Previsões para 2019: Obrigações Globais

Adensam-se nuvens negras sobre os investidores em rendimento fixo que, em breve, poderão ter de abandonar a vida tranquila a que se habituaram desde 2008.

  O cenário de baixa volatilidade registado após 2008 está a ser perturbado por ajustes na política monetária e por fatores geopolíticos.

  • Assistimos a um panorama misto: a expansão nos EUA tem mais caminho a percorrer (positivo), os sinais vermelhos, como o endividamento excessivo dos consumidores, continuam ausentes (neutro), mas os ganhos no mercado deverão ser moderados (negativo).
  • Os países e as empresas com um nível elevado de dívida podem ser vulneráveis e assistimos a uma mudança no ambiente que cria oportunidades para estratégias de investimento ativas.

Na maioria do período pós-crise financeira, os mercados de rendimento fixo têm estado relativamente tranquilos, com a volatilidade (o grau de flutuação dos preços) a diminuir primeiro acentuadamente antes de estabilizar num nível historicamente baixo (ver a tabela).

Índice esconder
2 Qual é o caminho?

Tranquilidade pós-crise nas rendibilidades dos títulos do Tesouro dos EUA

Fonte: Bloomberg. Índice Merrill Lynch Option Volatility Estimate (MOVE) em 21/11/2018 (mede a volatilidade das rendibilidades dos títulos do Tesouro dos EUA, o nível de flutuação nas rendibilidades, utilizando contratos de opções a um mês).

O desempenho passado não é garantia de desempenho futuro e poderá não se repetir.

Como explicar isto? Os bancos centrais têm tido uma extrema influência na redução da volatilidade e, até à data, na supressão de quaisquer intensificações periódicas dos receios do mercado. As taxas de juro diminuíram para níveis sem precedentes, com os bancos centrais a proporcionarem estímulos através da expansão dos respetivos balanços com a flexibilização quantitativa (QE), onde é imprimido dinheiro com vista a comprar obrigações no mercado aberto.

O dinheiro tem estado livremente disponível e os bancos centrais têm oferecido apoio económico aparentemente ilimitado através da impressão de moeda. Não é talvez surpresa que quaisquer choques políticos ou económicos não tenham conseguido gerar uma escalada real dos receios normalmente associados a uma aceleração na volatilidade do mercado.

Basta de história. É tempo de ler a bola de cristal para 2019.

Primeiro, o que é que mudou?

  1. Após a crise financeira mundial, aquilo que era um problema de desemprego significativo está a transformar-se agora numa escassez global. Nos EUA, o desemprego está nos mínimos dos últimos 50 anos, no Japão o rácio de candidaturas/vagas de empregos está nos máximos de 45 anos e, mesmo com os receios relativos ao Brexit, o desemprego no Reino Unido é o mais baixo desde 1975.
  2. Os bancos centrais parecem estar cada mais convencidos de que a flexibilização quantitativa está ultrapassada e de que as taxas de juro têm de aumentar. Tendo-se preocupado com o potencial para a inflação se transformar em deflação (queda de preços), os bancos centrais estão dispostos a afirmar que esses riscos recuaram o suficiente para eliminar parte da flexibilização quantitativa. Mesmo na Europa que, em termos de recuperação económica,  está atrás do resto do mundo, o banco central anunciou o fim provável do seu programa de flexibilização quantitativa.
  3. Os governos estão a abrir os cordões à bolsa. Quer seja o espetacular investimento orçamental de Donald Trump, na forma de importantes reduções fiscais, ou o mais moderado anúncio orçamental de 2018 do governo britânico, que marcou o  fim de vários anos de austeridade, os governos estão a adotar medidas para facilitar a vida dos seus eleitores, a nível global. Quer seja provocado pelo aumento do populismo ou pela melhoria das finanças públicas, a política orçamental acaba por ser mais um fator favorável na economia global.
  4. O aumento das tendências protecionistas. O presidente dos EUA, Donald Trump, carateriza a sua administração como “a América primeiro”. A sua decisão de impor tarifas aduaneiras às importações da China teve um efeito negativo no sentimento de confiança económica na Ásia. A região, a par com a maioria dos mercados emergentes, sofreu durante grande parte de 2018. As perspetivas para o comércio global permanecem incertas. A posição do presidente Trump face à China e ao comércio, de forma mais geral, continuará a ser um fator determinante para o futuro da economia e dos mercados a nível mundial.

Qual é o caminho?

Após uma década de política monetária extremamente acomodatícia, dificilmente surpreende que exista um grau de turbulência no mercado à medida que os bancos centrais começam a afastar-se gradualmente destas políticas. Os mercados estão a aclimatizar-se à mudança e alguns dos ativos de risco mais inflacionados, nomeadamente as ações, têm sofrido recentemente. A partir daqui, vemos uma mistura de desenvolvimentos bons, neutros e alguns negativos.

As boas notícias: a expansão nos EUA parece mais duradoura do que o sugerido pela maioria dos comentadores. A nossa análise sugere que a produtividade (a relação entre o total da produção económica ou PIB, e os fatores de produção utilizados, normalmente horas trabalhadas) pode aumentar no futuro. Embora isto possa envolver uma subida nas taxas de juro, também sugere um nível de crescimento mais forte. Os desenvolvimentos positivos em termos de maior produtividade também se podem alargar para lá das fronteiras dos EUA.

As notícias mais neutras: na maior parte do mundo, a atividade económica interna está a avançar bem, na sua maioria os consumidores estão a viver dentro dos orçamentos e muitos dos excessos que frequentemente podem surgir após um longo período de expansão económica e à medida que o ciclo económico começa a ganhar maturidade, continuam largamente ausentes. De uma maneira geral, o crescimento do emprego e dos rendimentos salariais é razoável e não excessivo.

A inflação, embora mais alta, não mostra quaisquer sinais de excesso. Embora a política monetária acomodatícia (flexibilização quantitativa, baixas taxas de juro) possa ser eliminada, se a conjuntura referida se mantiver, os bancos centrais podem continuar a eliminá-la gradualmente, sem arriscar uma asfixia da atividade económica.

As más notícias: é improvável que os preços dos ativos continuem a subir à velocidade e com a consistência a que assistimos na maior parte dos últimos cinco a 10 anos. À medida que a política monetária regressa a um nível mais normal, vários ativos irão necessitar de ser reavaliados sem o significativo apoio fornecido pelos bancos centrais mundiais. Para alguns, isto pode significar ajustes significativos.

Os mercados deverão ser mais voláteis no futuro. Face a isto poderemos assistir a níveis mais elevados de incumprimentos de empresas (empresas a falharem o pagamento de juros sobre obrigações). O risco terá de ser avaliado de forma rigorosa e realística, o que significa que pode ser altura de deixarmos de ver as coisas através de um filtro colorido, especialmente nas regiões do mundo onde a dívida tem aumentado constantemente para níveis recorde.

Embora isto não tenha de ser desastroso para os preços dos ativos, pode sugerir o fim de táticas típicas de compra e manutenção, deter ações e obrigações e navegar numa trajetória ascendente suave. Antevemos grandes oportunidades para estratégias mais ativas, não só no rendimento fixo, como potencialmente em todas as classes de ativos.

As previsões incluídas não devem servir de base a decisões, não são garantidas e referem-se apenas à data de publicação. Esta informação não constitui uma oferta, solicitação ou recomendação para a compra ou venda de qualquer instrumento financeiro nem para a adoção de qualquer estratégia de investimento.

Informação Importante
Os pontos de vista e as opiniões descritos são de Bob Jolly, Diretor de Estratégia Macro Global, e podem não representar necessariamente pontos de vista expressos ou refletidos noutras comunicações, estratégias ou fundos da Schroders.
Este documento destina-se apenas a fins informativos. O material não deve ser interpretado como uma oferta ou solicitação à compra ou venda de qualquer instrumento financeiro ou título ou para adotar qualquer estratégia de investimento. A informação facultada não pretende ser consultoria de investimento, recomendação de investimento ou análise sobre investimentos e não tem em conta as circunstâncias específicas de qualquer destinatário. O material não se destina a fornecer nem deverá servir de base a aconselhamento contabilístico, jurídico ou fiscal. As informações contidas neste documento são consideradas fiáveis, mas a Schroders não garante a integralidade ou exatidão das mesmas. Não se aceita qualquer responsabilidade por erros de facto ou opinião. Os pontos de vista e informações contidos neste documento não devem servir de base a decisões de investimento individuais e/ou estratégicas.
O desempenho anterior não é um indicador confiável dos resultados futuros. O valor das ações e o seu rendimento podem cair ou crescer e os investidores podem não recuperar o montante originalmente investido.
A Schroders será responsável pelo tratamento dos seus dados pessoais. Para obter informação sobre a forma como a Schroders poderá processar os seus dados pessoais, consulte a nossa Política de Privacidade em www.schroders.com/en/privacy-policy ou mediante pedido na eventualidade de não ter acesso a esta página na internet.
Publicado por Schroder Investment Management (Europe) S.A., 5, rue Höhenhof, L-1736 Senningerberg, Luxemburgo. Número de Registo B 37.799.
As previsões indicadas no documento são o resultado de modelação estatística, baseada numa série de pressupostos. As previsões estão sujeitas a um elevado nível de incerteza relativamente a fatores de mercado e económicos futuros que podem afetar o desempenho futuro real. As previsões são fornecidas para fins informativos à data de hoje. Os nossos pressupostos podem mudar materialmente com alterações nos pressupostos subjacentes que possam ocorrer, entre outras coisas, uma vez que as condições económicas e de mercado se alteram. Não assumimos qualquer obrigação de lhe fornecer atualizações ou alterações a estes dados, visto que os pressupostos, as condições económicas e de mercado, os modelos ou outros fatores se alteram.

Sobre o autor

Filipe Silva

Conteúdo – Rankia Portugal

Responder a este tópico

Bem-vindo(a) à comunidade!

Selecione os temas que lhe interessa e personalize a sua experiência no Rankia

Enviaremos uma Newsletter cada quinze dias com as novidades de cada categoría que escolheu


Quer receber notificações dos nossos eventos/webinars?


Ao continuar, aceita a política de privacidade