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O que os mercados temem de uma epidemia?

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Por André Neto Pires, Analista na XTB

As bolsas mundiais, de forma transversal, têm experimentado fortes quedas na segunda quinzena de janeiro deste ano de 2020, em resultado dos receios para com o Coronavírus

Mas o que há numa epidemia que seja assim tão temível para os mercados? De facto, a atenção dos investidores fica de tal forma absorvida pelas notícias da propagação do vírus que ignoram qualquer outro dado macroeconómico. 

Como é sabido, o sentimento de risco leva a um desinvestimento, em especial, em ativos de risco, como ações, levando à consequente queda nos índices. Neste caso em particular, o risco em causa é o de um aumento da taxa de mortalidade. Esse receio, se se materializar numa epidemia, ou mesmo uma pandemia, pode levar as pessoas a saírem menos à rua, a evitarem os transportes públicos, a faltarem ao trabalho, a fecharem lojas, etc. ao ponto de estrangular a economia.

O impacto da disseminação de um vírus resulta, em última análise, do comportamento preventivo da população. Num cenário catastrófico, nunca se está suficientemente preparado. O efeito de estagnação dos mercados acentuar-se-ia e poderiam ocorrer conflitos por bens essenciais e matérias-primas. Especulando sobre as probabilidades de ocorrência de tal cenário, os investidores agem no mercado na forma correspondente.

Apesar da perturbação na economia em geral, os surtos de vírus tendem a beneficiar, como se calcula, as farmacêuticas. Por outro lado, as ações de empresas ligadas ao turismo, ao transporte e a bens de luxo, tendem a sentir mais fortemente o impacto desse sentimento de risco, uma vez que o seu negócio poderá sofrer do lado da procura. Na mesma linha de pensamento, o preço do petróleo bruto também cai fortemente, precisamente, pelo receio de um impacto na procura de petróleo, em especial por parte de meios de transporte público e aviação.

Quanto ao mercado forex, as divisas tipicamente de refúgio (principalmente o Franco Suíço e o Yen Japonês) beneficiam do sentimento de risco, como é de se esperar. Outras divisas fortes como o euro e o dólar americano também são mais resilientes, mas o par EURUSD tende a cair, uma vez que o Dólar Americano é considerado como um ativo de refúgio e tende a apreciar face ao seu par. 

Em análises como esta é interessante observarmos a forma como os mercados reagiram em ocorrências anteriores do género. O histórico de ocorrências das últimas décadas revela-nos que, depois da reação pessimista a surtos que, posteriormente, revelam-se apenas falsos alarmes, os mercados, passando do modo “pânico” ao modo “eufórico”, reagem com um desempenho superior ao que tinham no período imediatamente anterior ao “susto”.

A seguinte tabela ilustra isso com uma lista de as ocorrências que ficaram marcadas na história, como a gripe aviária e suína, Zica, entre outras. 

O Coronavírus poderá vir a revelar-se como apenas mais um susto a adicionar à lista. No entanto, a gravidade do vírus, em última análise, ditará a reação do mercado e, só porque as bolsas conseguiram ultrapassar os surtos anteriores, não é garantido que consiga assimilar este e os próximos da mesma forma. Os dados históricos parecem dar um cenário otimista, mas poderemos dar-nos ao luxo de menosprezar este vírus? O tempo o dirá.

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