Bankinter: Mercado funciona bem, mesmo com uma macro frouxa. Modo rally. Tudo depende do USD

Esta semana temos poucas referências macroeconómicas e na memória uns indicadores americanos algo fracos, que foram publicados na passada 6ª feira, pelo que poderíamos pensar que o arranque será “frouxo”. Mas não será assim.

No pior dos casos, teremos uma semana de consolidação de níveis. Tudo depende do que faça o USD. Caso se atreva a ultrapassar a barreira psicológica de 1,21 (improvável), então as bolsas europeias poderiam parar por um momento. Caso contrário, teremos mais uma semana altista para o mercado acionista… e, como o BCE voltará a comprar (programa APP) após a pausa natalícia, as yields das obrigações soberanas da periferia europeia deverão continuar a cair, como já aconteceu na segunda metade da semana passada. Um dólar fraco faz com que o ouro se aprecie (1.320$), sem que isso nos leve a pensar que os investidores procuram refúgio. Trata-se de uma correlação inversa que funciona quase sempre.

O único ativo que não sobe é o dólar; o resto funciona francamente bem. Até mesmo quando os dados publicados não são bons, como ocorreu nos EUA na 6ª feira. O emprego criado foi inexplicavelmente fraco (148.000 vs 190.000 esperados, sendo que qualquer registo abaixo de 200.000 é pouco neste contexto), o Défice Comercial foi o mais elevado dos últimos 6 anos (-50.500M$) e o ISM Não Manufatureiro caiu inesperadamente (55,9 vs 57,6 esperado vs 57,4 anterior). Apenas as Factory Orders bateram as expetativas (+1,3% vs +1,1% esperado), no entanto as bolsas ignoraram as más notícias e continuaram a valorizar. Estamos em “modo rally”.

Com estes antecedentes, como é que nos poderíamos atrever a antecipar uma semana “frouxa”, por muito poucas referências que haja? O “modo rally” deverá manter-se vivo. Entre hoje e amanhã serão publicados uma série de dados que irão provavelmente reforçar ainda mais a perspetiva sobre o ciclo económico europeu. As Vendas a Retalho de hoje (10h) espera-se que tenham +2,4% vs +0,4% anterior e a Taxa de Desemprego de amanhã à mesma poderá ter caído uma décima para 8,7%. Isso deveria dar força ao euro, sendo este o principal risco desta semana. No entanto, caso a taxa de câmbio aguente abaixo de 1,21, no pasa nada. O mais provável é que as bolsas se deixem arrastar pela sua atual tendência altista e que os spreads das obrigações periféricas europeias continuem a estreitar face à Alemanha, perante a expetativa (ou realidade) do regresso das compras do BCE.

No entanto, embora o euro se tenha convertido num risco para as bolsas a curto prazo, a verdade é que, numa perspetiva de médio prazo, não devemos ter medo. O intervalo 1,20/1,25 é agora mais provável que 1,15/1,20, pelo menos enquanto a economia europeia apresentar uma notável tendência de aceleração. Quando o euro se aproximar de 1,25, é provável que as bolsas europeias parem de forma transitória. A economia europeia cresce acima de +2,5% e a inflação caiu para +1,4% na semana passada, pelo que as variáveis expansivas de um ciclo sólido com preços baixos acabarão por se impor… Demasiado bom para ser verdade? Talvez, mas parece que se vai cumprir

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Rankia

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