Perspectivas e factores de risco na zona Euro e Portugal

factores de risco na zona Euro

Zona Euro

Perspectivas

– O ritmo de crescimento económico na área do euro em 2017 deverá ser superior ao observado no ano transacto, suportado pela procura doméstica. A actividade económica deverá tirar partido dos efeitos de algumas das políticas de impulso do ano passado, nomeadamente as condições financeiras mais favoráveis e preços do petróleo relativamente baixos, aos quais se junta a recuperação do mercado laboral. A este dinamismo, é esperado que se junte a melhoria da confiança dos agentes económicos, em linha com um contexto em que os riscos para o crescimento económico são agora mais equilibrados.
A estimativa rápida do Eurostat revelou um ritmo de crescimento de 0.6% q/q e de 2.1% y/y no 2T de 2017, confirmando estas expectativas positivas.

Inflação – A inflação deverá reflectir um comportamento mais benigno na segunda metade do ano, sendo provável que atinja taxas mais baixas
do que as registadas nos primeiros meses de 2017 (em Julho, a taxa de inflação homóloga, de acordo com a estimativa do Eurostat, manteve-se em 1.3%; a inflação core aumentou para 1.3%). Ainda assim, deverá registar para o total do ano níveis mais favoráveis do que os registados no passado recente. O comportamento dos preços será determinante para moldar as expectativas de mercado relativamente à política do BCE.

Factores de Risco

– Questões de ordem política interna: eventual incerteza política na Europa, em linha com a possibilidade de eleições antecipadas em Itália; possibilidade de alastramento do apoio a movimentos mais extremistas e isolacionistas; eleições na Alemanha; negociações e efeitos do referendo
britânico.
– Factores de incerteza global: Administração Trump; normalização monetária nos EUA; desaceleração da actividade económica na China; instabilidade política na Turquia.
–  Questão dos refugiados.
– Intensificar das preocupações relativas à segurança.
– Adiamento na resolução de questões relacionadas com o sector bancário.
– Eventual início do processo de retirada dos estímulos do BCE, com impacto nos mercados de dívida soberana.
– Pela positiva: efeitos do programa do QE.

Portugal

Perspectivas

Revimos em alta a nossa previsão de crescimento do PIB para 2017:+2.8% e 2018: +2.2%, respectivamente +0.3 p.p. e +0.4 p.p. Esta alteração reflecte sobretudo perspectivas para as exportações e investimento mais robustas, em linha com o cenário para a procura externa dirigida à economia portuguesa e atendendo aos indicadores prospectivos de investimento. Neste contexto, antecipamos que no 2º trimestre se tenha mantido um crescimento bastante acima da tendência recente, podendo a comparação homóloga superar a fasquia de 3% (ritmo mais rápido desde o final de 2007). De referir que os indicadores de actividade e de sentimento de alta frequência continuam a apontar para crescimento robusto no terceiro trimestre embora seja de antecipar desaceleração na comparação homóloga, sobretudo por efeitos de base.

Consumo privado – Suportado pelo bom momento no mercado de trabalho (aumento da taxa de emprego), aceleração pouco acentuada dos preços ao consumidor e evolução positiva do rendimento disponível, beneficiando da gradual redução da sobretaxa de IRS.

Investimento – A redução da incerteza política e o andamento favorável do sentimento dos empresários, transversal a todos os sectores, fazem
prever uma expansão significativa da FBCF, impulsionado também por efeitos de base tendo em conta os mínimos alcançados em 2016.

Exportações – A recuperação cíclica na Europa, destacando-se Espanha, e a retoma do comércio internacional, bem como ganhos de quota de
mercado , têm suportado as vendas ao exterior, sugerindo uma evolução sustentada. O principal risco para este cenário advém sobretudo do
andamento das economias externas, cujas perspectivas se mantêm porora favoráveis.

Factores risco

. Tapering pelo BCE – O risco mais premente prende-se com uma futura redução dos estímulos do BCE em termos de compras de dívida pública, que poderá implicar uma degradação da avaliação do risco da dívida portuguesa, com implicações nos gastos em juros, mas também na dinâmica da economia, com particular incidência no investimento. Estima-se que as aquisições de dívida pelo BCE tenham representado mais de 60% das colocações de nova dívida pelo Estado, em 2016. No 1S2017, o BCE comprou 37% das emissões brutas.

Envolvente externa – A envolvente financeira global pode deteriorarse e regressar um ambiente de maior aversão ao risco, com potenciais implicações negativas nos custos de financiamento do Tesouro português e das empresas nacionais. Recorde-se que as necessidades de financiamento
públicas permanecem avultadas.

– Pela positiva – Uma eventual alteração da notação de rating teria um efeito propulsor significativo, na medida em que permitiria a ancoragem
dos custos de financiamento em níveis mais confortáveis. Depois da melhoria do outlook da Fitch, a probabilidade de uma melhoria do mesmo
pelas restantes agências aumentou, atendendo igualmente à redução de desequilíbrios (menor dívida das famílias, resolução progressiva dos
problemas na banca, excedente externo sustentado, superavit público primário, maior robustez no crescimento económico)

Fonte: BPI

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