¿Possível borbulha de gestão passiva? Entrevista a Pedro Coelho de UBS

Nesta entrevista o diretor da UBS ETF em Espanha e Portugal Pedro Coelho, explica o crescimento do gerenciamento passivo e das estratégias Smart Beta significam uma mudança no setor entre outros assuntos de gestão passiva.

Como a gestão ativa afetará o crescimento da gestão passiva?

Actualmente, apenas 7% da indústria de gestão de activos na Europa está concentrada em instrumentos como os ETF, o que nos leva a pensar que o potencial de crescimento deste tipo de fundos é bastante grande. Por outro lado, o mesmo mercado, mas nos EUA, apresenta-se muito mais desenvolvido, com um valor total já superior a $3 biliões, o que compara com $700 mil milhões referentes ao mercado europeu.

Com base neste panorama, pensamos que os ETF constituem uma excelente ferramenta para os investidores que queiram construir as suas carteiras de distribuição de activos com base em instrumentos liquidos, transparentes e de baixo custo. A adopção deste tipo de instrumentos tem aumentado o leque de opções disponiveis para os investidores e a diversificação adicional que proporcionam terá provavelmente um resultado positivo sobre o resultado final gerado pelas suas carteiras.

O Smart Beta ETFs é o futuro da gestão de ativos? Quais são as estratégias obtêm os melhores retornos?

Com a crescente popularidade de Smart Beta como tema de investimento e a grande quantidade de soluções disponíveis no mercado, os investidores avaliam agora a melhor forma de adicionar este tipo de estratégias ás suas carteiras. Uma delas é investir através do uso de estratégias com exposição a apenas um factor, como Value, Quality, Dividendo, Low Volatility, etc., todos estes disponiveis através de ETF. Este tipo de estratégias proporciona flexibilidade aos investidores no momento de escolher entre um ou vários factores, consoante o momento de mercado durante o ciclo económico ou em face de alterações na valorização dos mesmos. Também existem ETF que combinam vários factores, o que proporciona uma relação entre a rentabilidade e o risco mais equilibrada. Sobre a rentabilidade, esta depende em grande medida do ciclo de mercado. Por exemplo, empresas de diferente tamanho (capitalização) podem apresentar comportamentos diferentes durante o ciclo económico. Particularmente, as empresas de menor tamanho apresentam maior risco sistemático, pelo que podem oferecer rentabilidades superiores ás do mercado em geral em períodos de estabilidade económica.

Finalmente, os índices multifactoriais têm conseguido demonstrar que é possível combinar volatilidades mais baixas com rentabilidades mais altas, o que se pode ficar a dever, sobretudo, aos beneficios inerentes a uma maior diversificação das fontes de rentabilidade que este tipo de estratégias apresenta, uma vez que as rentabilidades dos factores quando consideradas de forma individual não estão muito correlacionadas.

Existem atualmente mercados muito eficientes em que poucos gestores podem vencer os índices, em que mercados você acha melhor indexar do que apostar na gestão ativa?

Em termos gerais, na UBS AM apostamos pela complementaridade no que diz respeito à discussão entre a gestão activa e a passiva. Pensamos que ambos os estilos de gestão podem desempenhar um papel importante nas carteiras dos investidores e colocamos o foco na necessidade de conhecer extensivamente a natureza, qualidade e objetivos dos instrumentos seleccionados. Se um investidor for capaz de identificar fundos de gestão activa que superem os seus indices de referência de forma consistente, porque não deveriam incluir-los nas suas carteiras? O que realmentese  passa é que grande parte dos fundos de gestão activa actualmente disponíveis não têm sido capazes, pelo menos consistentemente, de bater os índices, o que tem aumentado o descontentamento de muitos investidores. Este é mais um factor que explica o forte crescimento da gestão passiva, em paralelo com a questão dos custos, cujos níveis demasiado altos na gestão activa apenas se justificariam para os fundos que realmente se tenham conseguido diferenciar dos seus índices de referência.

O problema é que alguns dos fundos autodefinidos como activos, em realidade, não o são, e cobram comissões de gestão sem serem capazes de bater os seus índices de referência. Segundo datos do SPIVA (S&P Indexes vs Active) Institutional Scorecard, dentro das estratégias de grande capitalização para ações norte-americanas, 84,6% dos fundos e 79,6% dos mandatos institucionais não foram capazes de bater o índice S&P500, liquido de comissões. Se ampliamos a análise e incluimos as empresas de menor capitalização, mais de 80% de ambos os veículos obteram piores resultados que o S&P SmallCap 600, com independência das comissões.

John Bogle disse que prevê “caos, catástrofe” nos mercados se todos estiverem indexados, um aumento maciço na indexação poderá ser perigoso?

Últimamente existe muita discussão sobre a existência de uma possível borbulha no campo da gestão passiva. Sobre este asunto, pensamos que o momento actual é simplesmente um momento de transição a um maior equilibrio entre os dois tipos de gestão. Se analisamos o que se passava há 25 anos atrás, 98% da indústria de gestão de activos estava concentrada em estratégias de gestão activa, o que agora entendemos que foi o auge desta industria. Nesta persectiva, não é dificil compreender que a gestão passiva ganhe quota de mercado e que naturalmente nos dirijamos a um ponto mais equilibrado. Neste sentido, será interessante analisar uns gráficos recentemente publicados pela Bloomberg, que mostram as suas previsões para a evolução de ambos os tipos de gestão:

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Sobre o autor

Filipe Silva

Conteúdo – Rankia Portugal

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