Semestre positivo mas futuro contém riscos

– No final do primeiro semestre do ano os principais índices bolsistas fecharam com ganhos, confirmando um sentimento geral positivo. De facto, tanto os principais índices norte-americanos, como europeus e asiáticos mostram uma performance bastante positiva: o Hang Seng da China foi o líder com um ganho acumulado de 17%; seguiu-se o NASDAQ, com uma apreciação de mais de 15% (nítida aposta nas tecnológicas norte-americanas); nos europeus, aparece o IBEX35, o PSI20 e o DAX com ganhos de 12%, 10% e 8%, respectivamente (a recuperação económica nestes países tem pesado na decisão dos investidores); de imediato surgem os norte-americanos S&P500 e DJI com valorizações acima dos 7%; o FOOTSIE200 do Reino Unido é a desilusão da tabela, apresentando um ganho ligeiramente acima dos 2% (o Brexit pesa na decisão de investir, quando existe grande incerteza quanto à performance futura das empresas fora do espaço único europeu).

O segundo semestre repetirá esta performance? O que esta variação referida anteriormente não diz é que em Junho foram alcançados níveis máximos de sempre nos EUA e valores máximos do ano na Europa, encontrando-se o mercado já a realizar um movimento de correcção generalizado. E este movimento de tomada de proveitos, que é normal após uma dinâmica bullish, resulta de alguns sinais de risco na perspectiva dos investidores. O factor decisivo será a actuação futura dos principais bancos centrais, havendo a noção que, para além da Fed que já gere uma política monetária menos expansionista, os restantes bancos centrais terão de iniciar gradualmente uma política semelhante. E foi, de facto, o debate que se gerou recentemente em torno da possível inversão na política monetária por parte do BCE que contribuiu para a formação do já referido  ovimento de correcção, associado a tomada de proveitos após a consolidação da tendência de subida dos últimosmeses. Com a inflação core na Zona Euro em níveis máximos, acompanhando o maior ritmo da actividade económica, espera-se que em Setembro a autoridade central anuncie o calendário de remoção gradual das actuais condições monetárias.

Também, até final do ano (em Dezembro), a Reserva Federal norte-americana deverá voltar a subir os juros. Neste contexto, é previsível que os investidores permaneçam cautelosos e, já que os índices bolsistas se encontram em níveis máximos (de sempre nos EUA e Alemanha; do ano na maioria dos restantes mercados), mostra-se difícil o surgimento de movimentosde compras adicionais ainda mais fortes.

– Interessante é o facto de, no último mês, os investidores no mercado norte-americano terem privilegiado a indústria tradicional (DJI) às tecnológicas (NASDAQ) – desde o início de Junho o DJI valorizou 2.1%, enquanto o NASDAQ perdeu 3.6%. Poderá estar aqui equacionada uma questão de resiliência a condições económicas e financeiras futuras mais exigentes.

Fonte: BPI e Reuters

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