Portugal: Oportunidade de Investimento?

Portugal: Oportunidade de Investimento

“Portugal: Oportunidade de Investimento”  – Um olhar vindo de fora!

Este artigo é uma tradução da análise de Luis Angel Hernandez, especialista em mercados financeiros, aquando da sua visita a Portugal. Mostra-nos uma perspetiva diferente sobre Portugal como oportunidade de investimento.

 

Portugal como Oportunidade de Investimento

Quase todos os grandes investidores reconhecem que muitas das melhores ideias de investimento provêm do seu círculo de conhecimentos ou do seu dia a dia. Nas últimas semanas, resolvi colocar esta ideia em prática baseei-me em situações quotidianas para procurar ideias de investimento. De uma viagem de lazer surgiu esta ideia do investimento que me proponho a analisar: Portugal.

 

Descobrindo Portugal

Portugal é nosso vizinho e companheiro neste canto do continente a que chamamos de Península Ibérica. Conhecido em muitos lugares do mundo pela beleza das suas cidades e dos seus litorais, o país, uma antiga metrópole, hoje também é famoso pela sua equipa da selecção de futebol e pelas grandes ondas da Nazaré. Vamos ver uma série de dados introdutórios do país e entrar pouco a pouco no universo português.

 

Situação Política e Económica de Portugal

Na tabela abaixo podemos ver os principais dados da situação política e económica do país.

A economia portuguesa cresce a taxas superiores a 2% devido ao aumento da procura interna e à aceleração do investimento. A taxa de desemprego situa-se abaixo dos 7% e o país conseguiu sair do procedimento de défice excessivo imposto pela união europeia.

O seu principal parceiro comercial, tanto de exportações como de importações, é a União Europeia e, dentro desta, a Espanha, tem um grande peso na sua balança comercial.  apresentações

Pode encontrar mais informação sobre a economia portuguesa no seguintes relatórios:

 

Desafios da Economia Portuguesa

O principal desafio de Portugal passa por reduzir o nível de endividamento no PIB nacional, não permitindo, ao mesmo tempo que o défice cresça, de forma a conseguir sair do programa de supervisão da União Europeia. Nos gráficos abaixo, podemos ver estes desafios.

Fonte: OCDE stats

No entanto, nem tudo é preocupante, a taxa de juro dos títulos a 10 anos de Portugal e, consequentemente, o seu prémio de risco apenas tem vindo a diminuir e está quase em mínimos históricos, o que facilitou o acesso ao financiamento para o país.

Outro dos grandes desafios depois da crise da dívida soberana sofrida entre 2011 e 2012, foi recuperar a confiança dos investidores estrangeiros. Uma das principais medidas foi a aposta no Golden Visa ou Visto Dourado, que gerou quase 400 milhões em receita de taxas e mais de 2000 milhões de investimentos estrangeiros no país.

 

O que é o Visto Dourado?

O Visto Dourado ou a Autorização de Residência para Actividade de Investimento (ARI), que é o seu nome oficial, permite aos nacionais de países terceiros obter uma autorização de residência temporária para a actividade de investimento, prescindindo de um visto de residência para entrar no país.

Em troca do investimento feito em Portugal, o beneficiário do ARI pode:

  • Entrar em Portugal sem visto de residência;
  • Residir e trabalhar em Portugal, com a possibilidade de manter outra residência noutro país;
  • Circular através do espaço Schengen sem necessidade de visto;
  • Beneficiar do reagrupamento familiar;
  • Obter acesso a residência permanente (após 5 anos e de acordo com a legislação vigente);
  • Obter acesso à nacionalidade portuguesa (após 6 anos e de acordo com a legislação em vigor).

Podem beneficiar da ARI os nacionais de países terceiros que exerçam uma actividade de investimento, seja pessoalmente ou através de uma empresa constituída em Portugal, ou noutro Estado-Membro da União Europeia mas com estabelecimento permanente em Portugal, e que cumpram um dos seguintes requisitos (não se aplica aos cidadãos da União Europeia ou do Espaço Económico Europeu):

  • A transferência de capital de um montante igual ou superior a 1 milhão de euros, incluindo o investimento em ações ou quotas de empresas;
  • A criação de pelo menos 10 postos de trabalho;
  • A aquisição de bens imóveis de valor igual ou superior a 500.000 euros. Quando o investimento é realizado através de uma empresa, apenas a proporção do investimento correspondente à participação do requerente  no capital social lhe é atribuível.

Como mencionei antes, o resultado foi um forte influxo de capital estrangeiro. Vários portugueses com quem conversei, durante a viagem, disseram-me que muitas fortunas brasileiras e chinesas, acima de tudo, encontraram nos vistos dourado, a forma de entrar na Europa e num dos seus países detentores de maiores níveis de segurança e qualidade de vida.

Devemos também ter em conta o regime fiscal favorável para residentes não habituais que diz o seguinte:

Os contribuintes podem beneficiar, durante um período de 10 anos, de um imposto fixo de 20% sobre o rendimento do trabalho obtido em Portugal. A tributação incide sobre os rendimentos derivados de atividades, com alto valor agregado, de natureza artística, científica ou técnica. Este regime também prevê a isenção da tributação dos rendimentos obtidos fora do país, sejam estas provenientes de pensões ou de atividades empresariais de alto valor agregado, suscetíveis de tributação no exterior. Para adquirir o estatuto de Residente Não habitual, a parte interessada não poderá ter residido no país, nos últimos cinco anos.

Esta é a rota de fuga para muitos aposentados da União Europeia não serem taxados pelos seus planos de pensão nos respectivos países de residência habitual. Tudo isto criou um ecossistema muito favorável aos investimentos no país. A seguir vamos ver os setores mais interessantes do país.

 

Sector Imobiliário em Portugal

O principal destino deste tipo de investimento tem sido o sector imobiliário, e logo à primeira vista, é fácil de se perceber o boom que ocorreu no sector, sobretudo nas duas principais cidades portuguesas, dada a quantidade de obras de reabilitação de edifícios e o número de guindastes que ocupam toda a cidade. Isto, juntamente com o aumento exponencial do turismo e dos pisos destinados a satisfazer a sua demanda, levou os preços das habitações a altos históricos, como veremos a seguir.

Para analisar o mercado imobiliário, existe uma métrica muito simples e acessível a todos que passa por analisar os preços dos alugueres e as ofertas disponíveis nas principais cidades. ao entrar no site “Idealista” e procurando um apartamento para alugar, com um preço máximo de 650 €, estes são os resultados que obtemos para Lisboa e Porto.

Preço médio do aluguer em Lisboa: 16,5€/metro quadrado

Preço médio do aluguer no Porto: 11,38€/metro quadrado

Se analisarmos outras métricas, encontramos os seguintes dados de Portugal e, em particular, de Lisboa:

Fonte: Idealista Data

Como podemos ver, a forte subida do preço do metro quadrado das residências em Lisboa fez subir o preço médio no país e já supera Espanha e Itália. Por exemplo, o preço médio por metro quadrado em Lisboa (€ 2739 / ) excede o de outras grandes cidades europeias e capitais como Madrid (€ 2425 / ), Barcelona (€ 2405 / ), Milão (€1963 / ), Roma (€ 2277 / ).

 

Regime das SIGI em Portugal

Além do Golden Visa, o Regime das SIGI português, aprovado em janeiro, também continuará a promover o negócio imobiliário. Este regime é o equivalente aos SOCIMIs espanhóis que têm o objetivo de incentivar o investimento imobiliário e, especialmente, o mercado de arrendamento. O governo português espera que essas entidades movimentem entre 10.000 e 20.000 milhões. Para saber mais, consulte a legislação das SIGIs portugueses através: Decreto-Lei n.º 19/2019

 

Sector das Energias Renováveis em Portugal

Outra das imagens que me chamou a atenção durante a minha viagem foi a quantidade de edifícios, casas e empresas com painéis solares instalados nos telhados. Faz todo o sentido que, num país com um clima privilegiado, como Portugal, especialmente na sua zona sul, se tire o máximo proveito da quantidade de radiação solar para a produção de energia. Mas Portugal, também tem uma grande capacidade de produção hidroelétrica e eólica, sendo um dos 5 países europeus onde a energia renovável supre mais de 50% das necessidades.

Analisando as causas do boom deste tipo de energias, considero que é o facto de termos um plano para reduzir as emissões de carbono até 2050, que levou a uma série de leis e facilidades justificando o boom na produção de energia limpa.

Uma boa fonte de informação sobre este tema, são os relatórios da Associação Portuguesa de Energias Renováveis, que analisam a evolução deste sector. Encontre abaixo, alguns dados interessantes, dos primeiros meses do ano, sobre renováveis ​​em Portugal:

  • De janeiro a abril, a produção de energia renovável correspondeu a 59,2% do mix de produção;
  • O preço médio de eletricidade foi de €54,3 / MWh
  • Por tipo de produção, a distribuição foi a seguinte:

Apesar disto, Portugal tem um saldo de importação de eletricidade com a Espanha no valor de 1951 GW. Por esta razão, o governo já declarou que sua intenção é permitir a produção de mais 1350 MW a centrais fotovoltaicas, a partir de junho deste ano e incentivar a implementação do autoconsumo em empresas e residências.

 

Investir em Portugal?

Chegamos quase ao final do artigo e quase ao capítulo aberto em que estou agora. Depois de analisar a situação do país e o considerar interessante é o momento de começar a analisar empresas específicas ou setores que podem ser interessantes para investir.

Podemos verificar que é pequeno o número de empresas portuguesas cotadas. A bolsa de valores portuguesa foi adquirida pela Euronext e conta, atualmente, com 56 empresas cotadas. É um universo de investimento muito pequeno, o que é um ponto a desfavor na nossa análise.

Como ponto de partida, para termos uma idéia, podemos consultar as carteiras ibéricas dos fundos de valor espanhóis para ver de quais as empresas portuguesas em valor.

Empresas Portuguesas em Portfólios de Fundos Value

Fundo

Empresas 

Cobas

Sonae, Sonae industrial, Sonae capital, Semapa, NOS, Mota Engil, Impresa

AzValor

Galp, Sonae Capital, Cofina, NOS, Ibersol, Impresa, Jeronimo Martins, Mota Engil

Horos

Sonae, Semapa, Ibersol, Corticeira Amorim

Magallanes        

     

  
Sonae, NOS, Ibersol, Corticeira Amorim, CTT, Semapa, F Ramadas

 

Como podemos ver, resumem-se a quase 10 as empresas que aparecem em quase todos os portfólios. Várias delas são holdings de investimento que estão investidas em diversos sectores e são controladas por famílias.

Se não é um daqueles que preferem a seleção individual de empresas e o que está procurando são fundos de índice ou ETFs que investem em Portugal, eu só encontrei isto:

Existem outros ETFs listados nos Estados Unidos que investem em empresas em Portugal, mas como não podemos trabalhar com eles, eu não os adiciono. De notar ainda que existem vários fundos para além dos, mais conhecidos, de valor que investem na categoria iberia com várias empresas portuguesas em portfólio.

 

Quanto custa investir em ações portuguesas?

Um dos pontos que devemos ter em consideração é o custo de investir em ações portuguesas. Antes de apresentar o custo explícito de investir, convém avisar que o mercado português não é o mais líquido do mundo e devemos ter em conta esse custo se quisermos entrar em acções menos conhecidas do país lusitano.

Vamos rever os intermediários que nos permitem operar com essas empresas e os seus custos.

Corretoras de Bolsa: principais comissões

Corretoras Logo Comissão Custódia Dividendos Manutenção de conta  Conta 
DEGIRO1 0,50€ + 0,04% Gratuito Gratuito Gratuito
XTB 0,12%, mínimo 4.99$ ou 4.99€ Gratuito Gratuito Isento4
Banco Best 7,9€*  5€/ trimestre 2,5 % Gratuito
BiG 6,95€* 6€/ trimestre Gratuito
Banco Carregosa 5€ (por ordem executada sem limite por ordem)  Não aplicável (apenas em alguns ADR’s que não pagam dividendos = 0.02 a 0.05/acção) Não aplicável Não aplicável
Invest BTrader 6,75€* Gratuito Gratuito Gratuito
DifBroker 0,20%, mínimo 12€* 4€ por mercado/ mensal

Min: 2,5€

Máx: 1%

Gratuito2
Golden Broker 0,5%, mínimo 12€
Orey 6€* Isento (Ações E fundos de investimento) 1,5% Isento3
  1. Degiro: Cobra uma comissão de conectividade anual com um custo máximo de 0,25% do valor total do portfólio ( com uma comissão máxima de 2,50 euros por ano e por bolsa, com excepção do Euronext Lisboa
  2. A comissão de manutenção de conta é de 36 € mais impostos, para contas sem movimentos e até mesmo abertas em DifBroker.
  3. Contas com 6 meses sem movimentação = 25€ / trimestre
  4. Contas com 1 ano sem movimentação = 10€ / mês

Tudo o que tem asterisco significa que a tarifa é geral na europa e que mudará se investir em Londres que geralmente será mais caro ou no próprio país que geralmente será mais barato.

 

Onde obter e compartilhar informações sobre ações portuguesas?

Em qualquer país, a principal fonte de informação é a área de investidores das empresas, onde pode ler os relatórios anuais, etc.

No entanto, o poder dos fóruns de investidores é muito importante para conhecer em primeira mão as informações sobre o país ou a empresa que, devido à distância geográfica não conseguimos alcançar. Um bom sítio para falar sobre as empresas portuguesas é o nosso portal Rankia.pt onde existem vários tópicos para falar sobre estas empresas e pode ter informação em primeira mão.

Conclusão

Deu frutos uma viagem de 5 dias ao nosso país vizinho!

O certo é que quando se gosta do mundo do investimento gosta-se destas viagens que se tornam muito emocionantes já que se extrai toda a informação possível de cada refeição ou passeio grátis.

Espero que tenham gostado do artigo!

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Sobre o autor

Cristina Costa

Rankia Portugal – Content Manager

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