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Estagnação Secular é o maior desafio económico dos nossos dias

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Estagnação Secular

Muitas vezes, os manuais de economia abordam e explicam a macroeconomia com base em ciclos económicos – depois de uma recessão, tende a existir uma expansão que, por sua vez, se encerra no dia em que existir uma sucessiva contração da produção desse ciclo expansivo. No entanto, a recuperação da crise financeira de 2008 tem sido muito anémica – o produto interno bruto (PIB) da zona euro continua mais baixo do que no ano de 2009 e o Reino Unido só o ultrapassou no ano passado. Em particular, os últimos anos têm sido caracterizados por baixas taxas de juro, inflação abaixo do seu target e um crescimento económico lento. Para explicar esta situação em que diversas economias desenvolvidas se encontram, o antigo secretário do Tesouro norte-americano e ex-economista chefe do Banco Mundial, Larry Summers, refere que estamos presos numa situação chamada de Estagnação Secular

Esta situação foi pela primeira vez descrita na grande depressão dos anos 30 por Alvin Hansen, tendo sido desconsiderada pela maior parte dos economistas da época. O economista referia que aquela situação económica poderia ser o início de uma nova era de desemprego e estagnação económica e que o livre mercado por si só não levaria a economia de volta ao seu potencial. Segundo Hansen, as principais causas que estavam a reduzir a procura agregada eram a diminuição da taxa de natalidade e um aumento significativo da poupança. Estas preocupações acabaram por ser, no entanto, injustificadas uma vez que a Segunda Guerra Mundial acabou por trazer um grande aumento da despesa pública americana, contribuindo assim para um forte incremento da procura. Também a tendência da natalidade acabou por mudar substancialmente, reduzindo então a poupança e motivando assim um maior consumo.

Já no ano de 2013, num discurso que teve lugar na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), Summers trouxe de volta este tema já há muito tempo esquecido. Tal como Hansen, e num argumento bastante consensual entre economistas, ele aponta a falta de crescimento populacional como uma das causas que deixa a economia numa situação de estagnação secular, ou estagnação duradoura. Também Paul Krugman, vencedor do prémio nobel da economia, refere que “um crescimento lento ou negativo da população em idade ativa significa uma mais baixa procura por novos investimentos”. 

Para além disso, Summers menciona também a revolução da internet como uma outra explicação. Hoje em dia, a mudança de paradigma tecnológico leva a que empresas milionárias não necessitem de contratar muitas pessoas para atingir esse efeito. Ele refere que o “cultivo de uma empresa multimilionária exigia a contratação de muitos trabalhadores, a construção de escritórios e fábricas, etc. Hoje em dia, tudo o que se precisa é de um loft e um par de Macbooks.” Ele dá ainda o exemplo do WhatsApp que tinha apenas 55 colaboradores quando foi adquirido por 19 mil milhões de dólares pelo Facebook em 2014.

Uma outra causa apontada pelo economista é a crescente desigualdade observada nos países desenvolvidos onde pessoas de classe média e com mais baixos rendimentos vêm os seus salários a crescer menos – consequentemente, contribuindo para uma diminuição da despesa, consumo, produção e, por fim, da contratação por parte das empresas. Também, os elevados níveis de endividamento dos consumidores diminuem os seus gastos uma vez que os juros pagos pelos cartões de crédito desviam também o dinheiro do consumo. 

No que toca às soluções, Adam Posen (2020) teve um discurso em San Diego que acabou por ser apelidado de uma “receita para combater a estagnação secular”. Aqui, ele apoia estímulos monetários mais ativos e criativos, apelando também a uma melhor coordenação entre políticas fiscais e monetárias, com os bancos centrais dos países do G-7 a aumentarem o seu target de inflação simultaneamente. Ao mesmo tempo, e a par de Summers, ambos argumentam que as reduções das taxas de juro não são suficientes para retirar a economia da situação em que se encontra e que o investimento público tem de ajudar.

No que toca à Europa, podendo ser também aplicado a Portugal, existem diversas razões para se estar preocupado. Paul De Grauwe (2015), professor da London School of Economics, refere que não existe nenhum lugar no mundo onde a estagnação secular é mais visível do que na zona euro. Ele aponta como solução, uma política fiscal mais expansiva com específicos programas de investimento público, a serem implementados especialmente pelos países mais ricos, e em particular, pela Alemanha. Também, Nicholas Crafts (2014), professor da Universidade de Warwick, refere que os riscos de estarmos perante uma situação destas é particularmente relevante na zona euro onde a demografia é um risco maior, o crescimento da produtividade mais debilitado e a consolidação orçamental uma realidade presente. 

No entanto, apesar de alguma inércia por parte de governos e instituições públicas em combaterem este problema, não tem faltado apelo à ação política. Gauti Eggertsson (2015) salienta que uma atitude passiva em relação a uma situação deste tipo vivida pelo mundo de hoje não é adequada e que deve ser combatida com intervenções políticas mais agressivas. Já o grande impulsionador deste debate, Summers (2020), vai mais longe e alerta categoricamente que a estagnação secular deve ser levada asserio uma vez que “pode ser o desafio macroeconómico definidor dos nossos tempos“.

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