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“Os mercados não são a economia”

Diversos analistas têm criticado a atual trajetória das bolsas acionistas como sendo peculiar, aleatória ou até mesmo irracional. Alegam também que é um facto de que os mercados são eficientes, e que por isso nada disto faz sentido. É curioso que este argumento é uma contradição em si mesmo, uma vez que a eficiência de mercado – suportada pela famosa efficient market hypothesis (EMH) – implica uma racionalidade que eles mesmo contestam não existir neste momento. Numa das suas influentes colunas do New York Times, Paul Krugman (2020) tentou dar voz ao que a comunidade académica tem vindo a argumentar em cada vez maior número e preponderância: “Sempre que se considerar as implicações económicas nos preços das ações, queira lembrar-se de três regras. Primeiro, o mercado de ações não é a economia. Em segundo lugar, o mercado de ações não é a economia. Em terceiro lugar, o mercado de ações não é a economia (…). A relação entre o desempenho das ações – em grande parte impulsionada pela oscilação entre a ganância e o medo – e o crescimento económico real esteve sempre algures entre o ambíguo e o inexistente“. Isto vai também de encontro ao que Robert Shiller tem consistentemente defendido ao longo dos anos – de que mais do que as notícias, aquilo que mais move os mercados é a psicologia humana.

Possíveis justificações para o desempenho dos mercados

O maior intuito deste artigo é o de procurar evidência para o que tem movido os mercados ao longo desta pandemia e compreender se os fundamentais justificam por inteiro os elevados níveis dos índices acionistas.

A investigação académica em torno da resposta dos mercados bolsistas à pandemia tem tido um rápido crescimento, e tem já dado algumas explicações. Vários estudos têm demonstrado que numa fase inicial em que se observou uma forte escalada no número de casos de pessoas infetadas, os mercados foram eficazes na desvalorização das empresas mais expostas: as que eram mais frágeis financeiramente, sujeitas à disrupção das cadeias de valor internacionais, vulneráveis em termos de responsabilidade social corporativa e menos resilientes ao distanciamento social acabaram por sofrer adequadas correções (Alburque et al. 2020, Ding et al. 2020, Fahlenbrach et al. 2020, Pagano et al. 2020, Ramelli e Wagner 2020). Para além disso, algumas das perdas que se observaram estiveram também relacionadas com as revisões em baixa das previsões de médio prazo de diversos analistas (Landier e Thesmar 2020). No entanto, após a intervenção dos bancos centrais e a evolução favorável do número de casos um pouco por todo o mundo, os preços acabaram por recuperar. As facilidades de crédito e as garantias governamentais, bem como taxas de juro mais baixas e variadas medidas de bloqueio de propagação do vírus também ajudaram à subida dos índices (Capelle-Blancard e Desroziers 2020).

Ainda neste mesmo estudo de Capelle-Blanchard, é indicado que estes fundamentos apenas explicam uma (muito) pequena parte das variações do mercado bolsista. Tal como Krugman e Shiller afirmam, é difícil negar que a ligação entre os preços das ações e os seus fundamentos não têm sido senão ambíguas. É de salientar que apontar numa constante desvalorização dos índices justificando-a com a hipotética eficiência de mercado é um paradoxo sem sentido, uma vez que essa seria uma verdade intemporal que não está presente aos dias de hoje.

Ainda neste mesmo estudo de Capelle-Blanchard, é indicado que estes fundamentos apenas explicam uma (muito) pequena parte das variações do mercado bolsista. Tal como Krugman e Shiller afirmam, é difícil negar que a ligação entre os preços das ações e os seus fundamentos não têm sido senão ambíguas. É de salientar que apontar numa constante desvalorização dos índices justificando-a com a hipotética eficiência de mercado é um paradoxo sem sentido, uma vez que essa é uma verdade intemporal que não está presente aos dias de hoje.

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