Geopolítica e receio da recessão global conduzem investidores para os ativos privados

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Segundo o Schroders Institutional Investor Study de 2019, as preocupações geopolíticas e o receio de uma desaceleração da economia global aumentam à medida que os investidores ampliam as suas alocações em ativos privados.

O estudo – que contou com a participação de 650 investidores institucionais, representando cerca de 25.4 milhões de biliões de dólares em ativos – revela uma crescente apreensão dos investidores relativamente ao atual cenário de incerteza macroeconómica.

Mais de metade dos investidores (52%) disse que a política e acontecimentos internacionais como o Brexit e as Guerras Comerciais podem afetar o desempenho dos seus portfólios nos próximos 12 meses. Isto representa um crescimento em relação aos 32% de 2017 e aos 44% em 2018.

Quase um terço dos investidores (37%) referiu igualmente a desaceleração da economia global como a maior preocupação, o que representa um aumento em relação aos 27% do ano anterior. Estes indicadores são talvez um reflexo da Guerra Comercial entre a China e os EUA, assim como da crescente incerteza provocada pela proximidade da data do Brexit.

 

Quais as influências que o preocupam mais?

As elevadas taxas de juro foram referidas como a variável com maior influência no desempenho do portfólio, ainda que com menor enfase do que há um ano. Em contraste, fatores anteriormente tidos como muito importantes – tais como a política monetária, a regulação e o risco de ciberataques – perderam importância nos últimos 12 meses.

Em termos de classes de ativos, o apetite por Mercados Emergentes caiu entre os investidores internacionais, com as alocações a descerem de 15% em 2017 para 10% este ano. As alocações esperadas para os próximos 12 meses também caíram para 9%.

Apenas um terço dos investidores (29%) mantém os investimentos durante 3-5 anos, sendo que apenas 10% mantém os investimentos até ao fim do ciclo. Isto porque mais de metade dos investidores (53%) assumiu a necessidade de maior personalização, porque os fundos disponíveis não estão a conseguir alcançar os objetivos financeiros das organizações.

Foco em ativos privados

Ao investirem em ativos privados, os investidores procuram alcançar as suas expectativas de retorno. Mais de metade (52%) espera aumentar as suas alocações em ativos privados nos próximos três anos. Os investidores da América do Norte (58%) e os da Ásia (50%) são os que mostram mais vontade de o fazer.

Globalmente, os investidores apontaram a necessidade de gerar mais retorno e diversificação do portfólio, como dois fatores que os encorajaria a investir em ativos privados.

No espectro dos ativos privados, o investimento em empresas é visto como a fonte de maior potencial de retorno, com 69% dos investidores a antecipar retornos superiores a 5%. Para suportar esta perspetiva, 37% dos investidores globais tenciona aumentar as suas alocações em ativos privados, claramente mais do que em divida privada, ativos de infraestrutura ou imobiliário.

No entanto, os investidores referiram o custo e a complexidade das taxas como o maior obstáculo ao investimento em ativos privados e também sinalizaram as elevadas cotações como a principal fonte de preocupação na hora de investir nesta classe de ativos.

Quão preocupado está, ou estaria, sobre os pontos seguintes se investisse em ativos privados?

Expectativas de retorno gerais

Apesar das pressões macroeconómicas, as expectativas de retorno dos investidores mantiveram-se estáveis nos últimos 12 meses. A maioria dos investidores globais (57%) está a conseguir retornos de 5%-9% ao ano, no prazo de cinco anos. Isto compara com 60% dos investidores há um ano.

Geograficamente, a diferença entre os investidores otimistas da América do Norte e os mais cautelosos investidores europeus aumentou significativamente. Mais de três quartos (77%) dos investidores Norte-Americanos estimam retornos de 5%-9%, uma grande diferença se comparada com os 42% dos investidores europeus.

Os investidores institucionais podem ser desculpados por começarem a temer o pior. Há já algum tempo que várias incertezas geopolíticas pairam no ar e atualmente é impossível dizer se alguma delas vai desaparecer. É encorajador verificar que apesar de todos estes desafios, as expectativas de retorno dos investidores – com exceção dos europeus – permanece relativamente robusta e que os períodos de manutenção dos investimentos se mantêm estáveis. Cortar e alterar investimentos num período desafiante é provavelmente prejudicial para o portfólio dos investidores e pode conduzir a retornos desapontantes. Cabe à Schroders trabalhar em parceria com os investidores institucionais para os ajudar a navegar esta incerteza e oferecer soluções de investimento que correspondam aos objetivos e apetites de risco dos investidores.

Charles Prideaux, Responsável Global de Investimento da Schroders

Os investidores institucionais estão cada vez mais conscientes de que conseguem suportar uma percentagem mais elevada de ativos fixos nos seus portfólios, devido aos passivos de longo prazo. Por conseguinte, procuram captar o prémio de iliquidez, enquanto acrescentam diversificação aos seus portfólios. Os ativos privados oferecem um amplo universo de investimentos, com uma ampla variedade de risco e retorno, correlação, fluxos de caixa e características de capital e de risco. Os portfólios de ativos privados podem ser personalizados para oferecer os resultados de que cada investidor precisa. No atual contexto de mercado, os investidores estão interessados em estratégias baseados em “competências profundamente operacionais”, nas quais o desempenho pode ser “controlado” pelas equipas de investimento responsáveis. Exemplo disso são as aquisições de PME’s ou estratégias de valor acrescentado em imobiliário. Nestas áreas o desempenho dos investimentos é muito menos influenciado pelos ciclos de mercado.

Georg Wunderlin, Responsável Global de Ativos Privados da Schroders

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