Os três componentes cruciais do investimento sustentável

Os três componentes cruciais do investimento sustentável

Nicholette MacDonald-Brown

 

Nicholette MacDonald-Brown

Responsável pela combinação de ações europeias

 

Scott MacLennan

 

Scott MacLennan

Fund Manager/Research Analyst, European Equities

 

Os fundos sustentáveis têm crescido rapidamente nos últimos anos num contexto de maior consciência ambiental e à medida que a atual pandemia coloca as questões sociais em primeiro plano. Contudo, não existe uma definição padrão de investimento sustentável no setor.

Em termos da nossa abordagem, existem três elementos que consideramos cruciais:

  1. Propósito – o que pensamos que o investimento sustentável pode alcançar em termos de retorno do investimento e de influência no comportamento da empresa;
  2. Pessoas – a avaliação da sustentabilidade é muitas vezes uma questão de discernimento e não pode ser reduzida a pontuações ou classificações fornecidas por terceiros;
  3. Processo – reunir o propósito e as pessoas para criar um processo repetível que evolui e melhora ao longo do tempo.

Investir com um propósito

Para nós, o propósito do investimento sustentável é ter um impacto positivo na sociedade e no comportamento empresarial, ajudando simultaneamente os clientes a atingir os seus objetivos de investimento. Significa optar por afetar o nosso capital a empresas que já estão a ser geridas de forma sustentável, ou que estão em transição ou em processo de melhoria do seu perfil de sustentabilidade.

Há um equívoco comum que consiste em considerar que os investidores têm de comprometer as suas aspirações em termos de risco e de retorno a fim de obter um impacto positivo. Acreditamos firmemente que não é este o caso, pois a sustentabilidade é um elemento integrante e não um compromisso.

O investimento sustentável estabelece padrões mínimos de comportamento para as empresas nas quais se investe. Se uma empresa estiver envolvida em atividades ou comportamentos que causem danos graves à sociedade, não há nenhuma avaliação, por mais atrativa que seja, que possa compensar esse impacto negativo. Mas não acreditamos que a determinação destes limites seja prejudicial para os retornos do investimento.

Porque pensamos assim? Em última análise, porque o que procuramos são modelos de negócio sustentáveis. Como investidores em ações europeias, pretendemos investir a longo prazo e avaliar as perspetivas futuras das empresas. Podem expandir os seus negócios? Podem melhorar as suas margens de lucro? Correm o risco de sofrer multas regulamentares ou de ficarem atrás dos seus concorrentes?

Por exemplo, se uma empresa não considerar adequadamente o seu impacto ambiental, corre o risco de ser multada pelos reguladores e de sofrer danos reputacionais entre os seus clientes. Se pagar aos seus colaboradores abaixo da média, poderá ter problemas com a retenção do pessoal e as margens de lucro poderão ser mais baixas no futuro se tiver de aumentar os salários. Por outro lado, as empresas que consideram o seu impacto nas partes interessadas – tais como os colaboradores ou o ambiente – estão em melhor posição para evitar esses riscos.

É importante acrescentar que não estamos simplesmente a investir nas empresas mais sustentáveis de hoje, independentemente das suas perspetivas em termos de preço das ações. Estamos à procura de oportunidades inadequadamente avaliadas, nas quais o preço atual das ações não reflete o potencial da empresa. A identificação dos riscos de sustentabilidade e do potencial de melhoria é um elemento crucial para tentar obter retornos de investimento mais elevados.

Análise impulsionada pelas pessoas

A avaliação dos riscos e oportunidades de sustentabilidade resume-se muitas vezes ao discernimento. É aqui que o apoio da nossa equipa de analistas de ações europeias é inestimável.

Já mencionámos que investir de forma sustentável significa ter um impacto positivo na sociedade e no comportamento empresarial. Ao considerar o impacto de uma empresa, podemos dividi-lo em três categorias:

  1. O que uma empresa faz, em termos dos produtos ou serviços que oferece;
  2. Que custos ou benefícios a empresa impõe à sociedade (que podem não ser imediatamente óbvios). Na Schroders, temos a nossa ferramenta de investimento SustainEx que nos ajuda a fazer esta avaliação; 
  3. Como a empresa se comporta em relação aos seus colaboradores, fornecedores e outras partes interessadas Temos outra ferramenta de investimento – CONTEXT – que nos permite fazer esta avaliação e comparar a empresa com os seus pares.

É importante sublinhar que fazemos estas avaliações lado a lado com a nossa habitual análise financeira. O que concluímos é que fazer perguntas sobre questões de sustentabilidade nos ajuda a adquirir uma compreensão mais profunda de um negócio. Em vez de lidar apenas com a equipa de gestão executiva da empresa, o envolvimento com as questões de sustentabilidade em toda a empresa pode muitas vezes oferecer uma imagem mais clara da vertente operacional de um negócio.

Isto é particularmente importante para nós, como investidores em ações europeias. A Europa como região é mais avançada do que a maioria no que respeita a relatórios de sustentabilidade. Mas tal faz com que seja ainda mais crucial que analisemos se uma empresa trata a sustentabilidade como um mero exercício de preenchimento de quadrículas ou se é realmente parte integrante do negócio.

Em vez de depender de ferramentas pouco precisas, como pontuações fornecidas por terceiros, como a Sustainalytics, as conversas que nós e os analistas temos com as empresas permitem-nos criar uma imagem diferenciada e voltada para o futuro. À medida que a importância da sustentabilidade aumenta, estas conversas tornam-se cada vez mais uma parceria em que tanto nós como as empresas com as quais colaboramos procuramos formas de melhorar. As perguntas que colocamos podem ajudar a impulsionar o progresso.

Por exemplo, uma empresa pode ter desenvolvido práticas sustentáveis, mas precisa de ajuda sobre a melhor forma de demonstrar esse desenvolvimento. Outras empresas – particularmente as empresas mais pequenas – podem precisar de orientação sobre as melhores práticas.

Por vezes, deparamo-nos com situações em que uma empresa não está a seguir as melhores práticas numa determinada questão de sustentabilidade. Mas em vez de apresentarem um sinal vermelho automático, os nossos analistas podem dialogar com a empresa para descobrir se há um motivo válido. Esta capacidade de discutir as áreas cinzentas em matéria de sustentabilidade é essencial, na nossa opinião, e não é aproveitada se confiarmos apenas nas avaliações de terceiros. Constatamos também muitas vezes que uma conversa sobre questões de sustentabilidade com uma empresa pode ajudar-nos a compreender questões semelhantes enfrentadas por outras empresas.

Um processo repetível

Combinamos o nosso propósito, ferramentas e perceções num processo de avaliação da sustentabilidade voltado para o futuro, repetível e válido em diferentes setores.

É também um processo que resulta quer estejamos a olhar para ações com avaliações baixas, quer para áreas de “crescimento de qualidade” do mercado. As empresas com crescimento de qualidade tendem a ter retornos consistentes e isto é geralmente visto como uma marca de sustentabilidade. Mas as empresas com avaliações baixas também podem ser investimentos sustentáveis.

Destacamos os bancos como um setor pouco valorizado que tem de fazer face a muitas questões espinhosas de sustentabilidade. Nestas incluem-se a quem concedem empréstimos e que atividades podem estar a financiar, bem como a segurança dos clientes devido ao crescimento dos serviços bancários online. Há poucas respostas fáceis, mas os bancos estão conscientes dos riscos em termos de multas e de danos reputacionais quando as coisas correm mal. O seu entendimento a respeito da sustentabilidade é, por conseguinte, mais avançado do que os preços das suas ações podem sugerir.

Fundamentalmente, o nosso processo pode evoluir à medida que as questões de sustentabilidade ganham importância para os clientes e para a sociedade em geral. Por exemplo, a pandemia deixou clara a importância de cadeias de abastecimento resilientes e do tratamento dos colaboradores. “Acreditamos que os padrões de sustentabilidade irão aumentar com o tempo, mas a melhor prática de hoje pode ser o mínimo de amanhã.” O nosso processo tem a capacidade de evoluir e melhorar, permitindo-nos continuar centrados no futuro e nas melhores oportunidades inadequadamente avaliadas que pudermos encontrar.

O valor dos investimentos e o rendimento proveniente destes podem diminuir ou aumentar e os investidores podem não recuperar os montantes originalmente investidos.

 Conteúdo elaborado pela Schroders.

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Sobre o autor

Scott MacLennan and Nicholette MacDonald-Brown

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