que governos tenham tomado decisões erradas ao longo dos últimos anos. No entanto, parece-me claro que mais e melhores ações de promoção de literacia financeira são precisas.

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Sobre o autor

Frederico Aragão Morais

Market Analyst da TeleTrade

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