Portugueses subestimam custo de vida na reforma

Schroders Global Investor Study 2018

20 de julho de 2018

As pessoas que se aproximam do fim da profissional, a nível global, esperam gastar em média 34% do seu rendimento de reforma em despesas base(1), quando na realidade, e de acordo com os atuais reformados, são necessários em média cerca de 50%. Esta discrepância entre as expectativas de quemestá perto da reforma e a realidade de quem já está aposentado é uma das principais conclusões do Schroders Global Invest Study 2018(2).

Entre os portugueses envolvidos neste estudo, a discrepância é semelhante, já que a sua expectativa é, em média, de que 28% do montante da sua reforça seja suficiente para cobrir as despesas quotidianas, um valor significativamente abaixo do revelado pelos já reformados, que dizem precisar, em média, de 45% para lhes fazer face.

Em global e na Europa, os reformados contam com um rendimento anual inferior do que aquele que as pessoas ainda no ativo pensam que vão necessitar para viver confortavelmente durante a reforma, com a diferença a ser mais evidente na Ásia. Portugal é uma exceção, já que os reformados dispõem, em média, de 26% mais do que preveem os ativos com mais de 55 anos quando considerada a percentagem do seu salário atual.

O estudo – que inquiriu mais de 22 mil investidores de 30 países – conclui que para 15% dos reformados a nível global o valor da reforma não é suficiente para viverem confortavelmente. Em Portugal, há um pouco mais a partilhar esta opinião: 18%.

Menos de metade (43%) dos inquiridos reformados admite que um pouco mais de rendimento seria bem-vindo, uma percentagem que é de 59% em Portugal – o país onde este número é mais elevado em toda a Europa.

Enquanto globalmente, uma média de 42% afirma ter rendimento de reforma suficiente para viver de forma confortável, apenas 22% dos portugueses considera que o valor da reforma lhes permite esta vida confortável.

Portugueses com baixas expectativas

A nível global, os investidores que se aproximam do fim da vida profissional (55 anos ou mais) poderão ser apanhados desprevenidos pelo valor de reforma de que vão usufruir face às suas atuais expectativas, uma vez que preveem necessitar em média de 74% do seu atual salário/rendimento atual para viver confortavelmente durante a reforma.

Portugal é uma exceção, com as pessoas acima dos 55 anos a revelarem expectativas notoriamente mais baixas face ao montante pós-reforma de que precisarão para viver confortavelmente. Esta discrepância existe, mesmo quando comparamos a expectativa portuguesa com a Europeia (72%), já que os portugueses preveem necessitar de apenas 46% do seu rendimento anual.

Na realidade, os reformados estão a receber globalmente, em média, 61% do seu último salário anual.

O valor é um pouco menor na Ásia, onde os reformados recebem 59%. Aqui o contraste entre realidade e expectativas é maior, já que os asiáticos próximos da idade da reforma estimam vir a precisar de 76% do seu atual rendimento.

O diferencial é menor para os investidores europeus, com os reformados a receber 63% do seu último salário e os que se encontram mais próximos do fim da vida profissional a afirmar que preveem necessitar de 72%.

Os portugueses estão acima da média europeia no que diz respeito ao montante da reforma disponível, recebendo em média 72% do seu último salário. Isto significa que o rendimento na reforma, enquanto percentagem do último salário, é relativamente maior face a outros países, mas que as expectativas dos que ainda não estão reformados relativamente ao montante de que vão precisar para viver confortavelmente durante a reforma são comparativamente baixas (46% em média, comparativamente a 72% na Europa e 74% globalmente).

Observando os reformados a nível global, um indicador parece revelar que o rendimento de que dispõem pode não ser suficientemente elástico: é que, mesmo depois da reforma, estas pessoas continuam a investir significativamente, alocando 19% das suas poupanças totais(3) ao investimento. Os números na Europa são similares (18%), embora entre os portugueses a percentagem baixe, com apenas 11% das poupanças orientadas para o investimento.

Em contraste, a nível global, aqueles que ainda não estão reformados preveem investir 9% das suas poupanças durante a reforma. No que toca aos Europeus, a percentagem de investimento prevista é de 8%, o mesmo que estão a antecipar os portugueses.

Quanto à disparidade entre perceções e realidades sobre as despesas quotidianas, ela é mais pronunciada na América, onde, em média, os inquiridos ainda no ativo esperam gastar 32% do seu rendimento anual em despesas correntes após a reforma. No entanto, o custo de vida das pessoas já reformadas indica que estas despesas se elevam aos 53%.

Como previamente referido, os portugueses partilham desta perspetiva irrealista: em média, os que ainda se encontram na vida ativa esperam gastar 28% do seu rendimento nestas despesas quotidianas após a reforma, mas sabemos que elas representam 45% do rendimento dos já reformados.

Viagens e Cuidados de Saúde (para os próprios e as suas famílias) são as duas áreas seguintes mais representativas em que os portugueses preveem gastar o seu rendimento: os que estão ainda no ativo assumem que, em média, 30% do total dos seus rendimentos anuais se vão dirigir a estas duas vertentes (15% a cada), o que representa um pouco mais do que os 25% que gastam nelas os já reformados (12% para viagens e 13% para saúde).

Os investidores asiáticos têm as expectativas mais realistas sobre o quanto irão despender com custos de vida base, antecipando que estes irão representar 32% dos seus rendimentos na reforma. Na realidade, esta percentagem está próxima dos 38% referidos em média pelos reformados asiáticos.

De acordo com Carla Bergareche, Diretora-geral da Schroders Portugal e Espanha:

Existe o risco real das pessoas estarem, globalmente, a subestimar a proporção do rendimento de reforma que necessitarão de alocar às despesas essenciais do dia-a-dia e o montante de que precisam para viver confortavelmente a sua reforma, em particular no atual contexto de baixo retorno e crescimento da inflação.

Uma parte significativa dos portugueses está a assumir que, na reforma, vai necessitar de apenas uma pequena parte do seu salário atual, mas não haverá soluções mágicas, mesmo que as suas expectativas sejam baixas. Para evitar circunstâncias mais complicadas durante a reforma, precisam de reconhecer que é preciso começar a poupar tanto quanto possível e o mais cedo possível. Deixar estas poupanças para quando tiverem 50 ou 60 anos será demasiado tarde para colmatar o diferencial que têm nas suas poupanças.

Como indica o estudo, talvez porque não tenham poupado o suficiente durante a vida ativa, as pessoas continuam a investir após a reforma. E mesmo nos países nos quais a percentagem de investimento na reforma é mais baixa do que a média, como é o caso de Portugal, os montantes investidos pelos reformados são mais representativos do que o esperado antes da reforma.

Para saber mais sobre as conclusões do Schroders Global Investor Study 2018 relativamente ao tema ‘Poupar para uma reforma confortável”, por favor visite www.schroders.pt/gis


  1. Despesas base como alimentação, vestuário e habitação.
  2. Em abril de 2018, a Schroders encomendou à Research Plus Ltd um estudo online independente junto de 22000 pessoas que fazem investimentos, oriundas de 30 países a nível global. Entre os países que o integram estão Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos da América, França, Holanda, Índia, Itália, Japão Portugal, Reino Unido. Neste estudo, utiliza-se a palavra ‘pessoa’ para referir aqueles que pensam investir pelo menos 10 mil Euros (ou o equivalente) nos próximos 12 meses e que fizeram alterações nos seus investimentos nos últimos 10 anos.
  3. Qualquer tipo de investimento, feito com o objetivo de gerar rendimento para a reforma, como por exemplo soluções poupança reforma, esquemas empresariais de reforma, descontos estatais para reforma e outras poupanças e investimentos ou valores que apoiem a reforma sejam eles provenientes de poupança, herança, empréstimo, hipoteca ou outra origem.
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Rankia

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