Quando é a próxima reunião da Fed e o que esperar?
Após três cortes quase consecutivos das taxas de juro no final do ano passado, a Reserva Federal manteve as taxas inalteradas nas cinco reuniões realizadas em 2026. Na última reunião, realizada nos dias 28 e 29 de julho, a Fed voltou a manter as taxas entre 3,5% e 3,75%, mas a decisão foi aprovada por 9 votos contra 3, com Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan a defenderem uma subida de 25 pontos base.
A próxima reunião realiza-se nos dias 15 e 16 de setembro de 2026, num momento em que as expectativas do mercado mudaram de forma significativa. Depois dos dados mais recentes de inflação e emprego, os futuros sobre as taxas atribuem uma probabilidade próxima de 90% a uma subida de 25 pontos base, que elevaria o intervalo para 3,75%-4,00%.
Calendário das reuniões da FED para 2026
A Reserva Federal reúne-se oito vezes por ano, com um intervalo médio de cerca de 40 dias entre cada reunião. Vejamos, então, como fica o calendário de reuniões da Fed para 2026:
- 27-28 de janeiro
- 17-18 de março
- 28-29 de abril
- 16-17 de junho — estreia de Warsh no cargo. Dot plot com uma mediana de 3,8% para o final de 2026 e taxas inalteradas por 12 votos contra 0.
- 28-29 de julho — segunda reunião de Warsh. Taxas inalteradas em 3,50%-3,75%, mas votação de 9-3, com Hammack, Kashkari e Logan a defenderem uma subida de 25 pontos base.
- 15-16 de setembro ← PRÓXIMA (inclui dot plot e conferência de imprensa)
- 27-28 de outubro
- 8-9 de dezembro
Se estiveres interessado nas políticas dos bancos centrais, poderás também consultar o nosso calendário para descobrir a próxima reunião do BCE.
O que esperar da próxima reunião da FED?
O conjunto do mercado antecipa uma subida das taxas em 25 pontos base já esta quarta-feira. De facto, no CME, a probabilidade de subida rondava os 50% no início de setembro, saltou para 61% com os dados do emprego, chegou aos 70% depois do índice de preços no produtor e da subida do petróleo, e disparou para 91,6% na sexta-feira, dia 11, já depois da publicação do IPC.
Na Polymarket, a probabilidade situa-se em torno dos 80%. E o Bank of America recorda que, desde 1994, a Fed nunca subiu as taxas quando o mercado atribuía uma probabilidade inferior a 60%.

E, na realidade, o mercado antecipa praticamente a 100% uma subida por um duplo motivo: inflação e emprego nos EUA. Os dois mandatos da FED.
Por um lado, o IPC de agosto, publicado a 11 de setembro, moderou-se para 3,4% em termos homólogos, em linha com o previsto. Mas o problema esteve no índice subjacente, que avançou 0,3% em termos mensais, face aos 0,2% esperados, o maior aumento desde abril.

E recordemos que, em ambos os casos, o mandato da FED é manter a inflação controlada abaixo dos 2%, tal como voltou a recordar após o último meeting de Jackson Hole 2026.
Mas, ao mesmo tempo, reduzir o aumento da inflação não significa provocar uma rutura na economia para o conseguir, já que o seu segundo mandato consiste em manter o desemprego o mais baixo possível. E, surpreendentemente, o emprego de agosto rompeu o padrão de dados fracos do verão, com 162.000 novos postos de trabalho não agrícolas, face aos 56.000 esperados pelo consenso, mantendo a taxa de desemprego nos 4,1%.
Ou seja, inflação acima do objetivo, ao mesmo tempo que surge um bom dado de emprego. Ou, por outras palavras, via livre para poder subir as taxas de juro (ligeiramente), sem presumivelmente provocar grandes danos pelo caminho.
A tudo isto soma-se um Comité já dividido. Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan votaram em julho a favor de subir 25 pontos base e o resultado foi de 9-3, pelo que a pergunta em setembro já não é se haverá dissidência, mas quantos membros se irão juntar.

Entretanto, entre as casas de análise, a Goldman Sachs abandonou na sexta-feira a sua previsão de taxas inalteradas. O JP Morgan espera uma subida de 25 pontos base este mês e outros 25 em dezembro, enquanto o Bank of America mantém a posição mais agressiva de Wall Street, com três subidas. Não existe unanimidade.
O que aconteceu nas reuniões anteriores de 2026?
Nenhuma das cinco reuniões realizadas em 2026 alterou as taxas, que se mantêm nos 3,50%-3,75% desde os três cortes na parte final de 2025. O que mudou foi a direção do debate.
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Reunião |
Taxas |
O que aconteceu |
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27-28 janeiro |
Mantém |
Powell aguenta a pressão e as atas abrem a porta a uma subida |
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17-18 março |
Mantém |
Votação 11-1, Miran pede um corte e o Comité ainda projeta descidas |
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28-29 abril |
Mantém |
Powell despede-se defendendo a independência da Fed face a Trump |
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16-17 junho |
Mantém |
Estreia de Warsh com 12-0 e dot plot hawkish nos 3,8% |
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28-29 julho |
Mantém |
Primeira divisão, 9-3 com três presidentes regionais a pedirem uma subida |
A que horas é conhecida a decisão e o que publica a Fed?
O comunicado com a decisão sobre as taxas é publicado na quarta-feira, 16 de setembro, às 14:00 em Washington, 19:00 em Portugal continental. Meia hora depois, às 19:30, Kevin Warsh comparecerá em conferência de imprensa, algo que costuma mexer mais com o mercado do que o próprio comunicado.

Setembro é uma das quatro grandes reuniões do ano, pelo que, juntamente com o comunicado, são publicados o quadro de projeções económicas e o dot plot, com as estimativas individuais dos membros do FOMC sobre onde terminarão as taxas em 2026, 2027 e a longo prazo.
Que impacto têm no mercado as reuniões da FED?
A Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) é, portanto, uma instituição essencial para a saúde económica do país e exerce uma influência significativa nos mercados financeiros a nível global. As reuniões da FED, nas quais são definidas as políticas monetárias — especialmente no que diz respeito às taxas de juro — podem ter um impacto relevante nos mercados financeiros.
O que acontece quando há subida das taxas de juro?
Quando a FED decide aumentar as taxas de juro, ou implementar outras medidas destinadas a reduzir a liquidez no sistema, geralmente com o objetivo de controlar a inflação, isso traduz-se numa desaceleração da economia.
O aumento das taxas torna o crédito mais caro, desencorajando o recurso a empréstimos. Este efeito, por sua vez, reduz a procura agregada e o nível de consumo.

A redução da liquidez também afeta negativamente o mercado acionista. Menos liquidez significa menos recursos disponíveis para investimento. Assim, de forma geral, a subida das taxas de juro está associada a uma queda no valor das ações.
Contudo, em determinados contextos, o mercado pode já ter “descontado” esse aumento, sobretudo quando — como é habitual — a FED antecipou publicamente as suas intenções antes da decisão oficial. Nestes casos, o impacto nos mercados tende a ser mais moderado.
Em tempos de incerteza, como os que costumam seguir-se a aumentos das taxas, investir em ações defensivas pode ser uma estratégia sensata. Também os chamados ativos de refúgio, com baixa correlação com o ciclo económico — como o ouro —, podem constituir uma opção a considerar.
O que acontece quando há descida das taxas de juro?
Pelo contrário, quando a FED ou qualquer outro banco central opta por reduzir as taxas de juro, o objetivo é geralmente o oposto ao de uma subida de taxas. Entre os principais efeitos esperados de uma descida das taxas, destacam-se:
- Estímulo à economia: A redução das taxas torna o crédito mais acessível, incentivando empresas e consumidores a contrair empréstimos para investir ou consumir.
- Aumento do consumo: Com o crédito mais barato, os consumidores tendem a realizar compras de maior valor, como habitação ou automóveis, o que estimula a procura agregada.
- Impacto positivo nos mercados acionistas: A descida das taxas tende a reduzir os custos de financiamento e a aumentar o consumo e o investimento, melhorando as perspetivas de lucros das empresas, o que normalmente se reflete na valorização das ações.
- Desvalorização da moeda: Em certos contextos, uma taxa de juro mais baixa pode levar à desvalorização da moeda nacional, à medida que os investidores procuram retornos mais elevados noutros mercados e vendem a moeda local.
- Risco de inflação: Embora o objetivo seja estimular a economia, um possível efeito colateral é a subida da inflação, especialmente se a oferta não acompanhar o aumento da procura.
As reuniões da FED: reuniões do FOMC
Quando falamos da Reserva Federal (FED), para compreendermos o que acontece nas suas reuniões, é importante conhecer quatro conceitos fundamentais:
- FOMC: é o Comité Federal de Mercado Aberto da Reserva Federal. É composto por 12 membros e responsável pela definição da estratégia de política monetária, com vista ao cumprimento dos objetivos da instituição. Reúne-se 8 vezes por ano, aproximadamente de 6 em 6 semanas, em Washington. Geralmente, em metade dessas reuniões realiza-se uma conferência de imprensa posterior.
- Atas da FED: são um resumo detalhado de todos os temas discutidos nas reuniões do FOMC. São publicadas 3 semanas após cada reunião e refletem as opiniões de todos os membros presentes.
- Livro Bege: é um conjunto de dados que serve de base para as decisões do FOMC. É publicado cerca de 2 semanas antes de cada reunião.
- Dot plot: é um gráfico composto por uma série de pontos que representa a visão individual de cada membro sobre a direção futura das taxas de juro — se vão subir ou descer e em que medida — tanto para os meses seguintes como para os próximos anos. Foi introduzido no final de 2011, durante a presidência de Ben Bernanke.
Em resumo, este é o calendário das próximas reuniões da FED, para que não percas nenhuma e possas reagir de forma informada às decisões da Reserva Federal, sejam elas de natureza expansionista ou restritiva.
FAQs sobre a FED
A próxima reunião da Reserva Federal (FED) está agendada para os dias 28 a 29 de abril de 2026.
Durante 2025, a Reserva Federal reduziu as taxas de juro por três vezes consecutivas na parte final do ano. Para já, perspetiva-se uma pausa no início de 2026, mas o próprio Jerome Powell não excluiu a possibilidade de duas descidas adicionais de 25 pontos base ao longo do ano.
A FED reúne-se para a determinação das políticas sobre as taxas de juro 8 vezes ao ano, em datas predeterminadas
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