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Uma das questões que surge mais frequentemente associada aos investimentos é o medo do risco, o que se traduz na habitual frase “quero ganhar muito dinheiro, sem o risco de o perder”. Se pensas desta forma, prepara-te para sentir a desilusão já que o potencial de ganho é diretamente proporcional ao potencial de perda e é mesmo assim que as coisas funcionam.

Se te sentes com a mentalidade certa para ter ganhos acima do normal com os teus investimentos, prepara o teu estômago também para ter perdas acima do normal. Se não te sentes confortável com isto, então não avances com o investimento.

Uma das estratégias mais habituais e eficazes para minimizar o risco de uma carteira de investimentos é a diversificação, o que significa que em todo o momento o teu portfolio inclui uma combinação de diferentes ativos (ações, obrigações, PPR's, etc.) que irão passar individualmente pelas suas próprias subidas e descidas de valor mas que se equilibram uns aos outros já que é muito pouco frequente uma subida ou descida de todos os tipos de produtos ao mesmo tempo. É verdade que com esta estratégia de diversificação podes estar a perder o crescimento do mercado de ações, por exemplo, enquanto este atravessa uma valorização brutal, mas pensa que é a mesma diversificação que te vai proteger de uma desvalorização brutal do mesmo mercado quanto este acontecer (e vai acontecer algum dia)!

Até agora já descobriste alguns pontos importantes, nomeadamente:

  • a importância de perceber o teu nível de risco
  • a mentalização de “se há probabilidade de ganho, há probabilidade de perda”
  • a relevância de uma carteira diversificada

Conheceres a tua tolerância ao risco é um passo fundamental assim que começas a investir, já que isto irá guiar o teu processo e servir de orientação sempre que começa um novo mês e estás a colocar os teus 20% na poupança ou investimento. Há inúmeras formas, fórmulas e sugestões para o cálculo deste risco além, claro, da tua própria intuição que, habitualmente, está errada já que é comum ser demasiado conservadora ou demasiado aventureira.

Sendo assim, vou deixar aqui a estratégia que eu uso no meu próprio portfolio por me parecer lógica e possível de ser adoptada por todos.

Se já leste outros artigos, sabes que o processo da independência financeira é um projeto de longo prazo, ou seja, ires persistentemente e frequentemente alimentando os teus investimentos para que eles comecem a trabalhar e gerar dinheiro para ti. Tal como li há uns dias no livro “The Ten Times Rule” do Grant Cardone ,vê o teu projeto (seja ele qual for) como uma fogueira e ele diz qualquer coisa como:

“Alimenta a tua fogueira frequentemente e com tanta lenha quanto possível para que seja impossível extinguir o fogo.”

Com este longo prazo em mente, e sabendo que deves ter os investimentos mais arriscados durante tempo suficiente para ficares “imune” às variações do curto prazo, isto significa que o risco da tua carteira deve ser adaptado ao tempo que tens disponível, ou seja, o risco do teu portfolio deve diminuir à medida que a tua idade avança. Faz sentido?

De acordo com o Pordata , a esperança média de vida em Portugal ronda, neste momento os 81 anos, número este bastante alinhado com a média europeia (fonte: https://www.pordata.pt/DB/Europa/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5813697).

A este dado vamos juntar o Synthetic Risk Reward Indicator (SRRI), um indicador que surge habitualmente nas informações dos nossos investimentos e que classifica os mesmos de acordo com o seu risco, e consecutivamente, o seu ganho potencial. Para os investimentos que não mencionarem especificamente o nível de risco, será possível obter ou calcular a volatilidade do mesmo facilmente e enquadrá-lo nesta tabela:

volatilidade

Assim, com estes dois indicadores (esperança média de vida e SRRI) em mente, criei a seguinte fórmula para calcular o nível de risco adequado ao teu portfólio em qualquer altura:

fórmula

Para ser mais simples e intuitivo, vou-te mostrar em gráfico o comportamento da fórmula, para veres a evolução do nível de risco ao longo da vida de alguém nascido em 1985.

Nível Risco

O que isto mostra é que o risco diminui de uma forma constante ao longo do tempo, indo desde o nível máximo ao início em que és jovem e adolescente, em princípio sem grandes compromissos, passando depois pelo nível “intermédio” de 4 por volta dos 35 anos, altura em que tendencialmente já terás a tua vida muito orientada profissionalmente e pessoalmente, continuando a reduzir até ao nível 1, atingido perto dos 70 anos onde pretendes ter descanso e poucas preocupações com os teus investimentos. Percebes a lógica desta fórmula? Em qualquer altura da tua vida apenas tens de fazer a conta e terás um indicador fiável e lógico de quanto risco deves correr.
Agora, quer isto dizer que se tens 35 anos e estás no nível 4 não podes ter investimentos de nível 7 (ações, por exemplo)? Claro que não!

Este nível de risco é o associado à tua carteira total de investimentos, ou seja, a média do nível de risco deve estar enquadrada com o resultado que obténs desta fórmula. Assim, se estás no nível 4 mas tens 50% do teu portfolio em ações (tendencialmente, nível 7), deves ter os outros 50% da tua carteira em produtos muito seguros, de nível 1, para que se equilibrem um ao outro.

Ter o nosso nível de risco bem definido é essencial para o sucesso dos nossos investimentos e estará diretamente ligado ao resultado dos mesmos.

Existem, obviamente, outras fórmulas diferentes de cálculo e ainda a própria intuição do investidor mas esta é, para mim, a forma que faz sentido e que tenho aplicado. No fundo, só tu saberás a tua própria tolerância ao risco :).

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