Para os mercados, as expectativas são o mais importante

Mais uma vez, parece haver um desfasamento entre os acontecimentos políticos, económicos e sociais nos Estados Unidos e o comportamento dos mercados financeiros. Nas últimas semanas, têm existido alguma agitação política nos Estados Unidos, provas de uma economia em declínio e uma perceção crescente de que existe um risco de agitação social. No entanto, os preços dos índices continuam a ter um desempenho espetacular.

Impacto das expectativas na atual valorização dos índices

A atual situação económica tem estado a agravar-se e é provável que se agrave ainda mais. Sabemos que as despesas dos consumidores diminuíram em novembro e que as vendas a retalho e o emprego diminuíram em dezembro. É altamente provável que estas tendências se devam ao aumento do número de infeções e ao seu impacto no comportamento dos consumidores. Tendo em conta as tendências atuais em infeções, hospitalizações e mortes, é razoável esperar um novo declínio da atividade económica em janeiro e, possivelmente, também depois disso. O comportamento dos mercados de capitais é, também por isso impressionante.

Existem, no entanto, explicações razoáveis para o comportamento dos mercados. Teoricamente, os preços dos índices devem refletir as expectativas sobre o futuro e não sobre a situação atual. E recentemente, houve eventos que impulsionaram as expectativas sobre o crescimento económico futuro. Estes incluíam o lançamento da vacina e a mudança de expectativas sobre a provável combinação política da nova administração dos EUA – talvez o mais importante tenha sido a maioria atingida no Senado pelo partido democrata. Embora a notícia desse evento tenha sido em grande parte eclipsada pelos acontecimentos no Capitólio, Joe Biden prepara o cenário para uma provável mudança na política fiscal. Especificamente, com o controlo do Senado, os democratas controlarão a ordem do dia e poderão votar medidas fiscais adicionais. Muitos investidores esperam que isso tenha um impacto favorável na atividade económica protegendo as famílias e as empresas em dificuldades financeiras. A ausência de novos estímulos significaria que, quando as medidas atuais expirassem em março, milhões de famílias provavelmente enfrentariam problemas, tendo assim um impacto negativo na atividade económica global.

Apesar dessas boas notícias, um Congresso controlado é provável que faça algumas coisas que não são consideradas populares para a maior parte dos investidores. É provável que incluam o aumento da mais alta taxa de imposto sobre o rendimento, o aumento da taxa do imposto sobre as empresas e a nomeação de reguladores que possam impor novos custos às empresas. Normalmente, a expectativa de tais políticas teria um impacto negativo capitalização bolsista. Curiosamente, os investidores têm posto de lado tais preocupações devido à necessidade esmagadora de utilizar a política fiscal para evitar um novo colapso.

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Sobre o autor

Frederico Aragão Morais

Market Analyst da TeleTrade

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