Eleições intercalares EUA 2026: impacto na bolsa
Donald Trump não estará diretamente a votos nas eleições intercalares norte-americanas de 3 de novembro, mas o resultado poderá ter consequências importantes para a sua política económica. A composição do Congresso determinará até que ponto o presidente terá apoio para avançar com os seus planos fiscais, orçamentais e de regulamentação.
Se investe em ações norte-americanas ou ETFs, estas eleições também poderão ter impacto na sua carteira. Para as empresas, os impostos, os preços da energia, as tarifas comerciais e os contratos públicos são fatores que influenciam diretamente os custos, as receitas e os lucros.
Além disso, a política externa pode refletir-se rapidamente nos mercados financeiros. Uma redução das tensões no Médio Oriente poderá pressionar os preços do petróleo em baixa, enquanto um novo conflito comercial poderá aumentar os custos das importações. Por outro lado, o aumento das despesas com defesa poderá beneficiar as empresas do setor durante vários anos.
Vejamos quais são os interesses de Trump e de que forma os diferentes acontecimentos poderão influenciar o comportamento dos mercados.
Este conteúdo é exclusivamente informativo e educativo, não constituindo qualquer tipo de recomendação ou aconselhamento de investimento.
Eleições intercalares nos EUA em 2026: o que está em jogo para Trump?
Nas eleições de 3 de novembro de 2026, estarão em disputa os 435 lugares da Câmara dos Representantes e cerca de um terço dos lugares do Senado. O mandato presidencial de Donald Trump continuará, independentemente do resultado. No entanto, a sua capacidade de aprovar novas medidas económicas poderá mudar significativamente.
Se os republicanos mantiverem a maioria nas duas câmaras do Congresso, Trump poderá encontrar menos obstáculos à implementação da sua agenda económica. Caso os democratas conquistem o controlo de uma das câmaras, o presidente poderá enfrentar uma fiscalização mais apertada e a necessidade de negociar compromissos.
Para os investidores, existem três áreas especialmente importantes:
- Fiscalidade e regulamentação: quanto dos lucros permanece nas empresas e em que condições podem desenvolver a sua atividade?
- Despesa pública: que setores poderão beneficiar de mais contratos públicos e qual será o impacto das novas medidas nas necessidades de financiamento do Estado?
- Comércio internacional e segurança: como poderão evoluir as tarifas aduaneiras, as cadeias de abastecimento e os investimentos em defesa?
O resultado eleitoral terá maior influência sobre a capacidade de aprovar legislação. No entanto, em matéria de política externa e determinadas medidas comerciais, Trump poderá continuar a dispor de uma margem de atuação significativa, mesmo perante um Congresso dividido.
Por isso, uma eventual vitória dos democratas numa das câmaras não significa necessariamente o fim das disputas comerciais ou das tensões geopolíticas.
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Petróleo caro ou barato: o que interessa mais a Trump?
Do ponto de vista político, Donald Trump beneficia de preços mais baixos da gasolina, uma vez que estes aliviam os encargos das famílias norte-americanas.
Contudo, a indústria petrolífera, que constitui uma parte importante da sua base de apoio económico, tende a beneficiar de preços do petróleo suficientemente elevados para garantir a rentabilidade da produção.
Existe, portanto, uma tensão entre os dois objetivos: um preço do petróleo mais elevado pode aumentar as receitas das empresas produtoras, mas também provoca um aumento dos preços dos combustíveis, gerando insatisfação entre os consumidores.
Ainda assim, Trump pode apoiar a indústria petrolífera através de outras medidas, como:
- Redução de impostos.
- Simplificação da regulamentação.
- Maior facilidade na obtenção de licenças de exploração.
Desta forma, as empresas petrolíferas não precisam necessariamente de preços recorde do petróleo para beneficiarem das políticas da administração.
O cenário politicamente mais favorável para Trump seria aquele em que as empresas petrolíferas norte-americanas mantêm bons resultados, sem que o preço da gasolina aumente significativamente para os consumidores. Em caso de conflito entre estes objetivos, serão as decisões concretas da administração que mostrarão qual deles terá prioridade.
Se as tensões no Médio Oriente diminuírem
Uma melhoria das condições de segurança no transporte de petróleo e a redução do risco de interrupções prolongadas no abastecimento poderão diminuir o prémio de risco geopolítico incorporado no preço do barril.
Em termos gerais, esta situação poderá:
- Beneficiar as companhias aéreas e outras empresas com elevado consumo de combustível.
- Reduzir as pressões inflacionistas.
- Melhorar o rendimento disponível das famílias.
- Diminuir as expectativas de receitas das empresas produtoras de petróleo.
Por exemplo, se tiver ações de uma companhia aérea, uma redução dos preços dos combustíveis poderá ser positiva para os seus resultados. No entanto, o impacto dependerá também das estratégias de cobertura do preço do combustível utilizadas pela empresa e da evolução dos preços dos bilhetes.
Se a segurança do abastecimento piorar
Caso ocorram novas interrupções no transporte ou quebras na produção de petróleo, poderá aumentar a probabilidade de uma subida dos preços. Este cenário poderá beneficiar algumas empresas produtoras, mas aumentará os custos das empresas com maior consumo energético.
Para o mercado acionista em geral, um período prolongado de petróleo caro representa um risco, porque pode:
- Reduzir as margens de lucro das empresas.
- Dificultar a redução da inflação.
- Manter os juros elevados durante mais tempo.
Se os investidores começarem a antecipar taxas de juro mais elevadas, as ações de empresas de crescimento também poderão sofrer pressão.
É importante analisar o motivo de uma eventual queda do petróleo. Uma descida provocada por uma melhoria da oferta poderá ser positiva para a economia, já uma queda causada por receios de recessão e de menor procura representa um cenário bastante diferente.
Defesa, NATO e tarifas: como pode a política externa afetar as suas ações?
Despesas com defesa: dos anúncios aos contratos
Um dos principais objetivos de Trump tem sido incentivar os aliados dos Estados Unidos a assumirem uma maior responsabilidade pelo financiamento da sua própria defesa.
Esta orientação poderá criar oportunidades para a indústria de defesa norte-americana, sobretudo se o aumento dos orçamentos militares se traduzir em compras de armamento, sistemas de defesa aérea e serviços fornecidos por empresas dos EUA.
Quando os orçamentos anunciados se transformam em contratos efetivos, as empresas beneficiárias podem ganhar maior previsibilidade relativamente às suas receitas futuras.
Neste contexto, existem três indicadores particularmente importantes:
- Carteira de encomendas: valor dos contratos já adjudicados.
- Prazos de entrega: capacidade de cumprir os compromissos assumidos.
- Capacidade de produção: possibilidade de aumentar a produção sem comprometer as margens.
Para um investidor, estes elementos são geralmente mais relevantes do que as declarações políticas isoladas.
Entre as empresas norte-americanas a acompanhar encontram-se:
- Lockheed Martin
- RTX
- Northrop Grumman
Na Europa, empresas como a Rheinmetall e outros fornecedores de equipamentos militares também poderão beneficiar de novos investimentos em defesa.
Ainda assim, não basta que o setor receba mais dinheiro, o verdadeiro impacto nos resultados dependerá das empresas que conseguirem assegurar contratos e executá-los de forma rentável.
Uma redução das tensões diplomáticas poderá levar a algumas realizações de mais-valias nas ações do setor, sobretudo no curto prazo. Por outro lado, os programas de aquisição militar já aprovados e com duração de vários anos poderão continuar a apoiar a atividade destas empresas.
Tarifas comerciais e China: quem suporta o aumento dos custos?
Uma subida das tarifas aduaneiras pode refletir-se rapidamente nos resultados financeiros das empresas.
Imagine uma empresa norte-americana que importa produtos da Ásia, se as tarifas aumentarem, poderá ter três alternativas:
- Aumentar os preços de venda aos consumidores.
- Aceitar margens de lucro mais reduzidas.
- Reorganizar a sua cadeia de abastecimento e procurar outros fornecedores.
Qualquer uma destas decisões terá consequências para a rentabilidade e a competitividade da empresa.
Caso sejam anunciadas novas tarifas, há três grupos de empresas que merecem especial atenção:
- Retalhistas e fabricantes dependentes de importações: até que ponto conseguem repercutir os custos adicionais nos consumidores?
- Empresas norte-americanas com receitas significativas na China: poderão ser afetadas por medidas de retaliação ou por uma redução da procura?
- Produtores nacionais de bens alternativos aos importados: têm capacidade para substituir os produtos estrangeiros que se tornam mais caros?
Por outro lado, um acordo comercial relevante entre os Estados Unidos e a China poderá melhorar as expectativas relativamente às margens de lucro e à procura das empresas envolvidas.
Que cenários eleitorais acompanhar?
A tabela seguinte apresenta algumas das possíveis reações iniciais dos mercados perante diferentes resultados das eleições intercalares de 2026. Estas reações serão mais prováveis se o resultado surpreender os investidores e alterar significativamente as expectativas económicas.
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Resultado eleitoral |
Possível impacto nos mercados |
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Maioria republicana nas duas câmaras |
As expectativas de redução de impostos e desregulamentação poderão apoiar os bancos e algumas empresas industriais. |
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Câmara dos Representantes democrata e Senado republicano |
Algumas novas medidas económicas de Trump poderão enfrentar obstáculos, penalizando empresas que dependam dessas políticas. |
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Maioria democrata nas duas câmaras |
Os mercados poderão rever os benefícios esperados da agenda económica de Trump. As discussões orçamentais poderão ganhar destaque. |
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Resultado contestado ou apuramento prolongado |
Poderá aumentar temporariamente a volatilidade dos mercados e a procura de ativos considerados de refúgio. |
Além dos resultados eleitorais, os desenvolvimentos geopolíticos poderão influenciar as cotações de forma ainda mais imediata:
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Acontecimento |
Possível reação dos mercados |
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Acordo credível no Médio Oriente e maior segurança no transporte de petróleo |
Descida do petróleo, melhoria das perspetivas das empresas com elevado consumo de combustível e redução das expectativas de inflação. |
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Novos ataques ou interrupções prolongadas no abastecimento |
Subida do petróleo, pressão sobre os setores dos transportes e do consumo e maior procura de ativos de refúgio. |
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Novas tarifas comerciais e medidas de retaliação |
Deterioração das expectativas de margens de importadores e exportadores e maior incerteza relativamente ao investimento empresarial. |
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Aprovação de orçamentos de defesa e adjudicação de contratos |
Aumento das encomendas das empresas beneficiárias e maior previsibilidade das receitas futuras. |
Na prática, é importante não analisar apenas a relação entre um acontecimento político e a evolução da bolsa, o mais relevante é perceber como esse acontecimento poderá afetar os resultados das empresas.
Vai aumentar as receitas? Reduzir as margens? Criar novas encomendas? Alterar os custos de financiamento? Responder a estas perguntas ajuda a distinguir uma notícia com impacto económico real de um movimento de mercado de curta duração.
O que aconteceu nas anteriores eleições intercalares de 2022?
Em 2022, os republicanos conquistaram o controlo da Câmara dos Representantes, enquanto os democratas mantiveram a maioria no Senado.
No entanto, durante os dias que rodearam as eleições, a inflação e as taxas de juro receberam tanta ou mais atenção dos investidores do que os resultados eleitorais.
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Data |
Acontecimento |
Variação diária do S&P 500 |
|---|---|---|
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9 de novembro de 2022 |
No dia seguinte às eleições, vários resultados permaneciam por apurar e os investidores aguardavam os dados da inflação. |
-2,08% |
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10 de novembro de 2022 |
Uma leitura da inflação melhor do que o esperado reforçou a expectativa de subidas mais moderadas das taxas de juro pela Reserva Federal. |
+5,54% |
Segundo o dado divulgado a 10 de novembro, a inflação homóloga nos EUA abrandou para 7,7%. Os investidores anteciparam uma trajetória de subida de juros mais suave, e o Nasdaq Composite valorizou 7,35% nesse dia.
Quem tivesse negociado apenas com base nas notícias eleitorais poderia facilmente ter perdido a viragem mais importante.
Por isso, nas eleições de 2026, será importante acompanhar não apenas os resultados políticos, mas também:
- Os preços do petróleo.
- A evolução da inflação.
- As rendibilidades das obrigações do Tesouro norte-americano.
Por exemplo, se após as eleições o petróleo descer, as rendibilidades das obrigações diminuírem e as expectativas de lucros das empresas melhorarem, poderão existir vários fatores favoráveis às ações.
Mas, se os preços da energia e as rendibilidades das obrigações subirem, o ambiente para as empresas poderá tornar-se mais difícil, mesmo perante um resultado eleitoral considerado favorável aos negócios.
O que significam estas eleições para a sua carteira de investimentos?
Se investe em ETFs do S&P 500
A exposição é ao conjunto das grandes empresas norte-americanas, pelo que o essencial é acompanhar a evolução combinada das expectativas de lucros e das yields das obrigações.
Um corte de impostos pode melhorar os resultados. Mas se, ao mesmo tempo, as yields subirem de forma significativa, os investidores podem estar dispostos a pagar menos pelo mesmo lucro. Por isso, além do movimento do índice, convém olhar também para a yield das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 anos.
Se tem ações de empresas de energia ou defesa
Nestes setores, o modelo de negócio de cada empresa é determinante.
Uma empresa de exploração petrolífera, uma refinaria e uma prestadora de serviços à indústria petrolífera podem reagir de forma diferente à mesma variação do preço do barril.
No caso das produtoras, é importante acompanhar o preço de venda e os custos de produção, nas refinarias, uma das principais variáveis é a margem entre o custo do petróleo bruto e o preço dos produtos refinados. Já nas empresas de serviços petrolíferos, a evolução do investimento das produtoras tem um papel fundamental.
No setor da defesa, os próximos relatórios financeiros poderão fornecer informações importantes sobre:
- Evolução da carteira de encomendas.
- Novos contratos adjudicados.
- Margens operacionais.
- Capacidade de cumprir os prazos de entrega.
O aumento da procura só se traduzirá em valor para os acionistas se as empresas conseguirem responder às encomendas de forma eficiente e rentável.
Se mede a rentabilidade dos seus investimentos em euros
Para os investidores portugueses, existe outro fator importante: a evolução da taxa de câmbio entre o euro e o dólar norte-americano.
Quando investe em ações dos Estados Unidos, o resultado final em euros depende tanto da evolução do investimento como da variação cambial.
Imagine que uma ação norte-americana valoriza 8% em dólares, se, durante o mesmo período, o dólar perder 5% do seu valor face ao euro, a rentabilidade do investimento, medida em euros, será de aproximadamente 2,6%, antes de impostos e custos. Num investimento inicial equivalente a 10.000 €, isso representaria um ganho aproximado de 260 €.
Por isso, se após as eleições observar uma subida dos índices norte-americanos, mas a sua carteira em euros apresentar uma valorização muito inferior, vale a pena verificar a evolução do EUR/USD.
Este efeito também é relevante para os investidores em ETFs de ações norte-americanas sem cobertura cambial, mesmo quando as unidades do ETF são negociadas em euros. Se pretende construir uma carteira diversificada com ETFs, deve também comparar os custos totais, os encargos cambiais, a política de cobertura cambial e as condições de funcionamento dos produtos.
Construir uma carteira de ETFs com os Planos de Investimento da XTB
Para quem quer investir em ETFs de forma periódica, a XTB disponibiliza em Portugal os Planos de Investimento. Com eles, o investidor monta uma carteira com vários ETFs, define o peso de cada um e programa reforços automáticos através da funcionalidade Auto Invest.
- Sem comissões até 100.000 € de volume de negócios mensal. Acima desse valor aplica-se uma comissão de 0,2%, com um mínimo de 10 €.
- Montante mínimo a partir de 15 €, que pode variar consoante os instrumentos escolhidos e as respetivas ponderações.
- Taxa de conversão cambial de 0,5% nos ativos denominados noutra moeda que não o euro, como os ETFs cotados em dólares.
- A XTB, S.A. – Sucursal em Portugal está registada na CMVM com o n.º 341.
O que acompanhar após as eleições de 3 de novembro?
Depois das eleições, existem quatro questões que os investidores devem analisar:
- Quem controla cada uma das câmaras, e até que ponto o resultado é uma surpresa?
- Que planos de Trump se tornaram mais prováveis ou mais difíceis de concretizar?
- Em que direção se movem o petróleo e a yield norte-americana a 10 anos?
- Em que empresas muda efetivamente a perspetiva de lucros?
Para Trump, existem vários objetivos importantes: manter uma economia forte, apoiar a indústria norte-americana e limitar o aumento do custo de vida das famílias. Contudo, estes interesses nem sempre são compatíveis.
Um preço do petróleo mais elevado poderá beneficiar as empresas produtoras, mas prejudicar os consumidores, da mesma forma, uma tarifa aduaneira poderá proteger um fabricante norte-americano, enquanto aumenta os custos das matérias-primas de outra empresa.
Para os investidores, o essencial é perceber em que parte do negócio de cada empresa se reflete uma decisão política. A medida aumenta as receitas? Eleva os custos? Cria novas oportunidades comerciais?
Ao analisar estes fatores, torna-se mais fácil compreender as possíveis reações dos mercados e avaliar o impacto dos acontecimentos políticos nos investimentos.
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