Criptomoeda Ripple, para que serve?

RippleNet revoluciona transferências internacionais com transações rápidas e seguras, sem intermediários, usando tecnologia descentralizada e XRP opcional.

O Ripple é basicamente uma rede de pagamento, o RippleNet. O Ripple não é uma criptomoeda em si nem é baseado na tecnologia  Blockchain no mesmo sentido que o Bitcoin faz. O RippleNet é uma plataforma de pagamento “descentralizada” baseada num livro distribuído (“protocolo interlocalizado” ou “razão distribuída”) e software livre focado no desenvolvimento de pagamentos internacionais.

A rede Ripple é descentralizada, mas não no mesmo sentido que a rede Bitcoin. A rede do Ripple funciona através de uma lista de nós únicos autorizados pela autoridade central da rede (lista de nós únicos), neste sentido é descentralizada porque a validação não requer intermediários , mas por outro lado  o protocolo é imposto por uma entidade central e a nós, além de serem escolhidos por essa autoridade central, não podem “comentar”.

ripple logo

Assim, o principal objetivo do Ripple não é a democratização do sistema financeiro , como ele poderia estar em Bitcoin, mas a revitalização das transferências internacionais. Neste sentido Ripple não tem o “trade off” entre escalabilidade e descentralização, assim Ripple perfeitamente escalável é atualmente admitir as mesmas transações VISA por segundo . Na verdade, Ripple sustenta que a descentralização completa do “livro” não é necessário para seus fins e por razões de segurança preferido que os nós são limitados e confiança.

“É apenas uma questão de tempo antes que os bancos centrais adotem blockchain para liquidar transferências de fundos interbancárias de alto valor. “

CEO do Ripple em 2017

História do Ripple

A história do Ripple começa em 2004, com uma ideia de Ryan Fugger; em 2005 é criada a primeira versão. Em 2011, Jed McCaleb começa a desenvolver o XRP, uma criptomoeda que baseia o seu valor no “consenso” em vez do PoW (prova de trabalho). Em 2013, a Ripple lançou a sua aplicação para iPhone e, em 2014, tornou-se na segunda maior criptomoeda por capitalização, com o banco alemão Fidor a aceitar o protocolo Ripple. Até 2015, vários bancos, como Santander, UniCredit, UBS, Royal Bank of Canada e outros, aceitaram o protocolo Ripple. Em 2016, a Ripple obteve licença para operar em Nova Iorque.

Nos anos seguintes, a Ripple tornou-se conhecida sobretudo por um longo processo judicial nos Estados Unidos. Em dezembro de 2020, a SEC (a autoridade reguladora do mercado de capitais dos EUA) processou a Ripple Labs, alegando que o XRP tinha sido vendido como um valor mobiliário não registado. Este processo, um dos mais relevantes da história da regulação cripto, arrastou-se durante quase cinco anos e teve um impacto significativo no preço e na perceção de risco do XRP em todo esse período.

Em julho de 2023, a juíza Analisa Torres emitiu uma decisão parcial: as vendas de XRP a investidores institucionais foram consideradas ofertas de valores mobiliários não registadas, mas as vendas programáticas (no mercado secundário, a investidores de retalho) não. Em maio de 2025, a Ripple e a SEC chegaram a um acordo final, uma coima de 50 milhões de dólares (reduzida dos 125 milhões inicialmente exigidos) e, em agosto de 2025, ambas as partes retiraram os seus recursos, encerrando definitivamente o processo. Este desfecho deu ao mercado uma clareza regulatória que faltava desde 2020 e é considerado um caso de referência para distinguir vendas institucionais de vendas programáticas de criptoativos nos EUA.

O que o Ripple traz?

Quando uma transferência interbancária nacional é feita, duas coisas podem acontecer, ou que os bancos têm uma relação estabelecida para realizá-los ou que eles não tenham estabelecido e um intermediário , geralmente o banco central, deve intervir . No caso internacional, o assunto é complicado. Para realizar uma transferência internacional, o sistema principal é a SWIFT ( Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais ) na qual uma agência age como um intermediário e gere a troca e transferência de moeda, isso leva tempo e custa dinheiro . Existem também outros sistemas, como o SEPA para a zona do euro, em que o BCE é o intermediário. O importante a enfatizar aqui é queExiste um intermediário nas transferências e isso implica lentidão e comissões.

A RippleNet surge como uma alternativa, ao representar uma relação direta entre bancos a nível global. Atualmente, a rede Ripple conta com centenas de instituições financeiras parceiras em todo o mundo (a SWIFT continua a ter uma base muito maior, com mais de 11.000 instituições ligadas). No entanto, o Ripple permite transações rápidas e com comissões muito reduzidas, de forma segura. Ao contrário da crença popular, o RippleNet não precisa de uma criptomoeda para operar, e pode funcionar diretamente com moeda fiduciária.

Portanto, o XRP, a criptomoeda associada ao Ripple, não é essencial para o uso do RippleNet, embora possa ser útil nalguns casos, como veremos a seguir. A moeda não é minerável: a empresa “criou” 100 mil milhões de tokens, dos quais reteve uma parte substancial em reserva.

Como funciona o Ripple Payments?

Anteriormente, a Ripple utilizava as designações xCurrent, para pagamentos sem recurso ao XRP, e xRapid, para liquidez através do XRP. Estas soluções foram posteriormente integradas e reorganizadas no âmbito do RippleNet. Atualmente, a empresa apresenta sobretudo o Payments Direct, orientado para o processamento de pagamentos internacionais, e o Payments ODL (On-Demand Liquidity), que utiliza o XRP para disponibilizar liquidez nas conversões entre moedas.

Ripple Payments Direct

O Payments Direct é um serviço de pagamentos internacionais destinado a instituições financeiras e empresas. A Ripple gere componentes como a conversão cambial, os parceiros de pagamento, o encaminhamento da operação e a entrega final dos fundos.

Antes de confirmar a transferência, o cliente pode receber uma cotação com a taxa de câmbio, as comissões e o montante que será entregue ao beneficiário. O pagamento pode depois ser acompanhado ao longo das diferentes fases de processamento.

A utilização do Payments Direct não deve ser confundida com uma utilização automática do XRP. A forma de liquidação e os ativos utilizados dependem da rota configurada pela Ripple, das moedas envolvidas, dos parceiros disponíveis e das condições regulamentares.

diagrama RippleNet Cloud

ODL — On-Demand Liquidity (antigo xRapid)

O Payments ODL utiliza o XRP como ativo-ponte entre diferentes moedas. Numa operação simplificada, a moeda de origem é convertida em XRP, o XRP é transferido e, no mercado de destino, é convertido na moeda que será entregue ao beneficiário.

O objetivo é reduzir a necessidade de manter contas previamente financiadas em todas as moedas e países onde uma instituição pretende efetuar pagamentos.

A utilização do ODL depende, no entanto, da existência de liquidez suficiente para comprar e vender XRP nas moedas e nos mercados envolvidos. Uma liquidez reduzida pode aumentar os custos, dificultar operações de maior dimensão ou limitar a disponibilidade do serviço em determinados corredores.

diagrama ODL

RLUSD — Ripple USD

A Ripple lançou também a RLUSD, uma stablecoin concebida para manter um valor equivalente a um dólar norte-americano. De acordo com a empresa, a RLUSD é garantida por reservas segregadas compostas por numerário, títulos do Tesouro dos Estados Unidos e equivalentes de caixa.

A RLUSD é emitida no XRP Ledger e na Ethereum, estando a sua disponibilidade dependente da jurisdição. Em abril de 2025, a Ripple anunciou a integração da RLUSD no Ripple Payments para determinadas operações de pagamento e liquidação.

Evolução do preço

O preço do XRP tem sido historicamente muito volátil. Em 2018, chegou a aproximar-se dos 4 dólares, antes de recuar para menos de 0,50 dólares durante o mercado bear que se seguiu, após a resolução do processo com a SEC em 2025, o XRP teve uma recuperação forte, chegando a ultrapassar os 3 dólares nesse ano. Em meados de 2026, o XRP cotiza na faixa de 1 a 1,10 dólares, com uma capitalização de mercado na ordem dos 65-66 mil milhões de dólares, o que o coloca atualmente entre as maiores criptomoedas por capitalização, ainda que já não no “top 3” (posição hoje ocupada por moedas como o Bitcoin, o Ethereum e diversas stablecoins).

gráfico da evolução do preço do XRP em dólares

É popular a opinião de que a rede da Ripple precisava do XRP para funcionar, o que encorajou muitos a comprar. No entanto, como vimos, o XRP não é essencial para a operação da rede. Além disso, devemos ter em mente que é a empresa que controla a emissão dos tokens , segundo a qual não emitirá mais e há 100.000 milhões, mas quem sabe?

Por outro lado, o XRP tem comissões de transação muito baixas, o que, num cenário de retoma do mercado, pode ser um ponto a favor face a outras criptomoedas menos escaláveis, como o Bitcoin.

Quem quiser acompanhar a evolução do preço do XRP, pode fazê-lo através de uma corretora ou exchange com dados em tempo real, ou negociar CFDs sobre XRP em plataformas como a XTB, que permite posições longas e curtas com alavancagem.

O papel do XRP no ecossistema Ripple

A Ripple, o XRP Ledger e o XRP desempenham funções diferentes. A Ripple é uma empresa que fornece infraestrutura financeira; o XRP Ledger é uma rede pública de registo e liquidação; e o XRP é o ativo nativo dessa rede.

O potencial das soluções da Ripple para pagamentos internacionais deve ser analisado separadamente da possível evolução do preço do XRP. A adoção da tecnologia da empresa não gera automaticamente procura pelo criptoativo, uma vez que nem todos os produtos ou pagamentos necessitam de o utilizar.

A questão central consiste, por isso, em perceber não apenas se as soluções da Ripple serão mais utilizadas, mas também quais dessas utilizações recorrerão efetivamente ao XRP, que liquidez estará disponível e como evoluirá o enquadramento regulamentar.

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