BiG: Outlook para o 2º Trimestre

EUA

  • O mercado de taxas norte-americano incorporou, de forma algo extremada, os efeitos do crescimento sincronizado global – nomeadamente a crescente expectativa sobre um eventual pick-up da inflação – que motivou um repricing agressivo do mercado no que concerne o ritmo de subidas de taxa de juro pela Reserva Federal.
  • A administração Trump centrou as atenções na redução do défice comercial dos EUA, com o anúncio de tarifas sobre as importações de aço e alumínio. Esta situação poderá levar, no pior dos cenários, a uma guerra comercial global – penalizadora para os mercados, a economia global e os consumidores, emergindo o risco de um cenário de baixo crescimento acoplado de riscos inflacionistas prementes.
  • A fraqueza do USD, para além da perspectiva do maior endividamento federal norte-americano, acaba por ser agravado pelo actual contexto de tensões comerciais, o qual numa perspectiva histórica, bem como fundamental, deverá continuar a colocar sob pressão a evolução do dólar norte-americano.
  • O comedido ajustamento em alta das expectativas de inflação evidencia que uma parte significativa do incremento das yields das obrigações do tesouro norte-americano foi nominal, pelo que subsiste espaço adicional para condições de financiamento mais restritas. O eventual agravamento das tensões comerciais entre os EUA e a China poderá exacerbar riscos inflacionistas vigentes, trasladando para taxas de Breakeven acima dos níveis actuais.  

Podes acessar ao documento completo elaborado por Banco BiG no seguinte link

EUROPA

  • O nível de crescimento económico é o mais elevado de toda a década de 2010, suportado pela convergência da actividade entre os países da periferia e core. Mantém-se a ausência de pressões inflacionistas relevantes por motivos estruturais.
  • Em função da dinâmica favorável da actividade observada na Europa, acreditamos que o BCE será pressionado para encerrar o programa de QE até final do ano, sendo que Junho deverá coincidir com o importante anúncio do BCE neste sentido.
  • A um ano da consumação de Brexit, o Reino Unido e a União Europeia atingiram um patamar decisivo nas negociações, chegando a acordo para um período de transição com duração de 21 meses, e termos ainda desconhecidos, após a data de Brexit.
  • A recuperação da libra e a gradual normalização de política monetária por parte do Banco de Inglaterra têm ajudado a conter a inflação. Ainda que o investimento e o consumo continuem a revelar sinais de abrandamento, perante a recente retoma nos indicadores de actividade económica, a par do maior optimismo sentido em relação ao Brexit, acreditamos num potencial de apreciação modesto para a libra e para o mercado accionista britânico.

 

ECONOMIAS EMERGENTES

  • O actual contexto de fragilidade do USD motivou a apreciação generalizada das divisas emergentes em relação ao dólar, com excepção do Real Brasileiro. As tensões comerciais levantadas pelos EUA poderá gerar choques, ainda que a depreciação do USD tenderá a ser favorável para o momentum das economias emergentes.
  • Ainda que se verifique alguma dispersão, a leitura de inflação na generalidade dos países emergentes mantém-se contida, sobretudo se atendermos a uma perspectiva histórica.
  • As economias emergentes continuam a exibir níveis de dívida pública relativamente confortáveis em relação aos países desenvolvidos, o que lhes permite alguma flexibilidade orçamental. Países como o México e Rússia destacam-se nestas métricas de dívida e défice, sendo que no pólo oposto situa-se o Brasil.
  • As economias Asiáticas registam as taxas de crescimento mais elevadas, beneficiando do efeito positivo denominado China. Ainda assim, os desequilíbrios acumulados pela China e/ou o risco de um hard landing da 2ª maior economia mundial poderá ter um impacto estruturalmente adverso sobre as taxas de crescimento na região.

MERCADO DE DÍVIDA

  • O movimento de subida das taxas de juro, das diferentes maturidades ao longo da curva americana, foi substancialmente mais expressivo do que na Alemanha, alargando-se assim o respectivo diferencial de taxas de juro – o que no médio prazo deverá conter o espaço para valorizações adicionais do Euro.
  • A yield dos países Europeus da periferia ainda não reagiu significativamente à redução de estímulos pelo BCE. No bloco emergente, destacamos o valor relativo do México.
  • A deterioração do binómio risco-retorno do HY no quadro de subida das taxas de juro já começa a ser visível nos fluxos de venda de ETFs de high yield este ano. As yields de crédito HY não acompanharam a subida de taxa de juro nos EUA, como aconteceu com dívida investment grade. Enfatizam-se assim os riscos do segmento HY no médio prazo. O HY europeu é o segmento que vemos como menos atractivo não só devido à aproximação do ciclo de subidas de taxas de juro mas também devido ao diferencial que as yields actuais apresentam face ao histórico.

MERCADO ACCIONISTA

  • Os mercados tanto na Europa como nos EUA sofreram correcções moderadas no início deste ano, algo natural tendo em conta o movimento tectónico das taxas de juro sem risco nos EUA. A queda do preço das acções, em concomitância com o nível de resultados bastante saudável das empresas, levou a que o PER recuasse para níveis abaixo da mediana dos últimos 5 anos.
  • Em função do provável incremento de volatilidade, de avaliações progressivamente desafiantes e dos receios relativamente a uma guerra comercial, antecipamos valor na rotação de alguns sectores cíclicos para sectores defensivos menos expostos ao aumento de taxas de juro.
  • Posicionamento longo: sector de saúde, consumo e financeiro (especialmente indústria seguradora).
  • Venda: sector tecnológico e indústria automóvel

 

KEY THEME CALLS – Outlook 2T18 do BiG Research:

DÍVIDA

US Treasuries 2,80%-3,00%

GER Bunds: 0,6%-1%

ITA-GER Spread: ~100-150pb

POR-GER Spread: ~100-130pb

ESP-GER Spread: ~50-100pb

FR-GER Spread: ~20-50pb

ÍNDICES ACCIONISTAS 2018YE

S&P 500: 2.752/+4,1% (base case)

EuroStoxx 50: 3.788 /+10,9% (base case)

TOP CALLS GLOBAL

EUA: Small Caps

Europa: Periferia (Itália, Portugal, Espanha)

Reino Unido: Small Caps

Inflação: Hedge (US 10 Yr. TIPS)

Japão: Daiwa ETF – Topix Banks

Selecção de mercados emergentes: México

ACÇÕES EUROPEIAS

Sanofi (Farmacêutica)

Axa (Segurador)

Sector Saúde

Sector Segurador

MATÉRIAS-PRIMAS

Ouro

Sobre o autor

Rankia