BiG: Análise Semanal de Mercado (06/03/2018)

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EURUSD: Regresso do populismo em Itália, taxas alfandegárias e emprego nos EUA marcam semana de indefinição

  • Até ao momento, as eleições italianas resultaram no pior dos cenários-base. Apesar do provável parlamento suspenso, a incontestavelmente forte ascensão dos partidos populistas/eurocépticos (Movimento 5 Estrelas e Lega Nord), que juntos quase totalizam 50% é um factor bastante negativo. As situações de instabilidade política em Itália são recorrentes, contudo parece-nos que os mercados estão a subestimar o que um possível governo com participação eurocéptica na terceira maior economia (e a mais atrasada na recuperação económica) representam para o futuro da integração europeia.
  • Apesar dos esforços de Paul Ryan e Gary Cohn para apaziguar a situação, os receios de possíveis guerras no comércio internacional, despoletados pelas taxas alfandegárias de Trump sobre aço e alumínio apresentadas na última semana, aparentam ser um tema que pairará sobre os mercados durante os próximos tempos, gerando volatilidade que poderá contribuir para a valorização dos activos de refúgio.
  • Referência técnica: O sentimento de risk-on vivido esta manhã levou o EURUSD a quebrar uma importante resistência, estando os próximos níveis de referência para subidas marcados no gráfico. Alertamos, contudo, para a divulgação dos US Non –Farm Payrolls na sexta-feira como factor de risco.

USDJPY: Discursos de Kuroda, panorama macroeconómico e sentimento de mercado pesam no teste a suporte de 2016

  • Na passada semana, o governador do Banco do Japão (BoJ), Haruhiko Kuroda, em preparação para um segundo mandato de cinco anos, exteriorizou de forma muito clara que Abril de 2019 seria o momento para estudar a remoção dos estímulos monetários, antecipando que, por essa
    altura, o objectivo de inflação (2%) fosse atingido. Ontem, perante o parlamento, o discurso revestiu-se de um tom mais dovish, afirmando que não seria possível cortar estímulos antes do objectivo de inflação ser alcançado e que estaria disposto a fazer tudo o que fosse necessário para o
    concretizar.
  • A recente sequência de crescimento no Japão (oito trimestres consecutivos) é já a mais longa desde 1989, o mercado parece ter abandonado alguma da sua extrema complacência e estes constituem dois factores que têm suportado a valorização do JPY. Porém, esta apreciação poderá limitar o crescimento, tornando as exportações menos atractivas e reduzindo a pressão inflacionista das importações, prolongando a necessidade de estímulos.
  • Referência técnica: À conjuntura japonesa acresce o sentimento de risk-on e uma preenchida agenda macroeconómica. O suporte nos 105,4 – 104,4 é um verdadeiro teste à fraqueza do USD. O respeito por este nível poderá levar o par a quebrar em alta o canal ascendente e ressaltar para os 107,5.

NZDUSD: Nova desvalorização do dólar beneficia o par

  • O dólar continua bastante pressionado, sendo que as declarações de Trump à cerca do acordo com a NAFTA e as possíveis tarifas na importação de aço e alumínio prejudicam os negócios internacionais e consequentemente o dólar.
  • No longo-prazo o par segue numa tendência ascendente, no médio-prazo encontra-se lateral e no curto-prazo está numa tendência positiva, pelo que é expectável que continue na mesma direcção, sendo que apresenta alguma dependência do comportamento do dólar.
  • Referência técnica: O par confirmou um duplo fundo que coincidiu com um suporte relevante. Aliando este padrão a uma tendência altista e ao espaço que existe para o par recuperar das correcções das últimas semamas, este trade apresenta um rácio risco/retorno apelativo com um possível objectivo conservador nos $0,7400 e possível objectivo agressivo nos $0,7507, após quebrar a resistência assinalada a vermelho.ç

EuroStoxx 50: Índice pan-europeu reage positivamente ao contactar com zona-chave de suporte

  • O índice EuroSTOXX 50, que agrega as 50 maiores empresas em capitalização bolsista de 11 países europeus, negoceia 8% abaixo dos máximos registados no final de Janeiro. Os dois países com mais peso neste índice pan-europeu são a França e a Alemanha e, em termos de composição, os sectores mais relevantes são a banca e a indústria.
  • As medidas proteccionistas anunciadas por Trump penalizam as empresas exportadoras. Porém, Paul Ryan, da Câmara de Representantes, avisou que o Congresso pode votar contra estas medidas, que abrem uma guerra comercial. Recorde-se que, depois de Bush ter lançado um imposto sobre o aço importado em 2002, a Organização Mundial do Comércio aplicou uma multa de $2 mil milhões aos EUA, a maior multa de sempre.
  • Referência técnica: Um potencial duplo fundo, a par do suporte-chave em torno dos 3280 pontos, motivam-nos a preferir um posicionamento comprador. O cruzamento no estocástico lento suportam esta preferência. O Euro Stoxx 50 poderá revisitar a média móvel simples de 200 dias, que é uma referência de longo prazo.
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