Investidores portugueses dizem que investir em sustentabilidade é cada vez mais importante

A Schroders acaba de publicar a segunda parte do Global Investor Study 2018, que é dedicado à sustentabilidade. A grande conclusão que se retira no que diz respeito a Portugal é a de que a maioria dos investidores (85%) diz que os investimentos em sustentabilidade se tornaram mais importantes. Este é o resultado mais elevado na Europa, que tem uma média de 74%, e é inclusive mais elevado do que a média global de 76%. Estes indicadores demonstram que os Portugueses estão mais conscientes sobre as implicações das mudanças climáticas e do aquecimento global. 69% dos investidores portugueses dizem até que aumentaram os seus investimentos em ativos sustentáveis nos últimos cinco anos, o que compara com a média global de 64%.

No entanto, 61% admite que evitou fazer mais investimentos em ativos sustentáveis devido à falta de informação /aconselhamento / compreensão, em particular aconselhamento e dados sobre a forma como os gestores de fundos se relacionam com as empresas nas quais investem, que tipos de investimento são, ou que investimentos têm uma abordagem sustentável. Apesar disso, 41% dos investidores portugueses dizem que preferem investir em ativos sustentáveis do que naqueles que não têm em consideração o fator sustentabilidade.

O estudo mostra que apenas um quarto (25%) da população em todo mundo está preocupada com a possibilidade dos investimentos em sustentabilidade comprometerem a rentabilidade, um indicador de que os investidores estão cada vez mais convencidos de que o impacto positivo é compatível com retornos robustos.

Os investidores europeus são os menos preocupados globalmente, com apenas 23% a expressar o seu receio com a rentabilidade decorrente de investimentos feitos em sustentabilidade. Os mais preocupados são os investidores Asiáticos (29%), em particular, os investidores da China (39%), Indonésia (38%) e Tailândia (34%), que consideraram essa preocupação um obstáculo ao investimento.

O estudo confirmou que investir de forma sustentável é uma tendencial que contina a crescer globalmente, particularmente, entre os mais jovens nomeadamente, as faixas etárias que compõem os Millennials (75% globalmente e 71% em Portugal) –, que dizem ter aumentado a sua exposição a investimentos sustentáveis, nos
últimos cinco anos. 71% dos inquiridos entre os 18 e 24 anos confirmaram-no,  enquanto outros 75% entre os 25 e os 34 anos disseram o mesmo. Estes indicadores são muito semelhantes em Portugal, com 73% dos inquiridos entre os 18 e os 24 anos a confirmá-lo e 70% dos que têm entre 25 e 34 anos a dizerem que também aumentaram os seus investimetnos.

Globalmente, os mais jovens afirmaram que alocam uma parcela maior dos seus portefólio a fundos de investimento sustentáveis, com os Millennials a investirem 41% dos seus fundos dessa forma, por comparação aos 34% das pessoas com 37 ou mais anos. Em Portugal, os resultados são 43% e 36%, respetivamente.

No fundo, os investidores que consideram ter um conhecimento superior sobre investimentos têm mais probabilidade de investir em sustentabilidade. Em Portugal, aqueles que consideram ser especialistas ou ter um conhecimento avançado, disseram que investem 46% dos seus fundos em portfólios sustentáveis.

Este último indicador compara com os 35% de investidores que consideram ter um conhecimento básico ou rudimentar, o que quer dizer que a educação pode ser chave na criação de um sistema financeiro mais sustentável – algo a que os legisladores mundiais deverão prestar atenção.

O Global Investor Study da Schroders entrevistou mais de 22.000 investidores, de 30 países, incluindo 500 em Portugal.

Carla Bergareche, Diretora Geral da Schroders

“Este estudo sublinha o rápido crescimento do interesse em investimentos sustentáveis por parte dos investidores (85%), o que quer dizer que os investimentos em sustentabilidade tornaram-se mais importantes para muitas pessoas.”

“É especialmente encorajador verificar que a sustentabilidade, por receio que essa abordagem possa comprometer as rentabilidades.”

“Apesar das diferenças demográficas serem interessantes, é curioso verificar que os investidores com largos conhecimentos têm maior probabilidade de investir em sustentabilidade. Isto mostra que o trabalho que a indústria ainda tem de fazer para educar todos os investidores a propósito dos potenciais benefícios do investimento sustentável.”

““Claramente, ainda existem obstáculos que impedem os investidores de abraçar esta abordagem, destacando-se a necessidade de se melhorar a disponibilidade, a transparência e a recomendação destes fundos”.

Sobre o autor

Filipe Silva

Conteúdo – Rankia Portugal

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