Banco de Portugal alinha projecções na versão optimista

Foi a mais recente instituição a proceder à revisão em alta do crescimento da actividade nacional, indo ao encontro da prevista continuação da recuperação económica. De facto, o Banco de Portugal (BdP) aumentou as perspectivas de crescimento económico no país, para este ano, de 1.8% para 2.5% (igualando o valor indicado pelo DEEF do Banco BPI) e, embora espere uma desaceleração posterior, reviu em alta as previsões até 2019, reflexo de exportações fortes e melhoria no investimento. São igualmente esperados ganhos na convergência com a restante europa, já que o ritmo de crescimento no período temporal em análise deverá ser superior ao da área do euro, de acordo com as projecções divulgadas pelo Banco Central Europeu (BCE). Para o BdP, o enquadramento internacional de economia portuguesa deverá manter-se favorável, com a procura externa dirigida à economia portuguesa a acelerar em 2017 e a manter um crescimento robusto nos anos seguintes.
Entretanto, na Europa foram divulgados os indicadores PMI de actividade, calculados pela empresa Markit, que mostram uma correcção após o registo de máximos por via de um aparente retrocesso nos serviços.

No seu boletim económico de Junho, o banco central refere que a economia, que no ano passado registou uma expansão de 1.4%, deverá crescer 2.5% este ano, 2.0% em 2018 e 1.8% em 2019, o que compara com a sua avaliação anterior, de Março, de 1.8%, 1.7% e 1.6%, respectivamente. O Banco de Portugal espera que as
exportações do país cresçam quase 10.0% este ano, aumentando posteriormente 6.8% em 2018 e 4.8% no ano seguinte. Por seu turno, a formação bruta de capital fixo (FBCF), que mede o investimento e que caiu 0.1% em 2016, deverá aumentar 8.8% este ano e mais de 5.0% em cada um dos dois anos seguintes. O banco central prevê que a taxa de desemprego caia abaixo de 10.0% este ano, em relação aos 11.1% do ano passado, acentuando a tendência até atingir 7.0% em 2019. De facto, o banco central prevê que a taxa de desemprego termine 2017 em 9.4%, o que seria nível mais baixo desde 2008.
Para além do enquadramento económico internacional favorável, o BdP contempla outras premissas importantes no modelo: condições monetárias e financeiras globalmente estáveis; preços das matérias-primas, especialmente do petróleo, a subir acentuadamente em 2017 e a estabilizar em 2018 e 2019; com este padrão de crescimento económico projectado, sendo as componentes mais dinâmicas as exportações e a FBCF, deverão permanecer os equilíbrios económicos fundamentais; prevê-se o reforço da capacidade de financiamento face ao exterior e a continuação da redução gradual dos níveis de endividamento externo.

Depois do registo de valores máximos em Maio, os indicadores PMI calculados pela Markit em Junho mostram uma situação genérica de ligeira correcção na tendência de subida da actividade, sobretudo por via dos serviços (maior peso económico), que mostram agora menor pujança. De facto, na Zona Euro, o PMI compósito desceu de 56.8 (valor mais alto desde Abril de 2011) para 55.7 pontos (o mercado estava a prever 56.6) de Maio para Junho, ainda assim é um valor bastante alto perante o nível de referência de início de expansão (os 50 pontos). O PMI manufactura registou mesmo uma melhoria, tendo subido de 57.0 para 57.3 pontos, quando os analistas aguardavam por 56.8. Já o PMI dos serviços caiu de 56.3 para 54.7, quando estava previsto 56.2. Mas a Markit conclui que continua a haver uma relativa robustez em ambos os sectores, com a procura externa e as exportações a manterem-se fortes, confirmadas pelos níveis recorde dos últimos anos das encomendas. Também a criação de emprego, sobretudo nos serviços, encontram-se em valores bastante altos.

Nos países considerados motores da Europa e da Zona Euro, ocorreram movimentos semelhantes. Na Alemanha, o PMI compósito passou de 57.4 para 56.1, com o PMI manufactura a cair de 59.5 para 59.3 e o PMI dos serviços a corrigir de 55.4 para 53.7. Já em França, o PMI compósito baixou de 56.9 para 55.3, tendo o PMI da manufactura subido de 53.8 para 55.0 e o PMI dos serviços caído de 57.2 para 55.3.

Fonte: Banco BPI

Sobre o autor

Filipe Silva

Conteúdo – Rankia Portugal

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