BiG Research: Outlook para o 4º trimestre de 2019

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Enquadramento macroeconómico

  • O provável entendimento comercial entre EUA-China e a recente política expansionista dos bancos centrais parece estar a melhorar as perspetivas do mercado comparativamente ao recente período de desaceleração económica.
  • No entanto, se a recente tendência de quebra na produção industrial mundial se mantiver assim como a incerteza político-económica, uma recuperação robusta do crescimento económico será difícil.

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EUA

o    O recente corte de 0,25% nas taxas de juro por parte da Reserva Federal Americana reflete previsões ainda robustas do crescimento dos EUA e inflação.

o    No entanto, a confiança das empresas para investir está a diminuir como resultado das tensões comerciais.

o    Grandes empresas ameaçam a transferência dos encargos sobre as importações para o consumidor ao mesmo que ponderam deslocar a produção na China para outras economias emergentes.

o    Esperamos um acordo de médio prazo entre os dois países (e consequentemente o adiamento das tarifas previstas para Outubro e Dezembro) tendo, no entanto, em conta a fragilidade deste acordo.

o    A inflação (EUA) não está a crescer de forma significante, pois as injeções de liquidez da Reserva Federal não se estão a traduzir num aumento significativo do crédito para a economia. A liquidez está nas reservas excedentárias e em ativos financeiros e por isso não chega à economia real.

o    Não é observável uma bolha no crédito a consumidores, como o que antecedeu a crise de 2008.

o    Os recentes níveis extremamente baixos das taxas de juro, têm levado aos maiores valores de endividamento empresarial de sempre e a um crescimento na dívida de rating BBB que já representa metade da dívida investment grade.

o    Existe uma possível subestimação de risco relativo ao crédito concedido a empresas, sobre forma de instrumentos como os CLO, pois as baixas taxas de incumprimento podem aumentar significativamente durante uma recessão económica.

Europa

o    A economia europeia voltou a abrandar no segundo trimestre de 2019, representado na desaceleração do investimento e quebra da balança comercial, que levou a uma revisão para baixo das projeções económicas do BCE e consequentes estímulos monetários.

o    A economia alemã sofreu uma contração no segundo trimestre, sobretudo com a quebra das exportações (evidente no setor automóvel) como resultado do aumento das tensões comerciais que afetaram fortemente a produção industrial. Esperamos então que o Governo recorra a uma política orçamental expansionista num futuro próximo.

o    O Banco Central Europeuantecipa níveis de inflação a rondar os 1,2% este ano, em parte devido à queda do preço do petróleo e gás natural.

o    No terceiro trimestre, 50% da dívida soberana e corporativa de Investment Grade negociava com yields negativas, como resultado dos extensos programas de compra de ativos. Cria assim, riscos substanciais em caso de crise económica.

o    Toda a incerteza envolvendo o Brexit tem afetado a economia britânica e tem aumentado a instabilidade política do país. Esta reflecte-se sob a forma de uma quebra no investimento consequente da perda de confiança empresarial. Assistimos também à crescente probabilidade de eleições.

o    O mercado laboral britânico continua forte com níveis de emprego históricos, mas uma estabilização do mesmo é esperada, com a recente desacelaração do crescimento salarial, que deverá equilibrar a pressão inflacionista da depreciação da Libra, mantendo a inflação no objetivo do Banco de Inglaterra.

Emergentes

o    A China tem vindo a estimular a economia de modo a tentar equilibrar o crescimento à volta dos 6%, através de cortes nas taxas de reservas dos bancos e relaxamento das restrições à emissão de obrigações por parte dos governos locais.

o    A China tem vindo a permitir uma desvalorização da sua moeda, de modo a proteger a balança comercial, visto que as exportações contribuem significativamente para o PIB.

o    O resultado das eleições primárias argentinas, marcam o provável retorno do partido peronista ao Governo. Esta situação tem impactado negativamente o mercado accionista argentino, a moeda so país, valor das obrigações e perspetivas macroeconómicas.

Matérias-primas

o    É de esperar que a tendência de excesso de oferta de Crude se mantenha, com a procura mundial a crescer a níveis historicamente baixos e a oferta dos EUA a continuar a crescer a níveis elevados.

o    Esperamos um regresso rápido da oferta do crude aos níveis que antecederam o ataque à fábrica na Arábia Saudita.

o    A procura por ouro aumentou este trimestre e de acordo com a nossa visão continuará, à medida que o aumenta o volume de obrigações a negociar com yields negativas.

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    BiG Research