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TeleTrade: Um Brasil com grandes desafios e a precisar de reformas

A recuperação da atividade económica no terceiro trimestre de 2021 é uma notícia bem-vinda para um Brasil que tenta reduzir os impactos de um ano trágico, uma vez que a atual pandemia continua a alastrar-se no país. Ainda é, no entanto, muito cedo para prever a natureza da recuperação económica ou até mesmo se irá continuar. Como noutros países, as perspetivas económicas dependerão essencialmente da trajetória da pandemia e da resposta dos governos às dificuldades que se forem surgindo.

A procura interna tem sido o grande impulsionador

A recuperação no 3º trimestre deveu-se principalmente a uma forte recuperação da procura interna. O consumo privado, que representa um pouco menos de dois terços da economia, cresceu 7,6% no terceiro trimestre — um contraste com os dois trimestres anteriores de contração. Embora os gastos dos consumidores tenham enfrentado a fraqueza do mercado de trabalho e o próprio receio das pessoas de contrair o vírus, o apoio fiscal às famílias vulneráveis ajudou a compensar estes problemas. O investimento do governo ajudou à recuperação enquanto o investimento empresarial dependerá muito da recuperação da procura dos consumidores na economia. As exportações continuam a ter um difícil desafio dada a queda do crescimento global tendo caído consecutivamente desde que começou a pandemia.

A fraqueza do mercado de trabalho continua à medida que o desemprego aumenta. A taxa de desemprego subiu para 14,6% em setembro e torna-se preocupante o aumento acentuado de pessoas que abandonam a força de trabalho – em setembro, foi 9,1% menor do que em dezembro do ano anterior. Esta baixa taxa de participação é uma preocupação para as perspetivas de despesas dos consumidores no curto prazo, mas também para o crescimento económico a médio prazo.

A produção está melhor do que os serviços, mas as incertezas para as empresas continuam

A produção tem sido melhor do que os serviços, tendo recuperado constantemente dos mínimos de abril — é agora superior à que era no final do ano passado. A confiança entre as empresas produtoras, tem registado um forte aumento do otimismo desde setembro (ao contrário das empresas de serviços). No entanto, a produção industrial global continua a ser ponderada pela volatilidade da extração mineral. Isso deve-se, muito provavelmente, à fraca procura global e aos preços dos minerais, como o petróleo e o gás e, em menor medida, ao minério de ferro. É pouco provável que isso mude num futuro próximo, dadas as incertezas económicas na economia global. Além disso, a análise da produção industrial por tipo de bens revela que os bens intermédios tiveram um desempenho bastante bom, enquanto a produção de bens de consumo – tanto duradouros como não duradouros – continua a enfrentar pressões da procura enfraquecida dos consumidores.

O apoio político de curto prazo só pode ir tão longe

A política monetária e fiscal tem estado bastante proactiva durante a pandemia. O governo forneceu apoio orçamental no valor de cerca de 12% do PIB, e o Banco Central do Brasil (BCB) juntou-se com 250 pontos base de cortes de taxas e apoio à liquidez da economia. No entanto, os aumentos das expectativas de inflação poderão por um travão num possível alargamento do programa do banco central

O desafio da política fiscal é também considerável. Apesar de alguma recente melhoria devido ao aumento das receitas à medida que a economia cresceu, o défice orçamental foi de 17,3% do PIB, muito pior do que o défice anual de 5,4% em 2019. O grande desafio é conseguir manter um crescimento sustentável superior aos juros que se paga pela atual dívida, uma vez que é precisamente isso que mantém o rácio da dívida pública com o PIB numa trajetória sustentável. 

O caminho para uma recuperação sustentada para o Brasil, portanto, não é apenas o apoio político continuado. A médio e longo prazo o crescimento reside nas reformas, nomeadamente no reforço da competitividade e da saúde fiscal. Não só isso assegurará, provavelmente, um aumento do crescimento potencial do PIB a longo prazo, como se espera que também retire o apoio adequado dos investidores, mantendo assim os custos dos empréstimos baixos.

 

Conteúdo produzido por Frederico Aragão Morais,  Market Analyst, da TeleTrade.

 

O material postado é apenas para fins informativos e confiança nele pode levar a perdas. Os resultados passados não são um indicador confiável de resultados futuros. Por favor, leia o nosso aviso legal na integra.

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