Como Criar um Fundo de Investimento

criar um fundo de investimento

Nos mercados financeiros de hoje em dia, um fundo de investimento (portfólio) bem gerido é fundamental para o sucesso de qualquer investidor. Como um investidor individual, precisa saber como determinar uma alocação de ativos que melhor se adapta aos seus objetivos de investimento, pessoal, e tolerância a riscos (perder capital). Os investidores podem construir portfólios alinhados às suas estratégias de investimento

Vou indicar alguns passos fundamentais para essa abordagem

Definir os seus objetivos e metas é a primeira tarefa. Itens importantes a serem considerados:

  • Período a investir
  • Necessidade de capital investido no futuro
  • Objetivo de rendibilidade, ou que projeto está a pensar gastar com o dinheiro alocado

A segunda tarefa é saber o seu perfil e tolerância ao risco.

Está disposto a arriscar algum dinheiro pela possibilidade de maiores retornos?

Todos gostariam de colher altos retornos ano após ano, mas se não consegue dormir quando seus investimentos registam uma queda de curto prazo, é provável que os altos retornos desses tipos de ativos não são adequados a si.

Como obter retornos grandes

Implica assumir maiores riscos. A obtenção deste tipo de rentabilidades necessita de escolher títulos com maior volatilidade que o mercado. Se o mercado cai, é trivial que o fundo também siga o mesmo caminho.

Ações a escolher

Em termos estatísticos, vai ter que escolher ações com um Beta maior (correlação com o mercado), ou com um alto dividend yiel (dividendo /preço da ação), ou empresas de capitalização bolsista mais baixo.

As empresas de baixa capitalização bolsista, ou que podem ser ou não novas no mercado, permitem ao investidor um elevado crescimento* do valor destes títulos. Hoje as empresas tecnológicas oferecem essa oportunidade (startups).

*depende – é preciso aqui uma análise qualitativa da empresa, como os produtos/serviços que a empresa dispõe e as expetativas que estes terão no futuro

As minhas escolhas: Empresas do Nasdaq 100 – volatilidade mais elevada que os outros índices, boas taxas de crescimento, empresas altamente inovadoras e resilientes, empresas que em momentos de crise prestam serviços ou vendem produtos adequados ao momento.

No mesmo periodo, a evolução do indice global dos EUA, S&P 500 teve uma valorização de 105%. Demonstra que o setor tecnológico apresenta uma volatilidade superior.

Obrigações a escolher

No mercado obrigacionista existe algumas estratégias que gosto de seguir:

  • Um país entra em crise financeira e está aplicar um programa de ajustamento. Devemos fazer uma análise para saber se o programa de ajustamento é viável. Se acreditamos que sim, é uma boa altura para comprar as obrigações soberanas desse país, pois devem estar em mínimos (taxas de juro altas). Se o programa de ajustamento for cumprido com sucesso, vamos verificar uma queda do risco – queda dos juros- e a nossa obrigação vai valorizar! Exemplo das obrigações de Portugal
  • Instabilidade política ou outro fenómeno menos positivo num país. Verificada uma destas situações com moeda não euro, podemos ter estratégias para poder ganhar com a valorização cambial. Adquirimos obrigações da EIB (European Investment Bank) por exemplo, com a moeda e taxa de juro correspondente a essa moeda. Se a nossa análise da “situação de conflito” for positiva, é uma boa compra. Aqui não queremos a valorização da obrigação, mas sim a valorização cambial daquele país.
  • Existem mais estratégias. O essencial é estar atento à atualidade e pegar num acontecimento e criar uma oportunidade para ter alguma rentabilidade com isso.

A minha melhor posição com obrigações de sempre:

Subscrição de obrigações da dívida portuguesa em dólares, na sua emissão em julho de 2014. Neste verão de 2014 foi emitida divida a 10 anos a uma taxa superior a 5%. Já se ouviam rumores sobre a implementação do “Quantitative Easing” por parte do BCE. Com o aparecimento dos rumores e fugas de informação o EUR começou logo a desvalorizar.

Portugal tinha acabado de sair do programa de ajustamento do FMI com seucesso, fazendo que pudesse ir ao mercado financiar-se a taxas mais baixas que o FMI emprestava. Foi obtida uma boa mais-valia com a valorização destas obrigações devido à diminuição do risco.

No gráficos a baixo permite visualizar a estratégia seguida que permitiu em menos de 1 ano rentabilizar mais de 30% numa só operação

Derivados

Podemos usar derivados numa estratégia mais especulativa. Os derivados permitem-nos alavancar o capital a investir (atenção: depois maior o ganho mas também a perda se correr menos bem).

Os derivados não servem só para especular. Permite-nos proteger o capital também.

Por exemplo: Podemos ter o nosso portefólio a valorizar 5% e estamos com medo com possíveis notícias de curto prazo prejudiquem a nossa rentabilidade ou até mesmo afetar o nosso capital.

Possível solução: venda de um futuro sobre o Indice bolsista (ex: S&P 500), e conseguimos manter constante a valorização de 5% num prazo que nós quisermos manter esta proteção.

Preservação de capital

A estratégia que vou indicar é adequada para um perfil de risco mais conservador

Ações a escolher

Nesta situação a melhor solução é a escolha de ações menos voláteis, como as do setor energético e utilities (bens de primeira necessidade). Estes setores historicamente não registam grades quedas quando existem uma crise. Aproveitamos muito é o dividendo que estas empresas distribuem, por vezes até é mais alto que os outros setores.

Podem registar quedas por outros motivos, mais ligados a gestão interna, mas em geral, uma boa diversificação pode minimizar esse risco.

Obrigações a escolher

Obrigações neste perfil é o foco principal.

As estratégias que foram mencionadas no sentido de obter grandes rendibilidades não se aplicam num perfil mais conservador.

Deve-se escolher obrigações com bom Rating, como as soberanas. Também pode-se adquirir obrigações corporativas de bom rating. Esta alocação obrigacionista deste género permite-nos nos dias de hoje ter uma rentabilidade próxima dos 1% em juros (não contabilizados variações no preço da obrigação).

Para os fanáticos pelo seu clube de futebol, existem obrigações do Sporting, Benfica e do Porto. Apresentam taxas de juro a variar os 4.5% – 7%. É um bom investimento? Eu digo que sim, pois quem adquire este tipo de obrigações são os próprios sócios (procura supera sempre a oferta), e os próprios clubes sabem se falharem vão ter que levar com os “sócios em cima”. O que estes clubes fazem é assim que tiverem que pagar a obrigação, emitem uma nova.

Tipicamente aconselha-se uma alocação máxima de 20% deste tipo de obrigações* dentro de todas as obrigações no portefólio.

*estas obrigações não apresentam liquidez imediata, ou seja se quiser vender é muito provável que tenha de esperar um tempo largo por umc omprador

Derivados

Podem se utilizar derivados financeiros para proteger o nosso capital de circunstâncias de curto-médio prazo. Igual modo à estratégia referida anteriormente para este efeito

Diversificação

É fundamental, seja qual for o perfil!

É a maneira para correr menos riscos pois um título extraordinariamente pode correr mal, mas temos outros a minimizar os danos. Tipicamente nunca se tem um portefólio com 100% dos títulos a valorizar, mas encontra-se tão diversificado que as valorizações de uns compensam os poucos que desvalorizam.

Aquisição de ETFs é uma excelente maneira

Para diversificar o investimento com menos custos e preocupações. Reparem: O ETF já vem bem diversificado e poupamos tempo e dinheiro em comissões a adquirir todos aqueles títulos.

Existem ETF de todas “cores e feitios”. ETF sobre ações mundiais, setores específicos, obrigações de alto risco, obrigações baixo risco, muitas e muitas mais.

Podemos, obviamente, alguns títulos terem uma alocação maior se tivermos confiantes.

Notas finais

Todas as estratégias mencionadas acarretam risco de perca parcial de capital. Nos mercados financeiros não podemos garantir a alguém que as coisas vão correr de uma determinada maneira. Tal como investir na abertura de um café na sua rua, corre o risco de não ter clientes e fechar o negócio, levando a perdas do capital investido. Os mercados financeiros seguem a mesma lógica

Todos os investimentos necessitam de uma análise profundada e aconselhadas por um profissional se possível.

As melhores estratégias são aquelas que tem o foco a médio-longo prazo, porque não podemos controlar e prever as notícias que prejudicam os mercados a curto prazo.

Se quiser aprender mais sobre Fundos de Investimento, pode fazer download do nosso manual de gratuitamentemanual fundos
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Sobre o autor

Filipe Silva

Conteúdo – Rankia Portugal

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