A reforma fiscal dos EUA é um catalisador para o mercado de acções

Peter Garnry, chefe de estratégia de renda variável no Saxo Bank

  • Os benefícios operacionais líquidos aumentarão 20% a nível nacional
  • Um imposto de repatriação incentivará a que as empresas com dinheiro
    no exterior, regressem aos USA para comprar acções
  • As empresas continuarão a transferir os seus lucros para as empresas
    holding em países europeus com baixos impostos
  • As empresas podem ter que reavaliar os seus dividendos
  • As consequências a curto prazo podem ser positivas para o USD

Acreditamos que uma reforma fiscal nos EUA será um catalisador de curto prazo para a renda variável e será um impulso particularmente importante para as pequenas e médias empresas.

Este sábado, o Senado dos EUA aprovou a sua versão do projecto da lei de reforma Tributária. Isso não significa que a reforma tributária seja uma lei, mas a partir  daqui o processo deve ser em grande parte uma formalidade e é provável que vejamos um novo pacote de impostos antes do final do ano. A Câmara de Deputados dos Estados Unidos aprovou uma versão diferente do projecto de lei que havia sido aprovada pelo Senado, as duas versões terão que ser reconciliadas e aprovadas antes de serem promulgadas pelo presidente Trump.

A redução de impostos beneficiará especialmente as empresas com um mais orientação nacional, porque será positivo em termos de fluxo de caixa disponível após impostos. Com a taxa de impostos corporativos com reduções de 35% para 20%, os benefícios operacionais líquidos aumentarão 20% a nível nacional.

Entre os sectores que estão no alvo da reforma tributária americana encontra-se o sector tecnológico, já que se poderia impor um imposto de repatriação de 12%. Este imposto incentivaria as empresas com dinheiro no estrangeiro a regressar aos EUA. Estima-se que cerca de 2,5 biliões de dólares  americanos encontram-se no exterior e que cerca de 50% desse dinheiro voltaria a casa, sendo utilizado para a compra de acções.

A reforma fiscal dos EUA não foi projectada para mitigar as lacunas das leis fiscais europeias, por isso as empresas continuarão a transferir os seus lucros para empresas holding em países europeus com baixos impostos e, em seguida, para os paraísos fiscais.

Pense numa empresa americana listada com uma alta percentagem das vendas nos EUA e com PER muito baixo que paga um dividendo bastante elevado: Esta é uma empresa com um baixo nível de perspectivas de crescimento, mas com uma margem de lucro sólida. O dividendo que uma empresa como esta pode distribuir quando a sua taxa de imposto é reduzida de 35% para 20-22% requer uma enorme reavaliação, uma vez que os investidores se irão mover para receberem os lucros que agora não se acumulam sob a forma de receitas fiscais.

A reforma fiscal e o dólar

Embora tenhamos fortes preocupações a longo prazo sobre os efeitos da reforma tributária no deficit dos EUA e na conta corrente dos EUA,  as consequências a curto prazo podem ser positivas para o USD. Por exemplo, o EURUSD poderia perder a área de 1.1800.

Na minha opinião a enorme isenção de impostos que caem nas maiores receitas provavelmente não alimentarão mais do que um impulso marginal para o crescimento da Economia americana

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Rankia

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