BPI: Economias europeis mas robustas

A actualização das previsões económicas pelo Fundo Monetário Internacional, em Julho, confirmou um quadro de crescimento global mais robusto, pontuando a revisão em alta da expansão prevista do volume das trocas comerciais de bens e serviços, em +0.2 p.p. para 4% – compara com crescimentos registados de 2.6% e 2.3% em 2015 e 2016, respectivamente. Esta perspectiva de intensificação das trocas comerciais à escala mundial sinaliza a transversalidade do actual momento favorável do ciclo económico e confere suporte importante aos cenários de médio prazo. Destacam-se pela positiva as economias europeias – desenvolvidas e emergentes – e também os países asiáticos, regiões onde o crescimento esperado para
este ano foi revisto genericamente em alta. As regiões da América Latina e África Subsariana viram também ligeiramente melhoradas as suas perspectivas de crescimento. Entretanto, o FMI ajustou em baixa as projecções para o PIB nos EUA, antecipando agora um crescimento pouco acima de 2% este ano e em 2018 (2.3% e 2.5% antes), tal como já tinha sido sinalizado em análises anteriores. Esta recalibragem das expectativas regionais permitiu manter a previsão de expansão da economia mundial em 3.5% este ano, sem alterações face às projecções de Abril, acima dos valores registados em 2015 e 2016 (3.4% e 3.2%, respectivamente).

Em Portugal, os sinais de recuperação económica iniciada em meados de 2016 têm ganho suporte, antecipando-se que o ritmo de crescimento da actividade alcance o patamar de 2.8% este ano, desacelerando ligeiramente para 2.2% em 2018 (compara com a anterior previsão do BPI para o PIB de 2.5% e 1.8%, respectivamente em 2017 e 2018). Embora este cenário comporte alguns riscos, associados sobretudo ao andamento das economias e dos mercados financeiros externos, acreditamos que estes estão actualmente mais balanceados. Se se confirmar esta previsão, a riqueza gerada internamente regressará aos patamares máximos, observados antes da crise financeira internacional, em meados de 2018, pontuando neste processo o avanço sustentado das exportações de bens e serviços. Factores de ordem cíclica, políticas económicas de estímulo – sobretudo via taxas de juro, mas também uma política orçamental mais acomodatícia – bem como alguns factores de natureza estrutural, estão na base de uma retoma mais vigorosa que o esperado pela generalidade dos analistas e entidades diversas, cujas previsões para Portugal têm vindo também a ser revistas em alta.

Na última reunião de política monetária, a Reserva Federal manteve inalterado o intervalo da taxa de juro dos fed-funds em 1.0-1.25% e sinalizou que em breve iniciará o processo de normalização do balanço. A referência à proximidade do processo faz antever que este se inicie após a reunião da Reserva Federal de 20 de Setembro. Da mesma forma, o Banco Central Europeu não alterou a sua política na reunião de Julho, antecipando que a discussão de possíveis alterações ocorrerá no Outono.

No mercado de dívida pública, o ambiente de menor aversão ao risco e os sinais de melhor desempenho da economia, em conjunto com a perspectiva de que no próximo ano Portugal voltará a ser classificado na classe de investimento por mais uma agência de rating continuam a reflectir-se no estreitamento do prémio de risco exigido à dívida pública portuguesa. No início de Agosto, o diferencial das OTs a 10 anos face ao Bund alemão com o mesmo prazo estava em 236 pontos base, menos 18 pontos base do que um mês antes e menos 115 pontos base face ao início do ano. De salientar também, o facto de o estreitamento do spread ocorrer numa altura em que o BCE está a comprar montantes menores de dívida pública portuguesa, situando-se actualmente o rácio entre as compras do BCE e a as emissões médias mensais de OTs em torno de 30%, menos 10 pontos percentuais do que no início do ano. Finalmente, uma referência aos reembolsos já efectuados antecipadamente ao FMI e à emissão de OTRV’s realizada no 1º dia de Agosto e que será elegível para o programa de compra de dívida pelo BCE. O Estado português já reembolsou 15.9 mil milhões de euros (mme) ao FMI, incluindo 2.6 mme em início de Agosto (informação do Ministério das Finanças), reduzindo para cerca de 10.4 mme o saldo ainda em
dívida. Finalmente, o IGCP colocou 1.2 mme de dívida no retalho em OTRV's, tendo a procura superado em 1.26 vezes a oferta.

Fonte: BPI

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