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Perspectivas económicas para Europa em 2022 por Carmignac

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Entrevista de Mark Denham e Keith Ney, Gestores do fundo Carmignac Portfolio Patrimoine Europe. Comentário patrocinado por Carmignac.

  • A nível económico, no mundo desenvolvido (e na Europa em particular) parece que continuaremos a assistir a uma dívida pública galopante, a um baixo crescimento, a uma inflação mais ou menos elevada, a problemas energéticos, etc. Haverá, neste momento, espaço para o otimismo na economia europeia?

Após 2021, no qual se assistiu à recuperação da economia mundial graças às campanhas de vacinação em larga escala e às medidas de apoio tomadas pelos governos e bancos centrais, o ritmo de crescimento mundial poderá ser menos vigoroso no próximo ano e inferior às expectativas atuais. Além disso, esta recuperação mais lenta deverá ser marcada por uma inflação mais elevada do que nos ciclos anteriores devido a vários estrangulamentos no abastecimento e poderá persistir em graus variáveis em diferentes regiões, dependendo das respostas das políticas económicas locais – juntamente com o potencial para novos estrangulamentos (como é o caso das matérias-primas e do gás).

Neste contexto, a Europa poderá ser mais resiliente do que o resto do mundo. Depois de se ter atrasado na recuperação, o plano de investimento da UE Next Generation está em ascensão. O plano foi concebido para sustentar a recuperação graças aos investimentos estruturais destinados à energia e à transição digital nos Estados-Membros. Contudo, a economia está ainda abaixo do seu potencial, o que coloca a Europa longe de um risco de sobreaquecimento, como sucede nos EUA. Por conseguinte, o ritmo restritivo da política monetária do BCE poderá ser mais gradual do que em algumas outras regiões.

  • Estamos a começar a assistir a uma inversão dos mercados (a curto prazo) devido a alguns destes fatores, bem como a outros, como a tensão política nos EUA, a crise da Evergrande, a inflação, etc. Na sua opinião, a tendência em alta dos mercados de ações é sustentável a médio prazo ou estamos perante uma mudança de ciclo? Qual pensa será o maior risco enfrentado pelos mercados de ações europeus?

O grande risco para a economia europeia é a sua dupla dependência das importações de gás natural e de semicondutores. Independentemente de que haja uma recuperação ainda sólida da procura interna, o consenso tende a permanecer demasiado otimista quanto às perspetivas de crescimento a curto prazo. A juntar a tudo isto, estamos a acompanhar dois riscos que podem prejudicar a economia europeia: a desaceleração chinesa e a maior restritividade da política monetária numa altura em que o ímpeto económico está a enfraquecer.

No que diz respeito às ações europeias, o ímpeto positivo impulsionado pela recuperação após a crise da COVID-19, bem como o forte apoio orçamental e monetário, pararam no início de setembro. As crescentes pressões inflacionistas e a perspetiva de um abrandamento do ritmo de crescimento mundial afetaram o entusiasmo dos investidores. Entrando em 2022, depois de um ano relativamente dececionante para as ações de qualidade/crescimento, acreditamos que as empresas menos dependentes do ciclo e que beneficiam do poder de fixação de preços, devem sair-se melhor do que o resto do mercado, uma vez que é provável que as restantes empresas venham a sofrer tanto de uma diminuição da atividade mundial como da contração das margens. Com base nesta orientação, estamos convencidos de que, neste contexto, a flexibilidade será fundamental. Assim, estamos prontos a utilizar toda a gama da nossa exposição a ações nos próximos meses (de 0 a 50%).

  • Concentra-se em empresas com uma alta e estável rendibilidade que reinvestem os seus lucros internamente para gerar crescimento visível a longo prazo. Onde encontra as melhores oportunidades? (por setor)

Desde que a COVID-19 surgiu, no início de 2020, diferentes áreas do mercado de ações europeu passaram por movimentos voláteis em diferentes momentos, porém, no final, a classe de ativos cresceu acima dos níveis de 2019 e a sua volatilidade criou grandes oportunidades. Neste momento, mantemos na nossa carteira de ações a maior parte dos nossos investimentos com uma tendência para empresas de crescimento secular de qualidade com a resiliência necessária para resistir a possíveis deceções em relação ao crescimento do PIB ou às expectativas de inflação. As áreas onde vemos a maioria destas oportunidades são algumas indústrias selecionadas, cuidados de saúde, produtos considerados de luxo e tecnologia. A Europa tem joias escondidas em setores promissores como a digitalização ou as energias renováveis e, como investidores a longo prazo, utilizamos o atual período de fraqueza dos preços das ações para acrescentar novos nomes se sentirmos que os preços das ações caíram demasiado. Este foi o caso, por exemplo, da indústria dos semicondutores ou dos setores relacionados com viagens.

  • O BCE está em vias de reduzir as compras mensais de obrigações, ainda que não se tenha verificado, por enquanto, uma subida das taxas de juro. Como está a gerir a carteira de rendimento fixo face a esta mudança monetária?

O essencial para as taxas europeias será o risco de o BCE se afastar. As mensagens do Banco Central nas próximas semanas sobre o caminho a seguir após o fim do PEPP – o que significa depois de março – serão essenciais.

Neste enquadramento, pensamos que todo o mercado de rendimento fixo está em risco (taxas centrais, obrigações periféricas e crédito) o que exige uma política de gestão de risco muito rigorosa. De facto, a parte mais arriscada do mercado das taxas europeias (crédito e taxas soberanas não core) ainda beneficia de spreads que se mantêm em mínimos históricos, pelo que não oferecem qualquer amortecedor em caso de venda de taxas.

No Carmignac Portfolio Patrimoine Europe, temos atualmente uma pequena carteira de líquidez com um curto prazo de duração, e preparamos o fundo à medida que o BCE gere taxas mais elevadas, uma vez que o balanço de riscos sobre a inflação a médio prazo está inclinado para cima. Contudo, mantemos uma abordagem cautelosa, embora flexível, para nos ajustarmos a quaisquer mudanças na política monetária e orçamental, utilizando toda a nossa gama de duração modificada (de -4 a 10).

  • Em que títulos está atualmente a encontrar rendimento?

Devido ao contexto acima descrito, no Carmignac Portfolio Patrimoine Europe, encontramos mais valor nos investimentos em ações. No que respeita ao rendimento fixo, o nosso foco está na gestão de riscos, com uma duração neutra a negativa para as taxas centrais (sobretudo Alemanha), uma exposição às obrigações ligadas à inflação da UE e uma exposição muito limitada aos segmentos mais arriscados.

  • O fundo tem um rendimento de +6,7% YTD. Tem um objetivo a este respeito?

Não temos um objetivo de desempenho. O fundo visa conseguir um rendimento superior ao do índice de referência ao longo de 3 anos.

  • Qual é a rotação do fundo?

Quando se trata de rotação, é importante diferenciar entre a nossa exposição líquida e a nossa taxa de investimento. Na componente de ações, a nossa taxa de investimento é o resultado da nossa seleção de ações, que se concentra em empresas com uma rendibilidade elevada e estável, reinvestindo internamente para gerar um crescimento secular, visível e estável. Consequentemente, esta taxa de investimento reflete uma estratégia bottom-up a longo prazo e é bastante estável (cerca de 40%). Depois, para ajustar o Fundo às condições do mercado, podemos aumentar ou reduzir tacitamente a nossa exposição líquida aos mercados de ações, sobretudo através de derivados simples, tais como futuros sobre o Euro Stoxx 50, CAC 40, DAX ou Euro Stoxx Banks.
Na parte de rendimento fixo, gerimos ativamente a nossa exposição de duração modificada, particularmente neste ambiente de mercado em mudança. Em termos de gestão da nossa exposição líquida e da nossa duração modificada, permanecemos pouco ativos por acreditarmos que é vital proteger o retorno absoluto face à volatilidade do mercado.

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