BCP lucra 873,7 M€ até setembro: resultados e metas 2028
O Millennium bcp lucrou 873,7 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, mais 12,6% do que um ano antes, segundo o comunicado de resultados do banco. O 3.º trimestre rendeu 307,9 milhões e o BCP elevou as metas para 2028.
Neste artigo, resumimos os principais números dos resultados do BCP, o que mudou na qualidade do crédito e no capital, as novas metas para 2028 e a política de remuneração dos acionistas.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui aconselhamento financeiro nem recomendação de investimento.
Resultados do BCP até setembro de 2026: os números principais
O Banco Comercial Português divulgou os resultados consolidados dos primeiros nove meses de 2026 a 28 de outubro, no comunicado ao mercado e na apresentação de resultados.
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Indicador |
Nove meses de 2026 |
Variação ou comparação |
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Resultado líquido consolidado |
873,7 M€ |
+12,6% (775,9 M€ um ano antes) |
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Resultado líquido em Portugal |
727,9 M€ |
+11,2% |
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Resultado líquido internacional |
281,0 M€ |
+21,8% (Bank Millennium, na Polónia: 259,7 M€, +29,6% sem efeito cambial) |
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Margem financeira |
2.293,0 M€ |
+5,8% |
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Comissões líquidas |
660,4 M€ |
+5,0% |
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Custos operacionais |
1.087,0 M€ |
+5,3%; rácio de eficiência de 36,3% (36,6% antes) |
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Imparidades de crédito |
167,5 M€ |
+18,8%; custo do risco de 34 pb (31 pb antes) |
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Rácio de crédito malparado (NPE) |
2,2% |
2,6% antes |
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CET1 (totalmente implementado) |
15,2% |
15,9% antes |
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RoE / RoTE |
14,9% / 15,5% |
14,6% / 15,2% antes |
No 3.º trimestre, o BCP lucrou 307,9 milhões de euros, mais 12,5% do que no mesmo trimestre de 2025. A margem financeira trimestral foi de 799,2 milhões (+10,6%) e as comissões de 222,4 milhões (+3,5%).
O que impulsionou o resultado do BCP
Em Portugal, a margem financeira subiu 13,9%, para 1.133,3 milhões de euros, enquanto nas operações internacionais recuou 1,0%, para 1.159,7 milhões. A margem financeira do grupo, em percentagem dos ativos, foi de 2,85% (2,92% um ano antes).
Os custos associados aos créditos hipotecários em francos suíços na Polónia, antes de impostos, desceram de 380,2 para 135,5 milhões de euros. Os impostos sobre lucros subiram 39,5%, para 442,5 milhões.
A margem financeira de um banco está associada à evolução das taxas de juro, por isso as decisões do BCE são seguidas de perto pelos investidores no setor.
Qualidade do crédito e capital
Crédito malparado e imparidades
As exposições não produtivas (NPE) desceram 157 milhões de euros num ano, para 1.442 milhões, e o respetivo rácio caiu de 2,6% para 2,2%. Em Portugal, o rácio é de 1,5%. Em sentido contrário, as imparidades de crédito subiram 18,8%, para 167,5 milhões, e o custo do risco passou de 31 para 34 pontos base.
Capital e liquidez
O rácio CET1 mede o capital de maior qualidade do banco em percentagem dos ativos ponderados pelo risco. Foi de 15,2% com regras totalmente implementadas, abaixo dos 15,9% de um ano antes. Sem qualquer distribuição aos acionistas, o BCP indica que seria de 16,9%.
O rácio de capital total é de 20,0% e o requisito mínimo de CET1 definido pelo supervisor para setembro de 2026 é de 10,64%. O rácio de cobertura de liquidez (LCR) fixou-se em 330%.
Novas metas do BCP para 2028
Na apresentação de resultados, o BCP atualizou os principais objetivos do ciclo estratégico 2025-2028:
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Meta |
Anterior |
Nova |
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Lucros acumulados 2025-2028 |
4.000 a 4.500 M€ |
4.750 a 5.250 M€ |
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RoE |
Superior a 13,5% |
Pelo menos 17,5% |
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Rácio CET1 |
Superior a 13,5% |
Pelo menos 14,25% |
Remuneração dos acionistas
A política de distribuição aprovada na assembleia geral de 7 de maio de 2026 prevê distribuir até 90% do resultado líquido, metade em dividendos e o restante em recompra de ações.
A dimensão da recompra depende do CET1 pro-forma no final do ano: até 25% do resultado se for inferior a 16%, até 30% entre 16% e 17,5%, e até 40% a partir de 17,5%.
O banco está a executar uma recompra de ações até 407,5 milhões de euros, 40% do resultado de 2025, já deduzida nos rácios de capital. O dividendo pago em 2026, relativo a 2025, foi de 0,0344 euros por ação.
Pode consultar a cotação atual do Banco Comercial Português e conhecer as principais ações portuguesas que integram o PSI. As variações de curto prazo não indicam o desempenho futuro.
O que ter em conta ao analisar os resultados de um banco
Pontos positivos nos números divulgados
- Lucro de nove meses 12,6% acima do período homólogo
- Rácio de crédito malparado em 2,2%, contra 2,6% um ano antes
- Rácio de eficiência de 36,3%
- Rácio de capital total de 20,0%
Pontos de atenção
- Imparidades de crédito 18,8% mais altas e custo do risco a subir
- CET1 abaixo do valor de um ano antes (15,9%)
- Impostos 39,5% mais altos, para 442,5 milhões de euros
- Metas de 2028 dependentes de taxas de juro, crédito e qualidade dos ativos
Os resultados do BCP a nove meses mostram um lucro de 873,7 milhões de euros, mais 12,6%, apoiado sobretudo na atividade em Portugal e na margem financeira. A qualidade do crédito melhorou, com o rácio de NPE em 2,2%, mas as imparidades e o custo do risco aumentaram.
Perguntas frequentes
O BCP teve um lucro consolidado de 873,7 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, mais 12,6% do que no mesmo período de 2025. Em Portugal, o resultado foi de 727,9 milhões.
Segundo a apresentação de resultados, o lucro do 3.º trimestre de 2026 foi de 307,9 milhões de euros, mais 12,5% do que no 3.º trimestre de 2025.
O CET1 mede o capital de maior qualidade de um banco em percentagem dos seus ativos ponderados pelo risco. Um valor mais alto indica maior capacidade para absorver perdas.
A política aprovada em assembleia geral prevê distribuir até 90% do resultado, metade em dividendos e o restante em recompra de ações. Em 2026, foi pago um dividendo de 0,0344 euros por ação, relativo a 2025.
No comunicado de resultados e na apresentação publicados pelo banco, disponíveis na página de investidores do Millennium bcp.
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