Qual é o futuro do sector bancário?

Opinião de Paul Gurzal director de crédito Française AM.

O Banco Popular e seu sector bancário sofreram a sua segunda falência bancária em poucas semanas . Desta vez foram dois bancos da região de Veneto, Banca Popolare di Vicenza e Veneto Banca, cuja solidez financeira tem estado sob forte pressão, durante vários trimestres  devido a numerosos prestados que foram demasiado morosos e mal provisionados que têm minado os rácios de solvência de ambos os bancos. Esta situação ocorreu apesar das repetidas intervenções do fundo Atlante.

Na sexta feira dia 23 de Junho, o BCE disse que os dois bancos venezianos se encontravam numa situação bastante complexa. Como são bancos de pequena escala, não sistémicos o Concelho de Adjudicação único do BCE decidiu permitir que as autoridades italianas os liquidassem.

Primeiro os acionistas  e os detentores de divida subordinada sofreram o impacto do custo em liquidar os bancos e separar os mesmos em apenas um banco, o dos empréstimos morosos seguindo o exemplo do Banco Espírito Santo e indicando que as taxas de recuperação serão indubitavelmente escassas.  Os pequenos titulares individuais de divida subordinada podem encontrar uma compensação, mas a proporção de tempo que tenham de esperar para o conseguir, é ainda desconhecida.

Situação do Intensa Sanpaolo

Em segundo lugar, Intesa Sanpaolo- o principal banco italiano, vai comprar as partes ” saudáveis ” do saldo dos dois bancos por apenas um euro, o que significa que conseguirá:

  • 26.100 milhões de empréstimos saudáveis e 4.000 milhões de crédito vigente mas, arriscado (totalizando cerca de 8% da carteira de crédito do Intesa Sanpaolo) ;
  • 8.900 milhões de outros ativos financeiros;
  • 1.900 milhões em ativos fiscais;
  • 25.800 milhões de recursos de clientes (depósitos );
  • 23.000 milhões em economias fora de equilíbrio (depósitos indiretos ) ;
  • 11.800 milhões de divida sénior emitida pelos dois bancos;
  • 960 filiais com cerca de 10.840 funcionários.

Isto é capital neutro para a Intesa Sanpaolo, já que o governo italiano pagará cerca de 4.800 milhões para cobrir os custos de recapitalização e reestruturação (encerramentos de filiais e duplicações ) nos ativos adquiridos e fornecimento de garantia publica em 1.500 milhões em relação a qualquer contingência legal . O Governo Italiano também se comprometeu até 12.000 milhões contra potenciais perdas da carteira de empréstimos saudáveis recentemente adquirida. Finalmente Intesa poderá transferir:

  1. Um fundo criado pelas principais instituições italianas, incluindo o Unicredit e Intesa Sanpaolo, para recapitalizar os bancos com problemas e comprar os seus maus empréstimos.
  2. https://www.bankingsupervision.europa.eu/press/pr/date/2017/html/ssm.pr170623.en.html
  3. https://srb.europa.eu/en/node/341
  4. http://www.group.intesasanpaolo.com/scriptIsir0/si09/contentData/view/content-ref?id=CNT-05–00000004DDFB6

Qualquer dos empréstimos atuais mesmo que arriscados ( total de 4.000 milhões de euros ) ao banco ” mau ” se a sua qualidade se danificar antes de 2020.

Esta resolução em relação à crise dos bancos venezianos, é em nossa opinião uma boa noticia para o sector bancário italiano. Em primeiro lugar, os balanços de dois bancos não viáveis  foram limpos e transferidos para uma instituição mais sólida. Para o comprador intesa, o acordo foi feito em termos muito vantajosos, sem danificar os rácios de solvência.

Finalmente os credores, séniores dos dois bancos pequenos sobreviveram apesar de tudo. Esta situação acaba por acalmar os maiores medos relativamente a um contágio, já que deles fazem parte muitos clientes individuais.

O próximo obstáculo na reforma do sector bancário italiano é a Banca Monte Dei Paschi di Siena. A 1 de Junho , a Comissão Europeia aprovou uma recapitalização preventiva que permitiu ao banco aceder a ajuda estatal  e salvaguardar os interesses dos credores sénior, ao baixar os seus empréstimos morosos ao fundo Atlante ( as negociações ainda se encontram em curso ).  Mais uma vez, os detentores da divida sénior e os acionistas sofreram o impacto, de acordo com a lei europeia, como condição para a desbloquear, auxílios, estatais.

A luz recente dos últimos acontecimentos, reafirmamos uma vez mais a nossa filosofia de tomar apenas posições ” premium ” em divida subordinada, já que as taxas de recuperação em caso de um ” default ” estão perto de zero de divida em ambos os níveis 2 e 1 adicional. A Única divida subordinada que mantemos no fundo de La Francaise AM é Intesa Sanpaolo e Unicredit. Ambos os nomes foram ontem impulsionados pela ação das autoridades europeias e italianas, a sua força financeira saiu reforçada significativamente nos últimos trimestres.

O conteúdo desta apresentação não constitui uma oferta ou solicitação para investir nem um conselho de investimento, nem uma recomendação  para fazer um investimento especifico. A informação, opiniões e dados numéricos são considerados bem fundamentados e precisos no dia em que a apresentação foi escrita ^`a luz das circunstancias económicas, financeiras e do mercado de valkkores no momento e refletem a visão destes mesmos dados do Grupo Francaise nos mercados e Tendências.

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Sobre o autor

Filipe Silva

Conteúdo – Rankia Portugal

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