Portugal financia-se a 10 anos com um custo mais baixo

Portugal financia-se a 10 anos

Portugal regressou esta manhã ao mercado de dívida de longo prazo, levantando 850 milhões de euros, dentro do intervalo indicativo entre 750 milhões e mil milhões pretendido pelo IGCP.

Apesar da dívida a 10 anos ser muito sensível a futuras mudanças nas taxas de juro de referência na Zona Euro, os investidores demonstraram forte procura no leilão, tendo registado um bid/cover de 2,06 vezes. O desempenho sólido de Portugal em vários indicadores macroeconómicos recentemente publicados, como a inflação e o crescimento do emprego, motivou os investidores a ter confiança em Portugal, bem como a melhoria das perspectivas futuras atribuídas pela Moody’s a Portugal.

O grande destaque do leilão foi a taxa média exigida, que se fixou nos 2,785%, abaixo dos 3,085%, registado no leilão de Julho. Foi a taxa mais baixa em leilões a 10 anos desde Janeiro de 2015.

O clima favorável vivido por Portugal nos planos macroeconómico e internacional foi muito relevante para a diminuição do custo de financiamento nesta operação.

O resultado deste leilão é positivo, se considerarmos que esta manhã houve muita concorrência no mercado primário de dívida pública na Europa, com a Itália, a Alemanha e o Reino Unido a emitir títulos a 10 anos.

Por toda a Europa, nota-se que os países estão a aproveitar para emitir dívida antes do BCE reduzir o programa de compra de activos, que poderá ser anunciado já em Outubro. A Áustria, por exemplo, iniciou ontem a colocação de mil milhões de euros em obrigações a 100 anos, tendo recebido já interesse de investidores superior a 6 mil milhões e prevendo-se uma taxa em torno de 2,1%. A Finlândia iniciou ontem a colocação de obrigações a 3 anos.

Ainda assim, uma provável redução do ritmo mensal de compra de activos por parte do BCE não deverá ter um impacto expressivo na compra de títulos portugueses.

A emissão a 10 anos deve-se ao interesse do IGCP em criar mais liquidez nas Obrigações do Tesouro num ano em que Portugal tem menos capital a reembolsar e juros do que nos anos anteriores, como mostra o gráfico:

Sobre o autor

Steven Santos

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