O regresso de Portugal ao mercado de dívida

Portugal financia-se a longo prazo com êxito e suportando juros mais baixos

Portugal regressou esta manhã ao mercado de dívida de longo prazo, levantando 1250 milhões de euros, no topo do intervalo indicativo entre 1000 milhões e 1250 milhões pretendido pelo IGCP.

A operação portuguesa encontrou ampla procura, apesar de ser um dia movimentado no mercado primário de dívida, com a Holanda, a Alemanha e os EUA a colocar títulos. A Alemanha colocou menos dívida a 22 anos do que na emissão anterior e com juros menos negativos (-0,26% vs. prev. -0,36%).

Um eventual impacto negativo da turbulência política em torno da Catalunha não se está a sentir na dívida pública portuguesa nem na restante periferia.

A 5 anos, Portugal angariou um montante de 500 milhões de euros a 0,916%, muito abaixo dos juros de 1,198% exigidos no leilão anterior em Junho. A procura diminiu de 3,01 para 2,65 vezes.

Na linha a 10 anos foram captados 750 milhões de euros a 2,327%, abaixo dos 2,785% conseguidos no leilão de 13 de Setembro. A procura recuou ligeiramente de 2,06 vezes para 1,95 vezes. No leilão de Obrigações do Tesouro a 13 de Setembro, Portugal já tinha conseguido baixar os juros exigidos face ao leilão anterior de Julho.

Os investidores demonstraram procura no duplo leilão, com os juros exigidos a baixar em linha com o desempenho da dívida pública no mercado secundário. Factores positivos da situação creditícia de Portugal, como a economia diversificada e a elevada credibilidade institucional, a par da aceleração das exportações e da melhoria da confiança do consumidor, incentivam os investidores a olhar com renovado interesse em Portugal.

O ambiente benigno vivido por Portugal nos planos macroeconómico e internacional foi muito relevante para a diminuição do custo de financiamento nesta emissão a longo prazo. A recente melhoria da notação de crédito pela agência S&P facilita a colocação de dívida no mercado internacional através de leilões.

A colocação de dívida que vence em 2022 e 2017 deve-se ao interesse do IGCP em criar mais liquidez nas Obrigações do Tesouro em anos em que Portugal tem menos capital a reembolsar e juros do que noutros anos, como mostra o gráfico abaixo:

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