BiG Research Outlook 2018: Activos e mercados financeiros

Economia global

– A economia mundial deverá crescer 3,7% em 2018, traduzindo um dos níveis mais elevados de crescimento anualizado na década vigente.

– O nível de sincronização do crescimento económico é muito robusto, sendo expectável uma dupla aceleração entre o crescimento das economias emergentes (4,85%) e desenvolvidas (2,03%).

– A inflação deverá manter-se contida em função de alterações estruturais no mercado de trabalho, os quais decorrem de factores diversos como a quebra da produtividade do Capital Humano, a emergência da Tecnologia/Automação, menor poder negocial dos trabalhadores no contexto da globalização e o elevado nível de endividamento (público e privado).

– O nosso cenário-base @70% aponta para um pick-up moderado do nível de preços, ainda que existam riscos de potencial overshoot da inflação em regiões específicas (EUA e China), ainda que não atribuímos uma probabilidade superior a 20% para tal evento ocorrer.

EUA

– A economia encontra-se já num dos mais longos períodos de expansão desde o pós-guerra. O inédito plano de expansão fiscal de Trump num estágio tardio do ciclo deverá continuar a favorecer o desempenho da economia americana

O actual nível de spread da dívida americana 10/2 (apesar de estreito ~50 pb) poderá indiciar que a próxima recessão nos EUA não se materializará nos próximos 2 anos. Apesar da subida agressiva das taxas de juro de curto prazo, a yield das Treasuries a 10 anos manteve-se pouco alterada em 2017. A procura sobre as Treasuries continua elevada, seja pela distorção de preços via QE (taxas de juro na Europa e Japão próximas de zero), seja numa lógica de hedge para riscos de recessão/instabilidade de mercado.

 – Outros indicadores avançados (Leading Index) e o nível de capacidade utilizada indiciam que a economia americana ainda ostenta alguma folga para aceleração do crescimento, sem que o mesmo treslade para um pick-up agressivo do nível de preços.

EUROPA

– O nível de crescimento económico é o mais elevado de toda a década de 2010, suportado pela convergência da actividade entre os países da Periferia e Core. Tal como noutras regiões, este nível de crescimento não tem acarretado pressões inflacionistas relevantes pelos motivos estruturais que referimos anteriormente.

– Mantendo-se uma dinâmica tão favorável da actividade na Europa, acreditamos que o BCE será pressionado para encerrar o programa de QE até final do ano. Nesse contexto, o nosso cenário base passa pela extensão do QE por 3 meses no último trimestre do ano e uma redução do programa de compra de activos de EUR 30 mil mn para EUR 15 mil mn – o que permitiria o BCE encerrar o programa de compra de activos precisamente em Dezembro de 2018.

– Não descartamos, sobretudo no último trimestre do ano, uma eventual subida da depo rate, o que teria implicações positivas ao nível da rendibilidade do sector financeiro e, noutro âmbito, poderá promover um pick-up mais acentuado das taxas de juro de curto prazo da dívida alemã (bear flattening).

Japão

– Sinais positivos do Japão atraem atenção, traduzindo-se na melhoria de indicadores como o saldo da Conta Corrente que fixou máximos relativos, bem como pelo facto de se assistir a um crescimento gradual dos salários anualizados (leituras mensais).

– A melhoria do contexto macro nipónico e o unwind das políticas de QE (EUA e Europa) deverá pressionar o Banco de Japão a rever a política monetária pouco ortodoxa, nomeadamente o objectivo de manutenção da yield a 10 anos nos 0%. Financial Sector no Japão e Iene deverão reagir em alta a esta possibilidade.

CHINA

– A inflação continua a ser o indicador chave no caso da China. Por muito endividamento ou shadow banking que o país tenha abarcado nos últimos anos, devido à centralização da sua economia, a inflação parece ser a variável que representa mais risco para o país. A inflação manteve-se contida em 2017 e, em função da subida das taxas de juro nos mercados obrigacionistas, espera-se que permaneça baixa durante 2018.

– Um soft landing bastante prolongado continua a ser o cenário base para a economia chinesa, sendo que o reforço do poder de Xi Jinping é um factor que pode motivar reformas mais aprofundadas.

Projecção para as classes de activos em 2018

DÍVIDA

  • US Treasuries 2,50%-2,80%
  • GER Bunds: 0,6%-1%
  • POR-GER Spread:~100-150pb
  • ITA-GER Spread:~100-150pb
  • ESP-GER Spread:~50-100pb
  • FR-GER Spread:~20-50pb

ÍNDICES ACCIONISTAS

  • S&P 500: 2.752/+2% (@ prob. 90%)
  • Euro Stoxx 50: 3.788 /+5% (@ prob. 90%

TOP CALLS GLOBAIS

  • EUA: acções de baixa capitalização bolsista
  • Inflação: Hedge (US 10 Yr. TIPS)
  • Japão: WisdomTree Japan Hedged Financials Fund
  • M&A: IQ Merger Arbitrage ETF
  • Mercados emergentes: Arábia Saudita e México

ACÇÕES EUROPEIAS

  • Kering (Luxo)
  • SAP (Tecnologia)
  • Merck KGaA (Farmacêutica)
  • Axa (Segurador)
  • Basf (Industrial)

Sobre o autor

BiG Research

    Melhores corretoras de Bolsa em Portugal

    Melhores corretoras de Bolsa em Portugal

    Estas são as comissões que nos cobraram em 2017 as principais corretoras de bolsa do mercado português.  A melhor corretora para um investidor não tem que ser a melhor “broker” para outro. O...