O retorno das guerras comerciais

Pedro Nunes Amorim, XTB Senior Account

O feriado dos EUA nesta segunda-feira vai tornar o restante da semana ainda mais intensa. Começa mais um mês de negociação que tem sido historicamente fraco para as ações com os índices dos EUA perto dos máximos históricos, e em alguns mercados emergentes estão de rastos (não um mix típico). O calendário económico vai estar cheio de dados com o NFP dos EUA e os ISMs no topo da lista, mas os investidores estão mais preocupados a observar a geopolítica, bem como Donald Trump parece estar pronto para aquecer novamente as Guerras Comerciais.

O relatório do NFP dos EUA (sexta-feira, 13:30)

O relatório do NFP de agosto é o último lançamento importante antes da decisão do FOMC em setembro. Independentemente do relatório, a Fed aumentará as taxas na próxima reunião, mas os dados podem ter um impacto numa mensagem vinda da reunião que poderia ser mais importante do que a decisão. A questão-chave do relatório é: vamos finalmente ver uma recuperação do crescimento dos salários? Os salários vêm a subir apenas gradualmente, dando à Fed o conforto de elevar as taxas em um ritmo moderado. Mercados afetados: EURUSD, Gold.

Os relatórios do ISM dos EUA (terça e quinta-feira, 15:00 para ambos)

Em julho, os relatórios do ISM tiveram grandes recuos, embora registem valores bem positivos. Como o ritmo de crescimento económico nos EUA tem sido alto, esse dado quase não foi notado. Mas outro revés seria alarmante, já que alguns dados dos EUA têm sido dececionantes ultimamente. Lembre-se, a Casa Branca aproveita um período de forte crescimento para travar as suas Guerras Comerciais, de modo que a desaceleração da economia dos EUA poderia minar essa tática. Mercados afetados: US500, USDJPY.

Guerras Comerciais (semana inteira)

Embora o calendário esteja repleto de lançamentos macroeconómicos, é muito provável que a política domine os mercados. Depois de assinar o acordo do NAFTA, o presidente Trump sente-se revigorado para travar uma nova Guerra de Comércio com a China e a Europa à procura de melhores condições de exportações. Esse processo pode ser doloroso e as tarifas de $200 mil milhões das importações chinesas vão prejudicar o crescimento económico. O mercado global já se habitou um pouco a esse risco, mas com os mercados dos Estados Unidos em máximos, pode não ser um bom momento delicado. Mercados afetados: DE30, AUDUSD.

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