Voltamos a junho 2007? Déjà vu?

Nos EUA, a inflação alcançou um novo máximo e o desemprego caiu para o nível mais baixo desde a última recessão, enquanto o S & P 500 atingiu um novo máximo. Na zona euro, a inflação situou-se na “zona de conforto” do BCE, o desemprego diminuiu e o STOXX 600 também registrou uma nova alta. Dejavu? Esta análise econômica poderia corresponder a junho de 2007.

Como no filme ‘Matrix’, que nos assalta numa sensação de déjà vu, que, no caso da sua personagem principal, Neo, corresponde ao momento exato em que ele se recarga à matrix” e começa uma nova sessão com novas regras. Uma das principais diferenças entre 2007 e agora é o papel dos bancos centrais. Os balanços têm aumentado substancialmente nos últimos dez anos e as taxas de juros têm experimentado uma mudança radical. Com este novo padrão em mente, parece lógico perguntar o que podem fazer os bancos centrais na próxima vez que houver uma recessão.

Deixando de lado os bancos centrais e as consequências da crise que ainda afectam os investidores, junho de 2007 foi um marco que mudou as nossas vidas e as das gerações futuras: o primeiro iPhone foi dado a conhecer ao grande público. Este dispositivo encarnou a revolução da Internet e comunicações, bem como destacou a alta confiança e complacência nos anos antes da crise. Numa questão de semanas, essa confiança foi quebrada.

Em agosto de 2007, o BNP Paribas congelou fundos de 2.200 milhões de dólares por receio das hipotecas subprime dos EUA. Em dezembro do mesmo ano, a economia dos EUA caiu na mais grave recessão desde a Grande Depressão. Em 15 de setembro de 2008, testemunhamos o colapso do Lehman Brothers. A crise do crédito subprime adquiriu uma dimensão internacional e arrastou a economia global. Fizeram-se grandes progressos desde os piores momentos da crise, e é incrível a eficácia dos bancos centrais e governos em combater as forças pessimistas vigentes de então.

Uma medida de medo e de confiança (ou “complacência”) proporcionou o índice VIX, que mede a volatilidade do mercado de renda variável dos Estados Unidos. Atualmente é a 14ª vez em 27 anos que esse índice cai abaixo dos 10%, indicando um alto grau de confiança ou complacência. Mais uma vez, déjà vu. É um nível observado a cada dois anos, em média; mas desta vez, foi observado cinco vezes em quatro semanas. Um período de baixa volatilidade, não significa um acidente ao virar da esquina. No entanto, junho de 2007 faz nos recordar que os números podem virar a qualquer momento.

Não há nenhuma razão para antecipar uma mudança repentina, mas a lista de riscos identificados permanece longa. Entre os quais destaca-se o risco apresentado pela Itália para a zona euro, o abrandamento da economia Norte Americana e os desequilíbrios da China. Estes riscos compartilham pelo menos um denominador comum: um alto nível de dívida pública ou privada. Se tivéssemos de manter o controle de uma única variável seria o nível das taxas de juro. Dejavu? Veremos.

Yves Longchamp, chefe de pesquisa de ETHENEA investidores independentes (Schweiz) AG

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Sobre o autor

Fabio Rodrigues

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