BiG: Outlook 3º Trimestre

Europa

  • O BCE salientou nas estimativas de Junho que o abrandamento na região acentuar-se-á até 2020, tanto por questões endógenas (redução do consumo) como exógenas (quebra das exportações).
  • O QE que termina no final deste ano e o início da trajectória da subida de taxas de juro (2019) indica que a normalização monetária pelo BCE será efectuada de forma suave, tendo em conta a ausência de pressões inflacionistas.
  • O perfil exportador das principais economias europeias é susceptível de maior debilidade no actual contexto de tensões comerciais, não obstante a recente fragilidade relativa do Euro.

EUA

A guerra comercial é, actualmente, mais travada através de palavras e menos por acções, e consequentemente os principais efeitos negativos desta são ao nível do sentimento. É importante relevar que, per si, uma guerra comercial não gera obrigatoriamente uma recessão – um estudo da Bloomberg Economics aponta para que uma guerra comercial tenha um impacto negativo no crescimento económico mundial (vs. cenário base) entre 0,5% e 1% até 2020, ceteris paribus.

Emergentes

  • A subida das taxas de juro nos EUA e fortalecimento do USD foi nefasto para a evolução dos flows e agregados macro da região.
  • Acreditamos numa suavização dos riscos sobre as economias emergentes no 2S18, traduzindo uma eventual reversão parcial do USD e do estágio macrocíclico benigno de alguns países da região.
  • Após uma desvalorização acentuada no Peso Argentino (40%) e os aumentos de taxas feito pelo banco central (de 27% para 40%), consideramos que o ponto mínimo foi atingindo. Identificamos uma oportunidade na yield a 10 anos da dívida soberana argentina denominada em EUR que está actualmente a 7,7%, a prémio vs. outros países emergentes como o Brasil (5,6%).

 

Podes acessar ao documento completo elaborado por Banco BiG no seguinte link

 

Mercado de dívida

  • A exposição a obrigações Inflation Linked nos EUA revela-se mais atractivo, tendo por base um eventual overshoot da inflação, num momento em que o mercado laboral revela-se historicamente apertado, o que poderá fomentar um pick-up mais acentuado do nível de salários. Por outro lado, o eventual agravamento das tensões comerciais poderá também exacerbar riscos inflacionários.
  • Identificamos valor na dívida Italiana, com as Obrigações Soberanas a extremar os episódios políticos no país. A curva Italiana está muito plana face a Espanha e Portugal (maturidades 5-30), sendo que o diferencial de taxas maturidade de 5 anos (sweet spot) é o mais significativo ao longo da curva –  acarretando menor risco de duration.

Mercado accionista

  • A subida das taxas de juro, principalmente nos EUA, e as crescentes tensões na esfera do comércio internacional representam os principais riscos que os mercados accionistas enfrentam. Por outro lado, as empresas norte-americanas e europeias reportaram, grosso modo, crescimentos de lucros e receitas, o que nos leva a crer que os fundamentais permanecem sólidos.
  • Numa abordagem fundamental, favorecemos os seguintes sectores: Industrial, Cuidados de Saúde e Consumo. Numa perspectiva de momentum sectorial, e não obstante o incremento de volatilidade, acreditamos que o actual bull market tem espaço para continuar durante o terceiro trimestre.

Forex

  • Apesar de os EUA estarem no epicentro das guerras comerciais, o USD é, entre as principais divisas mundiais, a que apresenta maiores catalisadores de apreciação – economia com um crescimento robusto e sustentado e Fed com postura mais hawkish a levar a cabo um duplo tightening (redução balanço e subida da taxa FED FUNDS) que poderá alargar, ainda mais, o diferencial de taxas de juro a favor do USD.
  • Havendo agora mais clareza no que diz respeito à política monetária dos principais bancos centrais, o câmbio EURUSD e GBPUSD aparentam ter voltado a seguir o diferencial de taxas de juro. Acreditamos que o USD poderá terminar o trimestre mais forte face a  EUR e GBP, ainda que o upside para USD seja limitado face aos níveis actuais.
  • Os estímulos altistas para o iene deverão advir, quase exclusivamente, do seu perfil de activo de refúgio e do incremento de volatilidade com o aproximar do fim do ciclo.

Commodities

  • A última reunião da OPEP e os seus 11 aliados marcou a mudança de paradigma: os cortes de produção vigentes, desde o fim de 2016, darão agora lugar a um aumento cauteloso de produção. Apesar das disrupções na oferta, acreditamos que o potencial de apreciação do crude é limitado.
  • Tendo sido explicitamente visado nas tensões comerciais entre EUA e China, o ouro não traduziu o seu perfil de refúgio. A subida do USD e das taxas de juro criam um ambiente menos favorável para o ouro, o qual poderá estar já descontado nos preços.

 

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BiG Research