As mensagens contraditórias provenientes de bancos centrais poderiam anunciar o fim do QE

  • Grandes mudanças, em torno do Banco da Inglaterra e do BCE.
  • O que nos tentam dizer os banqueiros centrais europeus? Parece ser cada vez mais provável que apontam para o fim de flexibilização quantitativa.
  • Mantemos sobe ponderação a divida publica e uma posição nas rendas variáveis.

As mensagens contraditórias lançadas pelos bancos centrais poderia ser um sinal secreto da real intenção em colocar fim aos programas de flexibilização quantitativa de acordo com Lukas Daaler, director de investimentos da Robeco Investmente Solutions.

Nos últimos anos, os bancos centrais têm conseguido evitar que os mercados fiquem ansiosos tentando adivinhar a direção das suas políticas, fornecendo indicações que não sido nem muito dramáticas nem excessivamente vagas. No entanto, as recentes declarações sobre política monetária sugerem que os bancos centrais chamam a atenção para que os mercados se mantenham preparados para o fim da flexibilização monetária na Europa, de acordo com Daalder

Fazendo alusão a uma famosa citação do ex-presidente do US Federal Reserve Alan Greenspan: “Desde que eu trabalho num banco central, que aprendi a balbuciar com grande incoerência. Se vos parece que sou bastante claro, certamente não entenderam o que eu disse. “

O fim do QE está perto!

“Isso mostra que a comunicação do banco central nem sempre é fácil”, diz Daalder. “Quando alguém é ‘muito claro’, como Greenspan, as suas palavras podem voltar-se contra si mesmo, por exemplo, a economia sofre uma reviravolta inesperada. Por outro lado, se é demasiado vago, pode causar confusão nos mercados e sobre o que os mesmos podem esperar. Então, o melhor é colocar-se num ponto intermédio: deixar em aberto as opções, não ser demasiado explícito, e tentar insinuar subtilmente aos mercados qual a direção correta “

“Esta estratégia foi implementada com sucesso: os dias em que são anunciadas as novidades sobre política monetária tornam-se agora bastante aborrecidos. O fato de que o Fed tenha sido capaz de realizar três subidas das taxas no seu ciclo atual e de ter anunciado as suas primeiras medidas para a redução do seu QE sem afetar indevidamente os mercados de renda variável e fixa é uma prova clara de que comunicação foi gerida de forma adequada. “

“Com tudo isso em mente, surpreende um pouco o que aconteceu nas duas últimas semanas deste lado do lago … O que estão realmente a dizer os banqueiros centrais? Parece ser cada vez mais provável de que apontam ao fim da flexibilização quantitativa. “

O Banco da Inglaterra

Daalder afirma quem um bom exemplo destas insinuações que poderiam anunciar um endurecimento monetário é a atitude do Banco da Inglaterra (BoE), que geralmente é bastante calmo. Em 15 de Junho, o economista chefe do Bdl Andrew Haldane, foi um dos cinco membros do Comitê de Política Monetária que votaram para manter as taxas em 0,25%. Mas uma semana depois, fez um círculo completo, indicando que seria prudente reduzir parcialmente as medidas de estímulo. O governador do BoE Mark Carney, que também havia apoiado a manutenção das taxas- fez eco da mesma mensagem feita a 28 de junho.

“A que se deve esta mudança de parecer? “, Pergunta Daalder. “O fato dos responsáveis ​​pelos bancos centrais mudem de opinião não é em si um evento extraordinário, nem negativo. Após o resultado inesperado do referendo sobre a Brexit em 2016, o BoE anunciou medidas adicionais de estímulo monetário para suavizar o golpe que se previa vir a acontecer na economia do Reino Unido.

Esse golpe acabou por não se concretizar e a economia continuou a expandir-se o que constitui um motivo válido para se retirar parte desse estimulo adicional ” .,

“Não obstante, é difícil determinar a causa da mudança de atitude do BdI, especialmente agora que as previsões de crescimento pioraram, e com os consumidores presos perante o aumento dos preços e a queda dos rendimentos reais, dada a atitude tradicionalmente relaxada do BdI para com os súbitos ‘temporários’ da inflação. Então, agora se o BdI tomar o assunto com seriedade e pretende que o mercado se prepare para uma futura subida das taxas de juros, seria de esperar mais provas deste tipo (bem como uma melhoria em dados econômicos) para o próximo mês. “

Passemos ao BCE

Assim, chegamos ao Banco Central Europeu (BCE), que se depara com uma situação bastante diferente, mas cujo presidente, Mario Draghi, também lançou indícios contraditórios nesta linha. “O BCE também está a enviar sinais díspares ultimamente”, diz Daalder.

“Na sua reunião de junho de Draghi surpreendeu o mercado ao reduzir a projeção de inflação de 1,3% para 2018, citando a ausência de pressões inflacionistas reais já que melhoria dos mercados de trabalho não se traduziu em aumentos salariais. Mesmo para 2019, o BCE espera uma inflação média de apenas 1,6%, o que tecnicamente está abaixo do seu próprio alvo. A mensagem subjacente é: não temos pressa para mudar nada na nossa mix actual de política monetária “.

“Mas então veio o discurso de Draghi a 28 de junho, no qual disse que” as forças deflacionárias foram substituídas por outras reflacionárias’, palavras que causaram uma importante agitação no mercado e que fizeram subir tanto o euro como os juros da dívida pública. Foi Draghi ‘excessivamente claro? ‘ levando o BCE a tentar convencer o mercado de que o interpretaram de forma errada? “

Efeitos sobre os mercados

“Onde nos deixa tudo isto? Apesar dos confusos vaivéns, lendo nas entrelinhas, podemos deduzir que o fim de flexibilização quantitativa na Europa está próximo. Curiosamente, o banco central que tem sido mais evidente nessa direção (BDI) é o que tem menos credibilidade, sendo que é quem mais tam dado importância a esta possibilidade (o BCE) é quem tem mais argumentos para o fazer na realidade. Não se espera nenhuma medida radical, tão somente uma provável intensificação destas mesmas insinuações nos próximos meses “.

Daalder acredita que o efeito líquido de uma medida deste tipo nos mercados financeiros seria que os interesses de obrigações europeias continuassem a subir e, consequentemente, os seus preços continuariam a cair. “Continuamos sobe ponderação na divida publica, e os recentes desenvolvimentos não nos preocupam em demasia “, disse Daalder.

“Os mercados viram-se favorecidos pela situação do baixo interesse na fixa e spreads reduzidos, mas a perspetiva de que os bancos centrais possam reduzir a sua interferência pode influenciar negativamente a atitude dos mercados. Visto que não esperamos qualquer mudança súbita ou inesperada na política monetária, mantemos a nossa posição neutra na renda variável. As únicas mudanças que fizemos nas nossas carteiras têm sido em relação as moedas estrangeiras, onde temos a nossa posição vendida em libras “.

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Rankia

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