Presença da mulher no setor dos fundos de investimento

Com o motivo de ser o dia da mulher, dia 8 de março, analisa-mos a situação da mulher num setor como o da gestão de fundos de investimento. Embora cada vez a presença da mulher no setor dos Fundos de Investimento é maior, ainda encontramos discrepâncias a quem está com ao cuidado e a controlar das nossas poupanças. Além da discrepância no número de gestoras de fundos, segundo um estudo do Financial Times, no Reino Unido os salários das mulheres que trabalham na indústria de fundos são até um 40% inferiores aos que se pagam aos homens.

Será importante que o gestor do seu fundo de investimento seja um homem ou uma mulher? A resposta é não, o importante na gestão de fundos não é o género mas sim a rentabilidade do fundo. A eleição de um fundo deve basear na análise e performance, independentemente do género do gestor, mas apostamos num setor da gestão de ativos saudável e com igualdade entre gestores.

Estudo Citywire Alpha Female de 2017

Segundo o Relatório da Citywire Alpha Female referente ao ano 2017: um em cada 10 gestores de fundos é mulher entre os 15.316 gestores de fundos no banco de dados de Citywire, só há 1.615 gestoras de fundos e dos 25.227 fundos de investimento analisados por Citywire, só 1.708 fundos estão geridos só por mulheres ou equipas integras formadas por mulheres.

O que está por trás desta divergência reside em vários motivos, mas em nenhum caso será porque os homens sejam melhores gestores que as mulheres, assegura o estudo. A investigação sugere que a tendência será que as mulheres giram fundos em setores do mercado mais pequenos enquanto aos gestores homens lhes sejam confiadas as estratégias mais globais. Anne Richards, CEO de M&G Investments também afirma que a cultura do setor está altamente masculinizada e isso dificulta a integração da mulher. Outro fator interessante é a pouca mudança no topo da hierarquia empresarial. Os homens dominaram há muito tempo e as equipas de gestão que obtêm bons retornos não mudam muito, por isso é difícil para as mulheres (ou para novos gestores em geral) abrir o caminho.

Estudo Morningstar Fund Managers by Gender 2017

O Estudo de Morningstar sobre o género na gestão de ativos do ano 2017 compara de 26.000 fundos de investimento a razão homem-mulher na gestão por país. Nos países considerados como centros financeiros, Estados Unidos ou Luxemburgo, esta percentagem baixa e encontramos a menos mulheres à frente da gestão de fundos de investimento. 

O estudo também extrai conclusões realmente interessantes:

  • Existem menos mulheres gerindo fundos ativos: uma das deduções mais significativas do artigo indica que é mais provável encontrar a uma mulher gerindo um fundo que trata de seguir um índice em comparação a um fundo que trata de bater e melhorar o comportamento desse mesmo índice.
  • Há mais possibilidade de encontrar a uma mulher fazendo parte de uma equipa de gestores, que atua de forma individual: Apesar de que possa ser menos emocionalmente, há estudos académicos que sugerem que as mulheres preferem competir em grupos. Felizmente, a gestão por equipa de gestores está na moda e isso pode ajudar criar um meio mais propício para elas neste setor.
  • As mulheres que exercem de gestão de fundos costumam estar melhor preparadas academicamente que os homens: O estudo mostra que se a pessoa gerindo fundos é uma mulher, é mais provável que esta seja uma Chartered Financial Analyst (certificação CFA, Analista Financeiro Certificado) do que ser um homem, o que faz sugerir que possa existir certa inclinação à hora de recrutar e que as mulheres precisem estar melhor preparadas que os homens para aceder ao setor.

Também se encontra no estudo que costuma ter mais mulheres nas grandes companhias de gestão de fundos do que nas empresas mais pequenas, o qual é bastante intuitivo. Quanto maior seja a gestora, maior será o número de fundos geridos e maior será o número de pessoas que se precisam para gerir ditos fundos. De acordo com o estudo, as hipóteses de uma mulher ingressar a uma determinada equipa de gestão pioram quanto menor a empresa.

Fundos com estrelas Morningstar geridos por mulheres

Em baixo analisamos os fundos de investimento ibéricos que são geridos por mulheres e se destacaram pela sua rentabilidade nos últimos anos. Prova disso são as estrelas de Morningstar que têm os seus fundos de investimento:

Fundos de Investimento com  estrelas Morningstar geridos por mujeres
Gestora de Fundos Fundo de Investimento Sociedade Gestora
Fátima Luis
Mirabaud Global Strategic Bond (LU0963986202)
Mirabaud Global High Yield Bonds (LU0862027272)
Mirabaud AM
Gemma Hurtado Mirabaud Equities Spain (LU0787970960) Mirabaud AM
Araceli de Frutos Alhaja Inversiones FI (ES0108191000) Renta 4
Marta Gonzalez
March Premier Renta Fija Corto Plazo (ES0161032034)
March Patrimonio Corto Plazo (ES0160990000)
March Gestión
Lola Solana Santander Small Caps España (ES0175224031) Banco Santander AM

 

A nível internacional também encontramos nomes de mulheres à frente de fundos de investimento tão reconhecidos como:

  • Alice Gaskell, BlackRock Euro Markets
  • Claire Mahieux, Candriam Bonds Euro Short Term
  • Stephanie Butcher, Invesco Pão European Equity Income Sophie Potard,  Natixis Euro Bonds Opportunities 12 Months
  • Bibiana Carretero López, New Capital Dynamic European
  • Cristina Matti, Pioneer Funds European
  • Potential Georgina Hamilton, Polar Capital UK Avalie Opportunities
  • Jenny Jones, Schroder US Mid Cap Fund
    … e muitas mais gestoras de fundos excelentes!

Sobre o autor

Juan Diego Quilez
Gestor do Rankia Portugal