É provável que o “Rally de Natal” seja real

Os investidores esperam uma valorização das ações no período que antecede o Natal. Neste artigo vamos fazer uma retrospetiva de três décadas, com dados que explicam o porquê desta expressão.

Os mercados subiram 79% nos últimos dez anos, dando alguma substância ao mito do “Rally de Natal”, segundo nos diz a pesquisa da Schroders.

O “Rally de Natal” é provocado pelo suposto efeito de bem-estar de Natal, que ajuda aos mercados a subir no final do ano, embora os investidores mais experientes continuem a não estar convencidos.

Não é sensato tirar conclusões a partir da história do mercado de ações, mas no âmbito da época festiva, a festiva, a Schroders analisa os dados de cada ano.

No ano passado, o rali de natal verificou-se na Grã-Bretanha: o FTSE 100 subiu 4,9%O S&P 500 subiu apenas 1,0% e o índice MSCI World subiu 1,3%. Apenas o Eurostoxx 50, um índice com cotações das maiores empresas da Europa, caiu 1,8% nos índices que analisados.

Mas isso foi apenas um ano. A análise de longo prazo reflete um padrão.  A nossa investigação descobriu que os mercados acionistas globais, medidos pelo índice MSCI World, aumentaram 79% desde dezembro 1987, o que faz deste o melhor mês do ano para ações na média dos últimos 32 anos.

Abril foi o melhor mês nos mercados, subindo 74,3%, seguido de outubro, com 68,6%. Porsua vez, Junho foi o pior mês, com os mercados a valorizarem cerca de um terço (36,7%).

Qual foi o mês que registou os maiores ganhos?

Não se trata apenas da frequência de aumentos em dezembro, mas também do tamanho dos ganhos. Os mercados acionistas mundiais subiram em média 2,1% em dezembro, desde 1987. É o maior ganho médio de qualquer mês. Agosto foi o pior mês, com os índices a cair em média 1%.

Para sublinhar esta situação, a Schroders analisou o desempenho de quatro índices bolsistas: FTSE 100, S&P 500, MSCI World e Eurostoxx 50 entre 31 de dezembro de 1986 e 31 de outubro de 2018. O gráfico abaixo combina os dados dos principais índices de ações para mostrar a frequência com que eles aumentaram em cada mês desde 1987.

A frequência de valorização das bolsas por mês desde 1987

Fonte: Schroders. Thomson Reuters para FTSE 100, S & P 500, MSCI World e Eurostoxx 50 entre 31 de dezembro de 1986 e 31 de outubro de 2018. Representa uma média dos quatro índices.

Este material não se destina a fornecer conselhos de qualquer tipo. Acredita-se que as informações aqui contidas são de confiança, mas a Schroders não garante a sua integridade ou precisão. O desempenho passado não é um guia para retornos futuros e pode não se repetir.

Os investidores devem observar os dados do mês de outubro. Parece sublinhar o ponto da imprevisibilidade dos mercados.

Outubro tem a terceira maior frequência de ganhos e o terceiro maior aumento médio em conjunto. No entanto, historicamente é também o mês que regista algumas das maiores quedas do mercado de ações.

Outubro de 1987: Black Monday – segunda-feira negra

No dia19 de outubro de 1987, os mercados caíram devido a uma desaceleração da economia global e a altas valorizações das ações. As preocupações foram agravadas por uma falha no computador. Em outubro daquele ano, as ações caíram em média 23%.

Outubro de 1997: crise financeira asiática

A crise financeira asiática começou no verão de 1997. Uma sequência de desvalorizações cambiais na Ásia abalou a confiança global. As ações caíram 6,6% em outubro daquele ano.

Outubro de 2008: crise financeira global

As sementes da crise financeira global foram semeadas quando o mercado imobiliário dos EUA começou a desmoronar em 2007. A extensão do problema só foi conhecida quando o banco de investimento Lehman Brothers entrou em colapso em setembro de 2008. O sistema financeiro global colapsou e um mês depois as ações caiam mais de 15%.

Outubro de 2018: guerras comerciais e taxas crescentes

Os investidores preocuparam-se com questões como as tensões comerciais entre os EUA e a China, a incerteza política na Europa e a retirada de programas de estímulo como o quantitive easing. As ações caíram 7,4% em outubro. Foi o pior desempenho mensal das ações em todo o mundo em seis anos e foi o décimo pior da última década.

O gráfico abaixo combina, novamente, dados dos principais índices de ações acima mencionados, para mostrar os ganhos médios por mês das ações nos últimos 32 anos.

Média dos ganhos do mercado por mês desde 1987

Fonte: Schroders. Thomson Reuters para FTSE 100, S & P 500, MSCI World e Eurostoxx 50, entre 31 de dezembro de 1986 e 31 de outubro de 2018. Representa uma média dos quatro índices.

Este material não se destina a fornecer conselhos de qualquer tipo. Acredita-se que as informações aqui contidas são de confiança, mas a Schroders não garante a sua integridade ou precisão. O desempenho passado não é um guia para retornos futuros e pode não se repetir.

Porque é que os mercados de ações tiveram um desempenho melhor em dezembro?

Há muita especulação sobre as razões do “efeito de dezembro”. Esta teoria é baseada em psicologia do investidor. Há, talvez, mais boa vontade nos mercados devido ao período de festas que coloca os investidores num clima positivo, o que leva a mais compras do que vendas.

Outra visão é a de que os gestores de fundos, que respondem por uma parte substancial da participação acionista, estão a reequilibrar as carteiras antes do final do ano.

O perigo das superstições

Claire Walsh, Personal Finance Director da Schroders, disse: “A história do mercado de ações pode ser fascinante. Muitas vezes, e de forma instintiva, os investidores procuram padrões que possam dar uma pista para o futuro. Isso geralmente leva a suposições,  razão pela qual se diz que os outubros são maus e que se deve vender em maio, porque os meses de verão são maus.

“É claro que as superstições do mercado de ações só são verdadeiras até que deixam de o ser. Aqueles que desejam apostar na boa vontade do Pai Natal, fazem-no por sua conta e risco. Apesar disso ter gerado proveitos no passado, não quer dizer que isso volte a acontecer.

De facto, tentar prever o tempo dos mercados é uma estratégia questionável, pois é impossível antecipar movimentos de curto prazo no mercado“.

O gráfico abaixo demonstra as vantagens de se adotar uma abordagem de longo prazo. Embora tenham havido muitos altos e baixos, o índice S&P 500 demonstra um aumento médio de 7,8% ao ano, desde o início de 1987. O pior aumento médio anual dos índices analisados ​​foi o Eurostoxx 50, a 4,0% ao ano. O valor do índice MSCI World foi de 5,6%.

Os ganhos são muito mais impressionantes se os rendimentos pagos aos investidores forem reinvestidos. Nesse caso, os retornos anuais do MSCI World sobem para 8,0%. (estamos a falar de dividendos)

O retorno do FTSE 100 aumenta de 4,6% para 8,6% ao ano, se incluirmos o reinvestimento dos dividendos. Um investidor do Reino Unido que tivesse investido um valor nominal de £ 1.000 no FTSE 100 no dia 31 de dezembro de 1986 e não tivesse alterado o investimento durante 32 anos teria, teoricamente, £ 14.154, não incluindo os efeitos da inflação ou encargos.

Taxas de crescimento anualizadas das bolsas: 1987-2017

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Rankia