Perspectivas e estratégias para o 3 trimestre de 2017

Depois de 10 anos de experiencias com a politica monetária, a retirada do crédito dos mercados globais está a tornar-se em uma realidade-

Liderados pelas subidas das taxas de juros, da Reserva Federal dos USA, os bancos centrais de todo o mundo, exploram saídas para os seus programas de flexibilização (Banco do Japão ) ou começam a falar de redução  ( Banco Central Europeu ).

Como a expansão do crédito tem sido a premissa básica da politica monetária e económica desde 2008, uma combinação do endurecimento desta politica juntamente com a diminuição do ” impulso de crédito ” nos USA e na China e a ausência de novas reformas ou estímulos fiscais, levam-nos a pensar na possibilidade real de uma desaceleração significativa até final do ano.

Steen Jakobsen, economista chefe e CO do Saxo Bank, disse: ” Enquanto nós colocamos as chances de uma recessão econômica global em 60%, vale a pena notar que, desde a década de 1920 o custo da recessão para os investidores tem sido o 33% em média. com o crédito como o único ingrediente usado para estimular a economia global nos últimos 10 anos, os investidores devem prestar atenção a quaisquer mudanças no preço do dinheiro (crescente), aumento do crédito (decrescente) e o preço da energia (decrescente) para entender a direção da economia global. Com o aumento do risco de recessão, esperamos que o ciclo de aumento das taxas termine e que a inflação seja mais baixa, dando lugar a um excesso de rentabilidade para a renda fixa e ouro, com algum risco para as ações”

Europa: quanto tempo poderá resistir à desaceleração do crédito global?

Um menor risco politico e um bom desempenho económico favoreceram um aumento das entradas de capital na zona euro. O Retorno dos investidores aos ativos europeus também se explica devido ao medo de uma correção no mercado dos USA. No entanto, um renascimento, do capex ainda não é uma realidade, uma vez que as empresas estão à espera de mais pistas sobre a direção da economia global.

Apesar do otimismo prevalecente na zona euro, os mercados não acreditam que os bancos centrais possam cumprir com os objetivos de inflação. Em consequência, é provável que o BCE tenha dificuldades para anunciar o tappering em setembro, mais uma prova de que a atividade económica da zona euro, segue de forma fragilizada. Para os investidores, a verdadeira questão é saber durante quanto tempo será a zona euro capaz de resistir à desaceleração do impulso global do crédito e se poderá converter o otimismo atual num aumento de benefícios, para evitar que o final de ciclo económico dos USA encurte a recuperação ”

Renda Variável: Preferimos Europa e Japão

Se a nossa previsão de desaceleração para o terceiro trimestre estiver correta, então, saúde, bens de consumo e serviços públicos provavelmente serão os sectores com melhores rendimentos durante o terceiro trimestre. Além disso, devido à desaceleração da China, esperamos que as ações dos mercados emergentes tenham finalmente um rendimento inferior também devido à pressão em que se encontra o sector de matérias primas. Na verdade, as valorizações das ações das energéticas continuam a refletir expectativas excessivamente altas para uma recuperação dos preços de petróleo. O Sector da tecnologia continua a ser um dos poucos de crescimento em torno do ambiente macro atual, mas as valorizações têm vindo a aumentar e a expansão múltipla, n continuará.

Esperamos uma desaceleração nos USA e India onde o impulso do crédito é negativo, enquanto na Europa, onde o impulso do crédito continua a ser positivo, esperamos que as ações continuem a manter a tendência com novas entradas. Por ultimo, as ações japonesas continuam com um peso excessivo devido à melhora macroeconómica e avaliações atrativas.

Divisas: Cuidado com a volatilidade

A incapacidade de Trump para colocar em marcha as suas politicas e a sua confrontação sem êxito com Washington anulou quase por completo o potencial do ” Trump Trade “. O USD continua caro e provavelmente enfrentará ventos contrários, sempre e quando o ” Goldilocks Trade ” aumentar no terceiro trimestre, embora com estas complicações e com um aumento da volatilidade o tradicional papel de segurança americano poderia ser transformado num sólido apoio.

A ascensão do euro pode desaparecer quando a volatilidade do mercado acelerar, em parte devido porque o entusiasmo pela moeda única se construiu sobre uma historia positiva, e os nossos focos de incerteza para o trimestre não se encaixam bem com isso mesmo. No entanto o EURUSD pode ir para testar os 1.1500, zona de resistência em 2015-16, embora não baralhemos subidas importantes para além desse nível.

China: O mercado está nas suas mãos

Estamos preocupados com a falta de impulso de crédito na China e no facto de que os mercados parecerem ignorar que 35% do crescimento mundial é derivado da região. Uma potencial falta de crescimento na China, seria, bastante doloroso, mas em termos de renda fixa, a maior preocupação esteja relacionada com a caída dos preços das matérias primas, potencialmente criado por essa mesma desaceleração.

Devemos ser cautelosos, especialmente no que diz respeito à exposição de obrigações dos mercados emergentes. Os desafios relacionados com a qualidade de crédito, a falta de impulso do crédito e a capacidade dos países emergentes em fazerem frente aos choques externos, poderia levar uma crise de crédito súbita, alimentando as vendas contra os medos da falta de liquidez.

OPEP: triunfará ou fracassará?

A Capacidade da OPEP para reduzir as exportações devia ser compensada pela necessidade de manter mais reservas próprias de petróleo para satisfazer a crescente procura doméstica durante os meses do pico do Verão. Nos USA o aumento de produção durante o segundo trimestre reduziu-se em mais de metade em comparação com o primeiro trimestre, um primeiro sinal de que os produtores americanos não estão preparados ou não são capazes de manter uma produção a qualquer preço. Estes acontecimentos deram a OPEP uma oportunidade; se for bem-sucedido, o preço do crude BRENT provavelmente regressará a $55 dólares americanos / b durante os próximos meses, antes da fraqueza de 2018 seja restaurada e antes de um potencial risco no aumento da produção se a OPEP e a Rússia não fizerem um pacto para estender os cortes de produção além do primeiro trimestre de 2018.

Mantemos uma perspetiva otimista para o ouro baseada na crença de que o risco para a economia dos USA se encontra atualmente inclinada por baixo. Isto favorece que o FOMC seja demasiado otimista com as subidas das taxas.

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