PSI (PSI-20): o que é, empresas e como investir
O PSI (anteriormente conhecido como PSI-20) é o principal índice bolsista de Portugal e reflete o desempenho das maiores empresas cotadas na Euronext Lisboa. Criado em 1992, tornou-se a principal referência do mercado acionista português e um dos indicadores mais acompanhados por quem procura compreender a evolução da economia nacional através da bolsa de valores.
Ao longo dos anos, o índice sofreu diversas alterações, tanto na sua composição como na própria designação, mas continua a desempenhar o mesmo papel central: proporcionar uma visão representativa da performance das empresas mais relevantes do mercado português.
Neste artigo, explicamos de forma simples e acessível o que é o PSI, como funciona, quais as empresas que o integram, qual foi a sua evolução histórica e onde pode consultar a sua cotação.
O que é o PSI 20?
O PSI20 foi criado a 31 de dezembro de 1992 como o principal índice de referência da bolsa de Lisboa, sucedendo ao antigo BVL 30. A sua missão era clara: representar a evolução do mercado acionista português e servir de base à negociação de instrumentos como futuros e opções sobre ações nacionais.
O valor base do índice foi fixado em 3.000 pontos. Desde então, o PSI20 tem acompanhado as flutuações da economia portuguesa e dos mercados financeiros globais. Ao longo do tempo, destacou-se por incluir empresas com histórico sólido de distribuição de dividendos, consolidando-se como barómetro do mercado de capitais em Portugal.
Uma das particularidades do índice é o ajuste da capitalização bolsista pelo free float — apenas são consideradas as ações efetivamente disponíveis para negociação. Existe ainda uma regra de limitação de peso: nenhuma empresa pode representar mais de 20% da composição do índice, garantindo maior equilíbrio e diversidade.
Estas características fazem do PSI20 um dos principais subjacentes de produtos estruturados no mercado português, funcionando como referência essencial para acompanhar o desempenho das ações cotadas na Euronext Lisboa.
Alterações no nome e composição do índice
Durante quase três décadas, o índice foi conhecido como PSI-20, por incluir as 20 maiores empresas cotadas em Portugal. No entanto, com o passar do tempo, várias saídas motivadas por fusões, falências ou aquisições reduziram o número de constituintes. Em determinados momentos, chegou a incluir apenas 15 empresas, deixando de corresponder à designação original.
Para refletir melhor a realidade do mercado, a Euronext Lisboa decidiu, em março de 2022, simplificar a designação para PSI. A alteração eliminou a obrigação de manter sempre 20 empresas cotadas e introduziu maior flexibilidade: o índice passou a poder ter um número variável de constituintes, dependendo das que cumpram os critérios definidos de liquidez e capitalização.
Assim, o PSI mantém-se como o barómetro do mercado acionista português, mas com uma composição mais ajustada às condições atuais da bolsa de Lisboa.
Como é feita a seleção das empresas do PSI?
Nem todas as empresas cotadas em Portugal podem integrar o PSI. Para fazer parte deste índice, é necessário cumprir um conjunto de critérios definidos pela Euronext Lisboa, que procura assegurar que apenas as cotadas mais relevantes e líquidas do mercado estão representadas.
Os principais requisitos são:
- Capitalização mínima em free float – a empresa deve apresentar uma capitalização bolsista ajustada ao free float de, pelo menos, 100 milhões de euros. O free float corresponde às ações efetivamente disponíveis para negociação em bolsa, excluindo as participações de controlo ou estratégicas.
- Liquidez suficiente – as ações devem evidenciar um volume de negociação elevado e regular, garantindo que os investidores as possam comprar e vender com facilidade.
- Limite de peso no índice – para evitar desequilíbrios, nenhuma empresa pode representar mais de 20% da composição do índice.
- Revisões periódicas – a composição do PSI é revista duas vezes por ano (habitualmente em março e setembro). Nessas ocasiões, a Euronext decide quais as empresas que entram ou saem do índice, com base no cumprimento dos critérios estabelecidos.
Graças a estas regras, o PSI continua a ser um retrato fiel das empresas portuguesas com maior impacto no mercado bolsista, mesmo que o número de constituintes possa variar ao longo do tempo.
Empresas cotadas no PSI
O PSI reúne atualmente as empresas mais representativas da bolsa portuguesa, provenientes de setores-chave como a energia, a banca, o retalho, as telecomunicações e a indústria.
A lista de constituintes pode sofrer alterações nas revisões periódicas conduzidas pela Euronext. Ainda assim, em 2025, o índice continua a ser dominado por grandes empresas que mantêm uma presença significativa no quotidiano da economia nacional.
Entre as empresas que integram o PSI encontram-se:
- Energias de Portugal (EDP) e EDP Renováveis – protagonistas do setor energético, com presença internacional.
- Galp Energia – uma das maiores empresas portuguesas, ligada ao setor da energia e dos combustíveis.
- Banco Comercial Português (BCP) – o maior banco privado nacional, presente no índice desde a sua criação.
- Jerónimo Martins – grupo de retalho detentor do Pingo Doce, em Portugal, e da Biedronka, na Polónia.
- The Navigator Company, Altri e Semapa – empresas do setor da pasta e do papel, tradicionalmente relevantes no mercado bolsista nacional.
- Sonae e NOS – grupos de referência na distribuição e nas telecomunicações, respetivamente.
- REN – Redes Energéticas Nacionais – responsável pela gestão das principais infraestruturas energéticas do país.
- Corticeira Amorim – líder mundial na produção e transformação de cortiça.
- Greenvolt – empresa focada na produção de energia a partir de fontes renováveis.
- Mota-Engil – grupo de destaque nas áreas da construção e obras públicas.
- CTT – Correios de Portugal – operador histórico dos serviços postais, hoje com atividade alargada à logística e aos serviços financeiros.
- Ibersol – grupo responsável por diversas cadeias de restauração em Portugal.
Capitalização e setores
O PSI apresenta uma forte concentração nos setores da energia e das utilities, que representam uma parte significativa do índice. O retalho alimentar (Jerónimo Martins e Sonae) e o setor bancário (BCP) também têm um peso relevante, enquanto áreas como a tecnologia continuam a ter expressão reduzida.
Como investir no PSI
O PSI não é um ativo que se possa comprar diretamente, como uma ação ou uma obrigação. Na prática, o investimento faz-se através das empresas que o compõem ou de produtos financeiros que acompanham o desempenho do índice. Eis as principais opções:
Ações individuais das empresas do PSI
É a forma mais simples e direta. Pode adquirir títulos de empresas que integram o índice, como EDP, Galp ou Jerónimo Martins, através de corretoras que dão acesso à Euronext Lisboa. Esta abordagem permite escolher em que empresas investir, mas exige maior acompanhamento individual de cada uma.
Fundos e ETFs com exposição a Portugal
Alguns fundos de investimento e ETFs (Exchange Traded Funds) procuram replicar ou incluir na sua carteira as empresas portuguesas mais relevantes. Ao investir num destes produtos, o investidor passa a ter uma exposição diversificada ao mercado nacional, em vez de comprar ações isoladas. Os ETFs, em particular, oferecem a vantagem de serem negociados em bolsa como uma ação.
Derivados (avançado)
Na Euronext existem instrumentos como futuros sobre o PSI. Estes produtos permitem especular sobre a evolução do índice ou proteger posições existentes, mas envolvem maior complexidade e risco. Por isso, costumam ser usados apenas por perfis mais experientes e com conhecimento de derivados.
Horários e funcionamento do mercado PSI
O PSI segue os mesmos horários da Euronext Lisboa, integrada no grupo pan-europeu Euronext. Isto significa que as ações portuguesas são negociadas segundo uma rotina estruturada em várias fases ao longo do dia:
- Leilão de abertura (07:00 – 08:00): período durante o qual podem ser introduzidas, alteradas ou canceladas ordens. Não se realizam transações efetivas; no final é calculado o preço oficial de abertura.
- Negociação contínua (08:00 – 16:30): fase principal da sessão, em que as ordens de compra e venda são executadas em tempo real, de acordo com a oferta e a procura do mercado.
- Leilão de fecho (16:30 – 16:35): tal como no início da sessão, trata-se de um breve período destinado a fixar o preço oficial de fecho do índice e dos títulos cotados.
- Sessão pós-fecho (até às 17:30): permite o registo de algumas operações adicionais, embora com menor liquidez e sujeitas a condições específicas.
Fusos horários e ajustes sazonais
Os horários seguem a hora da Europa Ocidental (WET/WEST), correspondente aos fusos horários de Lisboa e Londres.
Durante o horário de verão, os períodos são ajustados automaticamente, o que pode gerar diferenças temporárias face a outros mercados internacionais.
Evolução histórica do PSI
Desde a sua criação em 1992, o PSI (anteriormente PSI-20) tem acompanhado de perto os ciclos da economia portuguesa e global. A sua trajetória inclui subidas expressivas, quedas marcantes e momentos de transformação, refletindo tanto fatores internos como choques internacionais.
Anos 1990: a era das privatizações
Durante a década de 1990, o índice ganhou dinamismo com a entrada de grandes empresas públicas que foram privatizadas, como a EDP, a Brisa e a Cimpor. Este movimento deu novo fôlego à bolsa e consolidou o PSI como referência do mercado português.
Início dos anos 2000: expansão e bolha tecnológica
No arranque do novo milénio, o índice beneficiou do otimismo nos mercados globais, chegando a valorizar-se mais de 300% antes de ser atingido pela crise das empresas tecnológicas (dotcom).
2007-2008: crise financeira internacional
Tal como outros índices mundiais, o PSI foi fortemente penalizado pelo colapso do sistema financeiro global. Em 2008, registou a maior queda da sua história, com uma desvalorização próxima dos -51%.
2010-2015: crise da dívida e saída de empresas
A crise da dívida soberana europeia e a resolução do BES provocaram forte instabilidade no mercado. Foi também neste período que várias cotadas históricas abandonaram o índice — como a Cimpor, a Brisa, o Espírito Santo Financial Group e o Banif — reduzindo progressivamente o número de constituintes.
2020: impacto da pandemia
A chegada da COVID-19 provocou uma queda abrupta de cerca de 10% em março de 2020, refletindo a incerteza generalizada nos mercados. A recuperação nos anos seguintes foi gradual, destacando-se a resiliência de setores como a energia e o retalho.
2025: presente e desafios
Atualmente, o PSI continua a ser o barómetro da bolsa de Lisboa, embora apresente uma menor diversificação face a outros índices europeus. A forte concentração nos setores da energia, do retalho e da banca torna-o mais exposto às oscilações destas áreas, mas mantém a sua relevância como indicador da confiança dos investidores na economia portuguesa.
Como acompanhar a performance do índice PSI
O PSI é calculado e atualizado em tempo real durante toda a sessão da Euronext Lisboa. Para quem deseja acompanhar a sua evolução diária ou histórica, existem várias fontes oficiais e plataformas que disponibilizam cotações, gráficos e dados complementares.
Fontes oficiais
- Euronext Lisboa – no site oficial da Euronext é possível consultar a composição atualizada do PSI, as cotações em tempo real, peso de cada empresa no índice e documentos técnicos.
- CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) – publica relatórios regulares e comunicados relacionados com o mercado de capitais em Portugal.
Plataformas financeiras
- Corretoras online – permitem acompanhar e negociar as ações individuais que integram o índice, embora nem todas disponibilizem a cotação do PSI enquanto índice agregado.
- Por exemplo, a Trading 212 disponibiliza várias ações portuguesas — como a EDP, a Galp ou a Jerónimo Martins — permitindo investir diretamente nestas empresas.
- Sites de informação financeira – como Bloomberg, Reuters, Investing.com ou Yahoo Finance, que oferecem dados do PSI, histórico de preços e notícias relacionadas.
Além disso, em Rankia Portugal – Cotações pode acompanhar de forma prática a evolução do PSI e das empresas portuguesas que o integram.
FAQs
É o índice de referência da Euronext Lisboa, que agrega as empresas mais representativas e líquidas da bolsa portuguesa.
O índice foi lançado a 31 de dezembro de 1992, com um valor inicial de 3.000 pontos.
Em 2022, como o índice já não integrava 20 empresas (chegando a contar apenas 15), a Euronext decidiu simplificar a designação para PSI, permitindo um número variável de constituintes.
O número varia em função das revisões periódicas. Em 2025, o índice inclui entre 15 e 19 empresas, de acordo com os critérios de elegibilidade definidos.
A cotação oficial do PSI pode ser acompanhada no site da Euronext Lisboa, com atualização em tempo real. Também é possível consultar gráficos e dados históricos em plataformas como o Investing.com, Bloomberg, Reuters ou Yahoo Finance.
👉 Para quem procura informação prática e detalhada sobre o índice e as empresas que o integram, pode aceder à nossa secção de Cotações da bolsa portuguesa, onde encontrará a evolução do PSI e das cotadas que o compõem.
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RANKIA PORTUGAL: Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. As informações aqui contidas não constituem aconselhamento financeiro, nem recomendação de compra ou venda de quaisquer instrumentos financeiros. A rentabilidade passada não garante retornos futuros. Antes de tomar decisões de investimento, recomenda-se a consulta de um profissional devidamente habilitado.
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