A necessidade de adaptar as políticas de investimento
Em 2022, as empresas conseguiram repercutir as pressões inflacionistas no consumidor final, que ainda beneficiava dos efeitos das políticas de estímulo posteriores à COVID-19. Por isso, temos de recuar à década de 1970 para encontrar um período de reflação sustentada.
O que diziam os melhores investidores dessa época?
“Num ambiente em que os instrumentos de dívida pública já não protegem os investidores contra uma correção dos ativos de risco, a única forma de investir com sucesso é manter uma margem de segurança.”
O investimento value está precisamente em linha com esta abordagem conservadora: a margem de segurança em termos de avaliação permite antecipar uma pressão sobre os lucros devido a uma desaceleração do crescimento, bem como um aumento dos custos decorrente de uma maior inflação.
No entanto, uma análise dos fluxos de capital em 2026 mostra exatamente o contrário: estão atualmente a ser canalizados montantes muito significativos para setores e classes de ativos que já apresentam avaliações elevadas.
A disciplina de investimento continua a ser essencial, e o «FOMO» (medo de ficar de fora) não é uma estratégia de investimento sólida a longo prazo. Este ambiente de mercado, caracterizado por importantes dislocações, gera numerosas oportunidades.
As vantagens de adotar uma abordagem contrarian no investimento na Europa
Nos ativos líquidos, o tema da soberania europeia constitui uma fonte de criação de valor. No private equity, estão a confirmar-se as fortes tendências de crescimento associadas à construção de soberania nos âmbitos da descarbonização e da defesa, com uma clara aceleração da criação de valor em torno destes temas.
O crédito continua a ser atrativo
A dívida privada europeia, apesar das preocupações existentes, continua a ser uma classe de ativos bem remunerada. Entre os ativos líquidos, as obrigações financeiras subordinadas e a dívida high yield oferecem oportunidades.
Uma mudança estrutural na criação de valor no private equity
Neste novo ambiente em que as empresas têm de operar, estas são obrigadas a ter uma maior intensidade de ativos: existências, infraestruturas, capacidade produtiva e apoio às cadeias de abastecimento. O private equity tem de se adaptar a esta nova realidade, provavelmente investindo mais em empresas com elevada intensidade de ativos, em setores que beneficiam dos investimentos em bens de capital (CAPEX) ligados à resiliência.
O crescimento do EBITDA, por si só, já não basta para sustentar uma tese de investimento sólida. Num mundo de importantes investimentos em bens de capital, o risco de afetar capital de forma ineficiente é maior e a dispersão é mais elevada entre as melhores equipas de gestão, que alocam os seus fluxos de caixa de forma eficaz, e as mais fracas. Por conseguinte, o conceito de rentabilidade do capital investido terá um maior peso no investimento em private equity.
Ao mesmo tempo, o recurso à alavancagem financeira será mais limitado. As taxas de juro concebidas para combater a inflação manterão elevado o custo da dívida. A expansão dos múltiplos estará condicionada pelo enquadramento das taxas de juro. Por conseguinte, os investidores de private equity terão de investir com um menor nível de alavancagem e manter os ativos durante mais tempo.


RANKIA PORTUGAL: Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. As informações aqui contidas não constituem aconselhamento financeiro, nem recomendação de compra ou venda de quaisquer instrumentos financeiros. A rentabilidade passada não garante retornos futuros. Antes de tomar decisões de investimento, recomenda-se a consulta de um profissional devidamente habilitado.
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